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CPR, Guilherme Meireles: “fazer o melhor, tentar mostrar o nosso valor e crescer, o que vier a seguir, se verá…”

José Luis Abreu by José Luis Abreu
12 Março, 2025
in CPR, Newsletter, Ralis
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CPR, Guilherme Meireles: “fazer o melhor, tentar mostrar o nosso valor e crescer, o que vier a seguir, se verá…”

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Fim de semana saboroso para a Team M&Costas no mítico Rallye Serras de Fafe. Pedro Meireles conquistou 1º lugar no Campeonato de Portugal de Masters de Ralis, enquanto Guilherme Meireles triunfou no Campeonato de Portugal 2RM (duas rodas motrizes) e no Campeonato de Portugal Junior.

Guilherme Meireles já tinha 24 anos quando se estreou nos ralis (Viana do Castelo, em 2022), mas num espaço de tempo relativamente curto Guilherme Meireles provou que “filho de peixe sabe nadar” e no arranque da época 2025 conquistou, de forma categórica, a sua primeira vitória no Rallye Serras de Fafe, Felgueiras, Boticas e Cabeceiras de Basto. Filho de Paulo Meireles (campeão de iniciados de ralis em 1992) e sobrinho de Pedro Meireles (campeão de iniciados de ralis em 1996 e campeão nacional em 2014), nasceu no seio de uma família de campeões de ralis e embora tivesse começado ‘tarde’, para os padrões atuais, a sua carreira, desde o início que demonstrou potencial. Na abertura da sua segunda época aos comandos do Peugeot 208 Rally4, Guilherme deixou bem vincado o seu crescimento enquanto piloto, numa prova complicada face às condições climatéricas adversas que se fizeram sentir.
E confirmou, se dúvidas houvesse, que é um forte candidato ao título 2RM (duas rodas motrizes). Quanto ao futuro, embora sem estabelecer metas, confessa que gostaria de pilotar um carro da categoria Rally2.

Quando despertou em si a vontade de ser piloto? Depois de ter sido navegador do pai aos 16 anos, em Lousada, no VW Golf G60 Rallye, na Exibição dos Clássicos Desportivos do Vodafone Rally de Portugal?
“Não, eu direi que foi até mais cedo. No universo dos desportos motorizados sempre gostei de ralis em particular, começando a seguir o meu tio [Pedro Meireles] e também o meu pai. Se já nasceu comigo algum ‘bichinho’ pelos ralis, com tais vivências ele despertou ainda mais. Ter sido co-piloto do meu pai, em Lousada, foi a primeira experiência em competição e guardo-a na minha memória com muito carinho. Contudo, o entusiasmo pela competição já vinha de trás”.

Em 2005, aos 7 anos, lembra-se do pai, Paulo Meireles, ter competido no CPR com o VW Polo S1600?
“Lembro-me muito vagamente e sem grandes referências. Recordo bem os anos do meu tio, designadamente quando se sagrou campeão nacional de ralis, em 2014”.

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Foi difícil convencer o pai o apoiá-lo para ser piloto de ralis?
“Não tive que convencer ninguém! [sorrisos]. Eu nunca pedi diretamente, porque o meu pai sabia que eu gostaria de ser piloto. Sempre fui muito focado na minha vida, primeiro académica e agora profissional, e tudo surgiu de forma bastante natural da parte do meu pai. Ele tinha a perceção que eu um dia gostaria de ser piloto de ralis e quando entendeu que era a altura certa, decidiu convidar-me e eu, como é óbvio, disse logo que sim. Confesso que esse nunca foi um tema que me levasse a andar de volta do meu pai a ‘chateá-lo’, pois estava empenhado nas minhas coisas. A oportunidade de eu ser piloto surgiu até mais do lado dele”.

Tinha 24 anos quando disputou o seu primeiro rali. Não começou um pouco tarde, sobretudo para quem é oriundo de uma família de campeões de ralis?
“[Gargalhada] Talvez! Tarde… se compararmos com outros pilotos que andam aí já há bastante tempo. Antes da minha estreia nos ralis eu não tinha qualquer tipo de experiência no desporto motorizado. Nunca metera o capacete na cabeça e enfiara umas luvas para conduzir, fosse um kart ou para experimentar, por exemplo, o ralicross. Olhando pelo prisma da estreia na competição, dir-se-á que começar aos 24 anos é tarde, mas acho que no meu caso foi na altura certa e quando tinha que ser… Claro que quanto mais cedo começarmos, melhor, na perspetiva de evoluir e chegar a um patamar elevado mais rapidamente”.

Os resultados conseguidos o ano passado abriram a porta, em termos familiares, à candidatura ao título do CPR 2RM em 2025 e na Peugeot Rally Cup?
“Não sei, vamos ver… Eu acho que começamos bem. O campeonato que fizemos o ano passado foi muito bom. Demos um salto enorme, para ser a segunda época e avaliando a experiência e os objetivos que tínhamos. Principalmente no asfalto conseguimos fazer ralis muito bons. A época de terra também foi positiva e não posso esquecer que a minha experiência nesse tipo de piso ainda é reduzida, pois participei em quatro ralis, tendo somado agora, em Fafe, apenas o quinto. Portanto, ainda temos muito a melhorar… O nosso objetivo é procurar fazer o melhor possível e se conseguirmos ganhar e ser campeões nacionais, será excelente. Farei todos os possíveis para que tal aconteça, mas há que trabalhar muito para isso. Também na Peugeot Rally Cup há adversários fortíssimos. O propósito é dar o máximo e, se possível, vencer”.

Esta vitória no Rallye Serras de Fafe, Felgueiras, Boticas e Cabaceiras de Basto foi uma prova de maturidade? Começou com cautelas, gerindo o rali como um piloto já com muita experiência?
“Pode fazer-se essa análise… Sou sincero: começamos o rali sem ter a noção exata de qual seria o ritmo dos adversários e como eu era o primeiro do nosso campeonato na estrada, optei, até porque o troço de Boticas/Vale do Tâmega não era muito do meu agrado, por ser cauteloso.
Aliás, já tinha definido na minha cabeça que iria ter algumas cautelas na abertura da prova, mas acabei por ser surpreendido, pois sempre pensara que o meu andamento seria suficiente para ficar mais perto dos lugares cimeiros. No terceiro troço atacámos forte, conseguindo recuperar muito tempo e, depois, no segundo dia impus um ritmo forte quando me senti confortável. Logo na abertura, em Luílhas, conseguimos fazer um excelente troço, para gerir a partir de então, até porque estamos a falar de um rali muito difícil, dadas as condições em que se encontravam as classificativas.
Controlar a nossa liderança em tais circunstâncias não é fácil, pois cometer um erro, como um ‘pião’, pode acontecer quando menos esperamos. Uma vantagem de 30 ou 40 segundos é muito mais difícil de gerir neste tipo de condições do que se estivesse piso seco. Confesso que na parte final comecei a acusar algum nervosismo, ao sentir que estaria perto de conquistar a minha primeira vitória no Campeonato de Portugal de Ralis. Mas acabou tudo bem e acho que demonstramos maturidade, o que também é preciso para que as coisas corram bem”.

Até onde o Guilherme pretende chegar como piloto? Ser campeão, a seguir guiar um Rally2, desfrutar e depois retirar-se ou admite uma experiência internacional?
“Não sou velho… mas já estou nos 26 anos e tenho também as minhas vidas ativas, profissional e pessoal. Vou tentar conjugá-las com os ralis. Sempre que disputar uma prova, procurarei desfrutar ao máximo e fazer o melhor possível em termos de resultado. Até onde isso me vai levar, não sei.
Claro que gostava de dar o salto para um Rally2 do CPR, mas neste momento não tenho qualquer tipo de objetivo na perspetiva internacional. Acho que as coisas têm que surgir um pouco naturalmente, embora saiba quão difícil é chegar a determinado patamar e subir ainda mais. Isso já implica um investimento e apoios muito diferentes. Infelizmente, em Portugal não é assim tão fácil consegui-los. Claro que eu adorava, um dia, correr a nível internacional, porque isso seria resultado de uma evolução muito positiva. Se vai ser possível ou não, não sei. Primeiro, vamos trabalhar nas competições em que estamos empenhados agora, fazer o melhor e tentar demonstrar o nosso valor e crescer. O que vier a seguir, seja o Rally2 para 2026 ou dentro de dois anos, seja continuar ou parar, ou até eventualmente acabar por competir num Campeonato da Europa, por exemplo, veremos na altura certa. De momento, não tenho metas definidas, é ir aproveitando o momento e desfrutando. Já tenho sorte de poder fazer uma coisa de que estou a gostar e que me dá imenso prazer. O resto avaliaremos depois…”

Qual foi o comentário do pai Paulo Meireles depois da primeira vitória do filho Guilherme?
“Deu-me os parabéns. Normalmente, é bastante contido nas palavras, mas sinto que a sua felicidade é enorme. Fica sempre nervoso do lado de fora. Costumo ouvir sempre a sua opinião sobre a abordagem às provas, depois lá dentro sou eu que decido, mas procuro estar alinhado com ele, dizendo o que me vai na cabeça e escutando depois a sua experiência. É que ele sabe mais de ralis do que eu. Percebi que ele sentiu que esta foi uma vitória importante, no sentido de termos demonstrado uma grande maturidade, superando um grande desafio”.

Quem mais impressionou o Guilherme Meireles até hoje como piloto no mundo dos ralis?
“O Loeb e o Ogier. É impressionante a consistência de ambos ao longo de tantos anos, cometendo tão poucos erros e sendo tão competitivos. Quem está do lado de dentro e começa a perceber a modalidade, entende quão difícil é. Surpreende e é admirável a capacidade que eles têm de ser tão rápidos, na neve, no gelo, no asfalto ou na terra e baterem tão poucas vezes. Na minha opinião, nos últimos 20 anos, tanto o Loeb como o Ogier destacaram-se claramente de todos os outros”.

Fonte: Campeonatoportugalderalis.pt

Tags: CPRGuilherme Meireles
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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