
Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai I20 N Rally2) venceram o Rali da Água-CIM Alto Tâmega, Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally 2 Evo) foram terceiros e asseguram o seu 7º título ‘nacional’. Um feito fantástico de um dos melhores pilotos da história do automobilismo de estrada em Portugal, se não o melhor.
O Campeonato de Portugal de Ralis teve em Trás-os Montes uma das suas melhores provas do ano. Competitividade assim só tínhamos visto no Terras d’Aboboreira, ainda que nas restantes provas da competição tenha havido bastantes momentos de grande competitividade e luta pelas posições do pódio.
Este foi, sem dúvida, um bom rali, como referimos este ano só na Aboboreira tinha havido luta tão equilibrada na luta pelo triunfo. Em Fafe, no final da PE1 Armindo Araújo tinha 28.5s de avanço para Bruno Magalhães, nos Açores ao fim do 1º troço realizado, PE2, Ricardo Moura tinha 14.6s de avanço para o 2º lugar de Bruno Magalhães, na Aboboreira, sim, houve equilíbrio, só se decidiu ao segundo no derradeiro troço com Miguel Correia a vencer pela primeira vez, no Rali de Portugal a margem foi aumentando sempre troço a troço, em Castelo Branco, houve equilíbrio, mas não tanto quanto aqui, nem de perto, na Madeira, Zé Pedro Fontes recuperava tempo a Bruno Magalhães, mas quando este desistiu a margem era ainda de 11.6s. Em Chaves/Boticas, a luta, na prática acabou quando Fontes furou mas aí a diferença era 0.6s e a liderança nunca tinha sido maior que 2.3s. Teodósio não ficou longe mas em condições normais o desfecho estava ‘fechado’…
Foi um bom rali, a que talvez tenha faltado um pouco de público, mas isso sucede provavelmente porque a comunidade dos ralis está mal habituada, pois público é algo que praticamente nunca falta nos ralis. Portanto, não houve pouco, houve menos do que gostaríamos ter visto.
E foi em Chaves/Boticas que Armindo Araújo chancelou o seu sétimo título nacional, não dando este ano muitas hipóteses aos seus adversários. Curiosamente, o seu pior resultado do ano foi mesmo este, um pódio. E quando um pódio é o pior resultado, está tudo dito. Muito regular, não deixou pedra sobre pedra, e quando assim é é difícil batê-lo. E já é assim há duas décadas…
Vitória de Bruno Magalhães
Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai I20 N Rally2) venceram a prova do CAMI MotorSport, com 8.0s de avanço para Ricardo Teodósio/José Teixeira (Hyundai I20 N Rally2) com Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally 2 Evo) em terceiro, a 34.6s.
O piloto do Team Hyundai Portugal já várias vezes tinha lutado pelo triunfo este ano e era dos pilotos de topo o único que ainda não tinha vencido, o que conseguiu agora.
Tem vindo a andar bem, mas sempre lhe sucedia alguma coisa, mas desta vez não, e o resultado está à vista, venceu, depois duma grande luta com José Pedro Fontes.
É claro que as coisas estavam muito equilibradas e o triunfo poderia cair para qualquer um dos lados, mas na Madeira liderava, saltou-lhe uma roda e desistiu, ganhou Fontes, aqui Fontes furou, ganhou Bruno Magalhães. É justo, divide-se o ‘mal pelas aldeias’.
Ricardo Teodósio/José Teixeira (Hyundai I20 N Rally2) terminaram o rali na segunda posição numa prova em que problemas com a válvula pop off os levou a perder 9.3s na PE2, o que num rali sprint como este é quase sempre decisivo, afastando-os das lutas mais à frente, mesmo que tenham demonstrado, nos restantes troços, que podiam andar taco a taco com quem lutou pelo triunfo. Basta ver que terminam o rali a 8.0s do vencedor quando perderam 9.3s nessa Pe2. Tal como disse no final, os ralis são mesmo assim…
‘Serviços mínimos’
Os novos campeões, Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally 2 Evo) terminaram no pódio, mas cedo deixaram claro que nada iriam arriscar nesta prova, andando sempre de calculadora na mão para efetuar mesmo os ‘serviços’ mínimos’ necessários à concretização do objetivo. Assim pensaram, assim fizeram, com precisão milimétrica. Não houve risco, muito menos uma roda fora do sítio. E o objetivo está alcançado.
Quarto lugar para Bernardo Sousa/Victor Calado (Citroën C3 Rally2), numa prova sempre em crescendo, em mais um teste para o CPR 2023. É óbvio que depois de tanto tempo fora dos ralis, o ritmo ressente, mas tal como disse no final, o madeirense anda à procura da velocidade que sempre teve, e que agora não pode ter igual, porque não há milagres.
Está a melhorar e o facto de ter vencido a Power Stage é um bom exemplo. Não se trata de um troço qualquer, mas sim a PS, e isso é um bom sinal pois o CPR 2023 ‘agradece’ se tiver mais candidatos a vencer provas e os títulos.
Com essa grande Power Stage, Bernardo Sousa bateu Pedro Meireles/Pedro Alves (Hyundai I20 N Rally2) por 5.5s e com isso ‘roubou-lhes’ o quarto lugar que detinham à entrada do último troço, terminando ambos separados por 2.5s favoráveis ao madeirense.
Para Pedro Meireles/Pedro Alves (Hyundai I20 N Rally2), também fizeram um bom rali, mais perto do top 5 do que mostraram nos últimos ralis e isso é o processo natural de quem guia este ano um carro completamente novo e diferente.
Muito azar de Fontes
Os grandes derrotados nesta prova são José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroën C3 Rally2), que mereciam poder ter lutado até ao fim pelo triunfo. Depois de terminarem o primeiro dia de rali na frente, 0.4s menos que Bruno Magalhães, cederam por dois troços a liderança ao piloto da Hyundai, mas recuperaram-na antes da paragem na assistência.
Com 0.6s de margem entre os mesmos protagonistas, no primeiro troço da tarde um arreliador furo fê-los perder 1m14.9s e com isso toda e qualquer hipótese de triunfar. Terminaram em sexto, mereciam muito mais. São assim mesmo os ralis. Sempre foi e sempre há-de ser assim.
Sétimo posto para Paulo Meireles/Marcos Gonçalves (Hyundai I20 N Rally2), um bom resultado, teve um percalço aqui e ali, um pião, a Super Especial sem intercomunicadores, o balanço é positivo, e o resultado fica dentro do que tem conseguido fazer nos últimos tempos com so R5. Mas ainda estão melhor na terra do que no asfalto.
Pedro Almeida/Mário Castro (Skoda Fabia Rally2 evo) têm tido um ano difícil neste regresso do piloto aos RC2. Vários ‘azares’ durante a época e finalmente concluíram um rali, depois de três abandonos no Rali de Portugal, uma varia da direção, em Castelo Branco e Madeira, dois erros e duas saídas de estrada. Por tudo isso o objetivo era chegar ao fim de modo a poder continuar a ganhar confiança, que bem precisa, pois sabemos ser capaz de resultados mais acima do que está a conseguir. Talvez no Vidreiro.
Nono lugar para a dupla espanhola Estevez Fernández/José Murado (Citroën C3 Rally2) com Ricardo Filipe/Fernando Almeida (Ford Fiesta R5) a fechar o top 10, numa rali em que só em três troços dos nove conseguiu colocar o carro no top 10 das especiais.
Nas duas rodas motrizes, também há título nacional: Ernesto Cunha/Rui Raimundo (Peugeot 208 Rally4) sagram-se campeões depois de vencer em Chaves os 2RM, batendo Rafael Cardeira/Luís Boiça (Renault Clio RS R3T) por 11.5s com Ricardo Sousa/Luís Marques (Peugeot 208 Rally 4) em terceiro a 25.6s.
Problemas com a direção assistida do carro da Prolama atrasou o piloto quando liderava a prova, ficando a uma distância muito difícil de recuperar num rali sprint. Ainda subiram até terceiro mas já nada havia a fazer pois Ernesto Cunha fez o que lhe competia e assegurou o triunfo e o título na categoria.
Luis Morais/Paulo Silva (Peugeot 208 Rally 4) terminou os 2RM no pódio da categoria e em 15º da geral.
Paulo Caldeira/Ana Gonçalves (Citroën C3 Rally2) terminaram o rali na 13ª posição, e no 16º lugar terminaram Miguel Correia/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Rally2 evo) que não só cedo começaram a ficar um pouco para trás, como depois um ligeiro toque redundou num furo e muito tempo perdido. Não lhes correu bem a prova, o piloto não conseguiu andar o que queria. O que já fez no campeonato até aqui já chega e sobra para dizermos que tem feito um campeonato brilhante.
Este não foi certamente o rali de Daniel Nunes/Nuno Mota Ribeiro, que depois de problemas com o alternador no 1º dia, voltaram a abandonar no 2º com problemas no motor do Ford Fiesta Rally3. Há ralis assim.








