Na ronda húngara do DTM, pudemos ver imagens arrepiantes dos bólides germânicos a irem contra mecânicos e comissários, sem controlo. Mais uma vez o desporto motorizado tratou de nos lembrar que é perigoso, mesmo com todas as medidas de segurança que vão sendo implementadas. Não há forma de prever todos os tipos de acidentes e não há forma de minimizar o risco de andar a velocidades a que a natureza não nos preparou.
Mas o acidente mostrou também mais uma vez a bravura e o trabalho destes homens e mulheres que não fazem as primeiras páginas dos jornais, a não ser pelos piores motivos. A competição automóvel é o sonho de muitos. A maioria gostava de ser piloto mas nem todos temos o talento ou a oportunidade de o fazer. Assim, muitos dos verdadeiros apaixonados pelas corridas apostam em participar de outra forma. Alguns torna-se mecânicos, outros comissários, outros assumem os mais diversos papeis para que no final as corridas sejam possíveis e decorram da melhor maneira.
A vida de mecânico ou engenheiro de competição é das mais exigentes e difíceis que se pode ter. O glamour e a fama não entra nas boxes das equipas onde se trabalha arduamente, horas a fio para que o piloto tenha o material adequado para vencer. São muitas horas de trabalho, as vezes sem dormir, para que tudo esteja perfeito. São homens e mulheres que percorrem os quatro cantos do mundo, às vezes para ver apenas a pista e o hotel onde ficam hospedados. É preciso uma paixão enorme e uma vontade tremenda de pertencer a este mundo para aguentar esta exigência.
Temos também os comissários de pista, que dão muito do seu tempo para as corridas, por vezes sem nada receber em troca. A responsabilidade que carregam nos ombros é grande pois têm de assegurar que tudo corra pelo melhor e têm de tomar decisões por vezes difíceis e delicadas.
São estas pessoas que dão muito da sua vida para dar asas a uma paixão por vezes difícil de entender. São eles que abdicam de tempo com a família para ir ter com a outra família. São eles que carregam com as responsabilidades, a tensão e enfrentam o perigo para que as corridas possam acontecer.
E além deles, existem centenas de pessoas que dão o seu contributo para que a máquina das corridas possa rodar de forma oleada e sem problemas. Quem esteve ou está por dentro de uma organização deste género sabe e quem não está não faz ideia da quantidade de pormenores que são precisos tratar para que no final a organização possa ser bem sucedida.
É por isso justo falar deles, de vez em quando . Realçar a sua importância e até agradecer o seu contributo. Cada um à sua maneira, ajuda a que o desporto motorizado aconteça e faça sonhar milhões em todo o mundo. É uma missão por vezes difícil e ingrata. Mas quando o barulho dos motores se ouve e os artistas vão para a pista, o sentimento de realização e dever cumprido é talvez dos mais gratificantes. Algo que é difícil descrever… mas que se sente com muita emoção. O desporto motorizado é muito mais do que pilotos e máquinas. E talvez por isso seja ainda mais bonito e interessante.











