Estado prepara consulta pública e admite alienação da gestora por cerca de 7 milhões
O Autódromo do Estoril foi classificado como ativo “não estratégico” por um grupo de trabalho do Sector Empresarial do Estado (SEE), que recomenda a alienação da sua gestora, a CE – Circuito Estoril, S.A., avaliada em cerca de 6,96 milhões de euros. Em paralelo, o Governo confirmou o avanço de uma consulta ao mercado para a concessão da infraestrutura, mantendo a propriedade pública, mas abrindo a exploração a terceiros.
O secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes, garantiu no Parlamento que o processo será “equitativo, justo e totalmente transparente”, sublinhando que a consulta ao mercado já está anunciada pela Parpública.
Timeline da evolução recente do dossier Estoril
A Câmara Municipal de Cascais mantém-se como um dos principais interessados. Em dezembro de 2025, apresentou uma proposta para assumir a gestão do autódromo através de um direito de superfície por até 75 anos, num total de 12,5 milhões de euros pagos em rendas.
O presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, justificou a iniciativa com o “desinvestimento muito grande” do Estado e defendeu a necessidade de preservar a vocação desportiva da infraestrutura. O município pretende lançar um concurso internacional para captar cerca de 150 milhões de euros de investimento privado, com o objetivo de modernizar o circuito e recuperar a homologação Grau 1 da FIA, apontando ao regresso da Fórmula 1 em 2028.
Impasse prolongado e risco de interdição
O processo arrasta-se há vários meses sem calendário definido, enquanto aumentam as tensões institucionais. No início de 2026, a autarquia admitiu mesmo a possibilidade de interditar o circuito devido ao incumprimento de normas de ruído e falhas de segurança.
Uma decisão judicial de 2023 já tinha imposto limites mais rigorosos ao ruído, obrigando à instalação de barreiras acústicas — ainda por concretizar — e à monitorização sonora. Em resposta, a gestora implementou restrições operacionais, incluindo horários entre as 9h00 e as 19h00 para atividades competitivas.
Atividade mantém-se apesar da incerteza
Apesar do contexto de indefinição, a CE – Circuito Estoril, S.A. assegura a continuidade da atividade “no estrito cumprimento das disposições legais”. O calendário de 2026 inclui grandes eventos como o Estoril Classics, mantendo o circuito ativo no panorama europeu.
Histórico de decisões travadas e futuro em aberto
O dossiê do Estoril acumula mais de uma década de avanços e recuos. Em 2015, uma tentativa de venda à Câmara de Cascais foi travada pelo Tribunal de Contas, impedindo uma solução duradoura. Agora, o novo modelo de concessão coloca em confronto diferentes visões: um concurso aberto ao mercado, liderado pelo Estado, e a estratégia municipal de gestão com forte investimento privado.
O Plano Diretor Municipal de Cascais continua, contudo, a impor limites claros: o autódromo está “blindado” como infraestrutura desportiva, impedindo a sua conversão em projetos habitacionais. Qualquer futuro concessionário poderá explorar valências comerciais e turísticas, mas terá de preservar a função motorizada.
A publicação das condições da consulta ao mercado será o próximo momento decisivo para determinar quem ficará com a gestão do Autódromo do Estoril — e em que moldes será assegurado o seu futuro.










