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Maria Germano Neto: “Dentro de pista não foi difícil” | AutoSport

Maria Germano Neto: “Dentro de pista não foi difícil”

Por a 21 Dezembro 2021 10:45

Nunca faltou talento em Portugal e temos visto jovens pilotos com qualidade a surgir com regularidade nas nossas pistas. Mas, ciclicamente, aparece alguém especial, que nos faz sonhar com outros voos e Maria Germano Neto é a nova esperança do automobilismo nacional. 

Maria Germano Neto começou  cedo e logo nos primeiros passos nos karts começou a colecionar troféus a uma velocidade impressionante. As suas espetaculares prestações valeram-lhe o convite para participar no FIA Girls On Track, programa pensado para raparigas que dão os primeiros passos e que querem chegar ao topo. Maria era a mais pequena e a mais jovem mas, foi a grande vencedora na categoria júnior e graças a isso foi incluída na Ferrari Academy Driver e na próxima época competirá com a Tony Kart, uma das melhores estruturas do mundo da modalidade. O AutoSport falou com a Maria e com o seu pai, Germano Neto, depois desta grande conquista. 

Agora que és piloto da Academia Ferrari como te sentes? Está orgulhosa?

Sim, estou muito orgulhosa.

A competição foi muito difícil?

Dentro de pista não foi, mas as atividades fora de pista foram um pouco mais complicadas porque as meninas mais velhas tinham mais capacidades para os exercícios físicos. Mas em pista correu tudo muito bem

Como começaste nos Karts?

A primeira vez que andei num Kart foi num circuito em Fafe e logo na altura gostei muito. Mas não foi eu que pedir para experimentar. Aconteceu mas ainda bem porque agora é uma coisa que gosto muito de fazer. ” 

Germano Neto

Os karts não foram algo que aconteceram como um objetivo já delineado. Isto surge do nada e a Maria ter ido para uma pista de Kart em Fafe e ter experimentado foi uma casualidade, não fui eu que a levei para a pista porque eu próprio não tenho qualquer ligação com o automobilismo. Estava mais ligado ao futebol, fui jogador do Vitória de Guimarães e nunca tive qualquer ligação com o automobilismo. Mas foi uma casualidade que no primeiro momento deu para entender que a Maria tinha talento. Encontrei-me com um cliente meu que estava no kartódromo com o filho, que era mais velho e concluímos que na primeira vez que a Maria andou de Kart, tinha sido mais rápida que o filho desse meu cliente, que já tinha seis meses experiência, ele com seis anos e a Maria com quatro. Tanto é que o miúdo deixou os karts e a Maria pouco depois estava a fazer uma prova oficial. A primeira prova que ela fez foi em Leiria em 2015 para a Taça de Portugal, pouco tempo da primeira experiência. Mas foi algo que surgiu por acaso e porque a Maria revelou logo qualidade e se não tivesse sido o caso, não teríamos passado todo este tempo nos karts. Do que vou vendo ao acompanhar a Maria, vejo muitos miúdos que estão em pista devido à motivação e por vezes pressão dos país e vejo muitas vezes os mudos mais interessados em fazerem equipas de futebol para jogarem nos intervalos e parece-me que se perguntássemos a 100 miúdos qual era o verdadeiro interesse deles, acredito que mais de metade diriam que é o futebol. A Maria não, é algo que gosta mesmo e é isso que nos leva a fazer o esforço adicional para que não falte muito à Maria. Falta sempre mais do que outros porque o nosso país não aposta no Karting e no automobilismo e, para dar um exemplo, tínhamos mais apoio quando a Maria corria cá do que quando ela passou para Espanha e Itália, porque a maioria dos patrocinadores considera que as competições lá fora não têm repercussão mediática e levar a Maria para Espanha e Itália fez com que tivesse menos protagonismo do que em 2019, quando ela venceu praticamente todas as provas cá. Se não fosse a qualidade da Maria, este caminho não teria sido feito e como tal o mérito é dela. Para terem uma ideia, a Maria passa muito tempo em treinos, em competições a maior parte das vezes sozinha. Desde os sete anos que está habituada a andar de avião sozinha, com uma hospedeira de bordo e a ser recebida pela equipa no destino. A minha vida profissional não me permite acompanha-la todos os dias, mas não a poderia condicionar por causa disso. A Maria tem de ir uma semana antes treinar e por vezes as atividades em pista começam logo na terça feira, com os treinos livres a partir de quarta feira, até domingo. Por vezes, não conseguimos encontrar forma de ela voltar no dia seguinte, o que faz com que ela passe muito tempo sozinha. Se não fosse o gosto dela e se não fosse o principal foco dela já teria desistido há algum tempo.

Maria, não te importas de passar tanto tempo sozinha?

Não me importo porque já me habituei a isso. Já antes passava muito tempo sozinha, mas como a equipa acompanhava-me sempre não era bem sozinha. Claro que preferia viajar com o meu pai ou com a minha família mas não é muito mau viajar sozinha.

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