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O dia mais negro da Fórmula 1 foi há 31 anos

José Luis Abreu by José Luis Abreu
1 Maio, 2025
in FÓRMULA 1, Newsletter
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O dia mais negro da Fórmula 1 foi há 31 anos

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Com a morte de Ayrton Senna, perdeu-se muito mais do que o melhor piloto do Mundo. O desporto automóvel despediu-se de uma das suas figuras mais carismáticas, de um homem extremamente sensível, inteligente, de enorme poder analítico e que sempre serviu como um valioso instrumento de contra poder. Ao morrer deixou um caminho quase sem obstáculos para todos aqueles que não servem o automobilismo desportivo, mas que tem a veleidade de pensar que se podem servir dele.

No dia 1 de maio morreu um homem virtuoso, que sabia olhar à sua volta, que não pactuava com injustiças e que nunca, mas mesmo nunca, se alheou do seu semelhante. Morreu, também, um piloto de exceção e nada melhor do que as palavras que, um dia, alguém escreveu sobre Ayrton Senna, para o retratar, no seu mister, de forma fidedigna: “Deus compunha música pela pena de Mozart e guiava um Fórmula 1 pelas mãos de Senna.”

Tudo acabou às 14 horas e 10 minutos daquele fatídico dia, na curva Tamburello do Circuito Enzo e Dino Ferrari, em Imola, tal como o AutoSport relatava , na altura: “Durante cinco voltas, o então líder da corrida tinha rodado atrás do safety-car, que entrou em pista para permitir que os destroços deixados pelo acidente à partida, entre o carro de Pedro Lamy e o de JJ Letho, fossem convenientemente limpos. Na partida lançada, Senna arrancou melhor do que Schumacher e durante a primeira volta tentou cimentar um avanço suficiente para, desde logo, deixar, bem claro que a vitória neste Grande Prémio lhe ia pertencer, colocando um ponto final nos problemas sentidos nas duas primeiras corridas da temporada. O destino assim não quis! De repente, à entrada da Tamburello, zona onde os Fórmula 1 rodam a cerca de 300 km/h, o Williams seguiu em frente não deixando qualquer hipótese de correção ao piloto. Magic Senna perdeu a última batalha.”

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A violência do embate não deixou muita margem para dúvidas. Os comissários de pista receberam ordens imediatas para não tocar no piloto e, muito pouco tempo depois, o Professor Syd Watkins, o “médico” da Fórmula 1, já estava no local. Os especialistas tudo fizeram para tentar dar a Ayrton Senna uma réstea de esperança, mas o estado de saúde do piloto brasileiro era gravíssimo. Para além de outras lesões, um tirante do braço da suspensão dianteira direita do Williams tinha perfurado o capacete do piloto, junto à moldura em borracha da viseira, penetrando-lhe no cérebro, através do globo ocular. Ayrton tinha sofrido fratura do baixo crânio e perda de massa encefálica.

Consternados, os repórteres do AutoSport, continuavam o relato: “Os danos eram impossíveis de recuperar, apesar de existirem sinais cardíacos. Vinte e cinco minutos depois o piloto foi transportado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha. No circuito, colegas de trabalho choravam pelos cantos e muitos fãs de Ayrton rezavam, prostrados no chão, invocando a auxílio divino. Passadas quase quatro horas, às 18h e 10m  uma responsável do hospital italiano deu a notícia que ninguém queria ouvir. Morte clínica, apesar de, seguindo os quesitos da lei italiana, o piloto continuar ligado a uma máquina de sustentação artificial da vida, enquanto existirem sinais cerebrais e, pelo menos, durante seis horas. Afinal, tudo terminaria, 30 minutos mais tarde.” Um fim-de-semana que ninguém esquecerá e no qual, para além do grande Campeão, perdeu, também, a vida Roland Ratzenberger.

Muito se escreveu sobre o acidente que vitimou Ayrton Senna e, como sempre acontece nestas situações, a análise objetiva esteve quase sempre arredada de todos os considerandos. Para os mais sensacionalistas, o acidente de Ayrton Senna foi mais uma peça do libelo acusatório contra o desporto automóvel. Outros houve, com mais responsabilidades na matéria, que se desdobraram em explicações sobre a dinâmica do acidente, que mais pareciam subprodutos de uma mau filme, servido por um péssimo argumento.

Ayrton Senna morreu a fazer aquilo que mais gostava: tripular um automóvel de corrida. Que continue a descansar em paz, o Grande Campeão!

Tags: Ayrton SennaGP de San Marino F1 1994
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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