Oscar Piastri voltou a sair de um Grande Prémio desiludido. É a segunda vez consecutiva que termina uma corrida com um desempenho cinzento, enquanto do outro lado da box se festeja uma vitória. Piastri ficou longe do pódio numa corrida má, em que a falta de ritmo foi evidente, mais do que as questões de estratégia ou os problemas nas paragens.
A diferença entre um bom piloto e um piloto excelente é o que cada um consegue retirar de circunstâncias desafiantes. Os grandes nomes fizeram-se graças a vitórias e títulos, mas reforçaram o seu legado quando não tinham os meios para chegar ao topo. No Grande Prémio dos Países Baixos, Lando Norris venceu a corrida, como se diz na gíria, “no braço”. Foi a sua velocidade e a sua gestão de corrida que permitiram este triunfo, que não era certo, especialmente olhando ao desempenho da equipa na corrida Sprint. A McLaren foi rápida nas qualificações e mostrou bom ritmo nas primeiras voltas, mas perdeu fôlego à medida que a Sprint avançou. Na corrida de domingo, Norris conseguiu encontrar soluções. Piastri não.
Fim de semana negativo para Piastri
Piastri, tal como se viu no sábado, começou bem, com um arranque forte e uma ultrapassagem assombrosa a George Russell (também auxiliada pelas diferenças de carga nas respetivas baterias), mas uma paragem nas boxes mais lenta voltou a deixar o australiano atrás de Russell. A partir daí, o piloto da McLaren nunca mais encontrou o ritmo certo para se aproximar das lutas pelo pódio. O sexto lugar final foi um mal menor numa tarde difícil.
Piastri reconheceu sem problemas que foi uma tarde cinzenta e um resultado dececionante, relativizando o problema na paragem nas boxes:
“Uma tarde frustrante com um resultado dececionante, mas ainda assim alguns pontos no marcador. O principal aspeto positivo que podemos retirar é o arranque e a primeira volta depois da bandeira vermelha, onde o carro se sentiu bem e conseguimos recuperar posições. O primeiro stint pareceu razoável, mas a partir do segundo stint em diante, o ritmo simplesmente não estava lá, e tornou-se numa luta dura.”
“Vamos rever todo o fim de semana e analisar para perceber porque experienciámos uma queda de desempenho tão significativa. Uma paragem lenta não ajudou, mas o problema fundamental foi a falta de ritmo, algo em que vamos trabalhar antes de Monza. Essa é a prioridade agora: mergulhar nos dados com a equipa para encontrar a causa raiz e garantir que podemos avançar numa direção mais positiva nas próximas corridas.”

Estratégia e erros nas boxes sem influência
A estratégia divergente face à de Norris também foi alvo de análise, mas, mais uma vez, Piastri não colocou grande ênfase nesse aspeto, enaltecendo as dificuldades na gestão dos pneus:
“A ideia era começar com os duros e ir até ao fim, mas ficou claro bastante rapidamente que os duros não eram propriamente bons — mas não acho que esse lado das coisas tenha sido muito o problema. Obviamente, a primeira paragem lenta foi um pouco dolorosa, e o ritmo depois foi doloroso, e houve muitas estratégias diferentes, mas não acho que a nossa tenha sido realmente o problema. A degradação no primeiro jogo de duros pareceu bem, e o segundo jogo foi bom durante cerca de cinco voltas, e depois fiquei completamente sem pneus dianteiros; portanto, não há necessariamente uma coisa a correr mal, mas aquele stint com esse pneu foi muito complicado.”
“O Lando ganhou a corrida por uma margem considerável, por isso acho que o carro está num bom momento. Tem sido rápido nos últimos dois fins de semana, e acho que estas duas pistas favorecem o carro; é só que, seja qual for o motivo, não tenho conseguido tirar o ritmo dele.”
Hear from Oscar after the #DutchGP 🇳🇱#McLarenF1 pic.twitter.com/uVI6Q5UMjd
— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) August 23, 2026
Stella admite dificuldades com os pneus
A questão da irregularidade do carro foi abordada por Andrea Stella e, inclusive, por Lando Norris, que falou em fraquezas evidentes do carro em curvas de baixa velocidade. Stella começou por salientar a vitória de Norris e os bons resultados obtidos, deixando rasgados elogios ao piloto britânico, mas reconheceu que os pneus foram um tópico sensível:
“No geral, foi um fim de semana positivo em Zandvoort, com a pole position e a vitória no Grande Prémio esta tarde, mas certamente este não é um resultado a dar como garantido. Depois do Sprint, sabíamos que precisávamos de melhorar o ritmo de corrida, e os pilotos e engenheiros fizeram um trabalho muito bom a encontrar o desempenho extra de que precisávamos.”
“O Lando esteve no seu melhor, a conduzir como o campeão do mundo que é, e mereceu totalmente esta vitória. Capitalizou aquilo que estava disponível no carro e nos pneus, geriu extremamente bem algumas condições muito difíceis e produziu algumas manobras de ultrapassagem excelentes. Também quero reconhecer o trabalho da equipa na estratégia. Prolongámos o segundo stint para atacar o Andrea Kimi Antonelli, e isso resultou bem, por isso os parabéns são para todos os envolvidos.”
“Quanto ao Oscar, o resultado final (6º) não é um reflexo justo da competitividade que ele demonstrou ao longo do fim de semana. Perdemos tempo na paragem nas boxes e depois tivemos dificuldade em ativar o pneu duro no segundo stint, o que lhe custou várias posições. O seu ritmo no primeiro e no último stint foi muito mais representativo. Sabemos que há mais potencial que podemos extrair.”
“Os pneus não foram fáceis de entender este fim de semana. Algumas equipas estiveram muito bem nos macios. Acho que estivemos um pouco melhores nos duros. E, por vezes, os pneus simplesmente podiam desaparecer por completo, como aconteceu no segundo stint do Oscar. Por isso, foi difícil de entender.”
Andrea debriefs the #DutchGP 🇳🇱#McLarenF1 pic.twitter.com/al6p8DBksi
— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) August 23, 2026
Um ano desde a última vitória
É a segunda vez consecutiva em que a diferença de ritmo entre Norris e Piastri é evidente. Na Hungria, vimos uma breve luta entre os dois, mas, assim que Norris passou para a frente da corrida, a distância que abriu para o seu colega de equipa não deixou margem para dúvidas. Em Zandvoort, o cenário acentuou-se. Piastri revelou um ritmo forte em qualificação — quarto classificado, a apenas 0,142 segundos de Norris — mas, na corrida, ficou demasiado longe, terminando a mais de 32 segundos. A McLaren tem de resolver rapidamente as fragilidades do seu MCL40 se ainda quiser ter uma palavra a dizer na luta pelo título. E Oscar Piastri tem de encontrar algo que perdeu há um ano, em Monza: o ritmo avassalador que apresentou na primeira metade da temporada e que, desde então, nunca mais surgiu de forma clara. Zandvoort foi palco do último triunfo do australiano e desde então, a diferença para o colega tem-se acentuado.
Fotos: MPSA









