O campeão do mundo em título venceu. À 11ª corrida do ano o #1 voltou a festejar no topo do pódio, num fim de semana em que foi o mais rápido, mas, como habitualmente, voltou a complicar a sua tarefa. Norris, que largou da pole position, perdeu o primeiro lugar logo na Curva 2. Foi demasiado largo e viu o companheiro de equipa. Oscar Piastri, assumir o comando da corrida. Foram necessárias quarenta voltas e um golpe de sorte para que Norris regressasse aos comandos. Depois de um stint atrás de Piastri e já demonstrado que podia ser mais rápido, a equipa aproveitou o toque de Carlos Sainz no australiano para fazer para Norris uma segunda vez, numa manobra que valeu a liderança. A partir daí e com ar limpo, Norris mostrou toda a sua velocidade. Quando a bandeira de xadrez caiu, tinha 15 segundos de vantagem, a 12.ª vitória da carreira e a confirmação de que, no Hungaroring, encontrou um dos carros mais competitivos da época.
Para Norris, a vitória não fica manchada pela sorte que rodeou o desfecho. Antes do abandono do companheiro de equipa, já a diferença de ritmo era, segundo ele, decisiva. Trata-se de mais um capítulo na narrativa de uma McLaren que regressa aos triunfos depois de um período conturbado, e de um piloto que assume estar a atravessar uma das melhores fases da carreira.
Norris deu a sua versão dos acontecimentos na primeira volta:
“Estou cansado! O que aconteceu? Não sei bem, para ser sincero. Fui perdendo a traseira. Tive três ou quatro grandes escorregadelas. Foi horrível e, claro, o Oscar fez um bom trabalho a passar-me. Acho que fui um pouco largo. Mas estava a forçar o ritmo omo um louco para tentar forçá-lo a um erro. O meu ritmo hoje foi provavelmente dos melhores que já tive. O carro estava muito bom de conduzir e senti-me muito confiante, por isso foi uma grande corrida. Consegui recuperar ao alongar os stints, o que certamente não era o que esperava, mas o ritmo era tão bom que podia sempre esticar os stints e ter pneus mais frescos do que qualquer outro na corrida. Estou feliz por estar de volta e por ver o número um outra vez.”
Sobre a possibilidade de manter este nível de desempenho, o piloto mostrou-se otimista:
“Quero acreditar que sim. Considerando como me senti bem hoje, quero mesmo acreditar que conseguimos continuar assim. Vão existir momentos em que vamos sofrer mais e outros em que talvez estejamos ainda melhores, mas sabemos que esta é uma boa pista para nós. É provavelmente uma das pistas que melhor me convém no ano. Isto talvez seja o melhor que pode parecer para já, mas continuo a acreditar que podemos ganhar mais corridas. Sabia que isto ia chegar e a equipa investiu imenso trabalho para voltar a ter um carro capaz de ganhar. É bom poder fazê-lo por eles.”
Sobre o que mais o satisfez na corrida Norris foi claro:
“O que me satisfez mais? Só o facto de sermos tão rápidos, o facto de o carro ter sido, claro, muito forte hoje. Fiquei muito feliz com várias coisas. Quero dizer, o carro continuava a ser horrível de conduzir por vezes, mas rápido, e prefiro um carro horrível, mas rápido do que qualquer outra coisa. O ritmo que tive durante toda a corrida, mesmo atrás do Oscar no início. Claro que não foi a minha melhor Curva 2, mas depois disso, vendo como estava o meu ritmo, fiquei convencido de que ainda podia ganhar a corrida. Claro que foi azar para ele, e uma pena, porque acho que podíamos ter feito uma dobradinha. Mas fora isso, foi só o meu ritmo. O meu ritmo para ficar tão perto dele durante tanto tempo. Estávamos simplesmente noutro nível hoje, e senti que tudo fluiu muito bem. Quando o carro está bom e eu estou bem, não há quem me pare.”
O piloto da McLaren foi ainda confrontado com as opções estratégicas da equipa que desagradaram Oscar Piastri. Norris não teve problemas em admitir que fez tudo para ganhar a corrida. Apesar de respeitar as regras internas, Norris fez tudo o que podia para chegar ao desfecho desejado:
“Só quero ganhar a corrida. Temos certas regras enquanto equipa e não podemos prejudicar a corrida um do outro por sermos excessivamente agressivos. Mas eu quero ganhar e, sem dúvida, tinha um ritmo muito melhor do que ele. Tínhamos muito mais hipóteses de ganhar a corrida, digamos assim. Então, quando fiquei preso atrás do Oscar, o Max estava três ou quatro segundos atrás, e, nessa altura, ele ainda era uma ameaça. À frente, não havia ameaça, e tínhamos muito mais garantias de que iríamos vencer como equipa, de qualquer forma. Por isso, queria fazer uma paragem nas boxes e antecipar a troca de pneus porque o meu ritmo teria sido tão bom que poderia ter-me afastado dele por toda a janela de paragens nas boxes, penso eu, e fazer outra paragem se fosse necessário. Ou levá-lo a fazer a paragem mais cedo. Acho que estávamos na linha ténue entre entrar nas boxes demasiado cedo e prejudicar as corridas de ambos. Por isso, foi apenas no melhor interesse da equipa. Eles têm todo o direito de me contestar. Mas quero fazer tudo o que puder para tentar ganhar uma corrida, claro”.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA








