Com a decisão tomada, agora é a vez dos departamentos de cada marca olharem para o futuro da Fórmula 1, e perceberem se faz sentido no seu contexto, sendo certo que está trilhado o caminho para mais grandes construtores a rumar à Fórmula 1, aumentando a presença das marcas no mundo dos Grandes Prémios.
Num momento em que diversas competições estão a chegar ao fim dos seus ciclos regulamentares – como é o caso do Campeonato do Mundo FIA de Endurance, o Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo, DTM, entre outros – são diversos os construtores que estão a rever os seus programas desportivos. No Grupo Volkswagen, outrora grande impulsionador do WEC, depois de a Audi ter abandonado a competição no final de 2016, a Porsche, que ingressou na categoria em 2014, parece estar determinada em seguir o mesmo caminho, sendo a decisão, que parece inevitável, tomada numa reunião que acontecerá no próximo dia 28 de julho, sexta-feira. Sem nada para provar no Campeonato do Mundo FIA de Endurance e com uma oposição reduzida, o construtor de Zuffenhausen perdeu o interesse na competição que está no seu ADN, olhando para a Fórmula 1 com interesse:
“Representantes de diversos construtores automóveis foram convidados pela FIA para participar numa reunião onde foi discutida a estratégia de motores da Fórmula 1. Incluíram construtores que não estão envolvidos ativamente na Fórmula 1, como é o caso da Porsche AG. No WEC, a Porsche desenvolveu uma reputação de inovar no campo da tecnologia híbrida que não se compara a mais nenhum construtor e este conhecimento é muito importante. Andreas Seidl foi o nosso representante”, afirmou
ao Autosport um responsável do construtor germânico, sublinhando a importância de a Fórmula 1 manter sistemas de recuperação de energia, como está previsto.
Mas no seio do gigantesco grupo alemão a Porsche não é a única interessada em regressar à Fórmula 1 – o construtor que nos deu o 911 competiu na categoria máxima como equipa nos anos sessenta e como fornecedor de motores nos anos oitenta e noventa – uma vez que também a Audi demonstra interesse em voltar aos seus primórdios – quando se chamava Auto Union – e regressar aos Grandes Prémios.
Depois de abandonar o WEC, a marca de Ingolstadt voltou-se para a Fórmula E, tentando limpar a imagem manchada pelo “dieselgate”, mas em 2021, após pelo menos quatro anos a “portar-se bem” em “campeonatos limpos”, regressar a uma competição de elevado perfil será já uma possibilidade, até porque a componente híbrida dos motores de Fórmula 1 enquadra-se com os interesses da marca.
O Grupo Volkswagen tem em cima da mesa dois projetos para entrar na categoria máxima do desporto automóvel, mas poderá até decidir-se por ambos. Os níveis de rendimento da Fórmula 1 podem ser extremamente elevados – a Mercedes em 2015 gastou 10% do seu orçamento de trezentos milhões de euros para ser Campeã do Mundo, tendo o restante do seu budget sido garantido através de patrocinadores, venda de unidades de potência e do dinheiro da FOM – ao contrário do WEC/Le Mans,
onde apenas os patrocinadores ajudam ao esforço das fábricas.
Se Porsche e Audi andaram a pagar principescamente para se confrontarem diretamente em pista, não será anormal que o Grupo Volkswagen deixe as suas marcas digladiarem-se no maior palco do deporto automóvel por quase nada. Os próximos meses poderão trazer anúncios importantes relativamente a programas de Fórmula 1, existindo uma dinâmica positiva criada pela entrada da Liberty Media na FOM que parece estar a seduzir mais construtores para a categoria máxima do desporto automóvel. De qualquer forma, dificilmente todos os que estiveram nas reuniões vão avançar, mas acredita-se que pode haver boas notícias para a Fórmula 1.









