Depois de tanto tempo sem pilotos italianos na Fórmula 1…

Por a 4 Abril 2017 21:11

Depois de cinco anos sem qualquer piloto italiano na Fórmula 1, um infortúnio de Pascal Wehrlein levou a que Antonio Giovinazzi fizesse história no GP da Austrália de Fórmula 1, ao tornar-se no primeiro piloto italiano a correr na disciplina, depois de Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi se terem despedido da F1 no GP do Brasil de 2011. E com o alemão da Sauber ainda a recuperar das suas mazelas na Corrida dos Campeões, Giovinazzi vai disputar o seu segundo Grande Prémios seguido. Será para ficar? Provavelmente não, mas que Wehrlein está a dar muitas ‘abébias’ disso ninguém duvida…

farinaMas vamos recordar a história dos pilotos italianos na F1. No primeiro Grande Prémi ode 2012 e pela primeira vez desde 1970, Grande Prémio do México e derradeira prova da temporada, a grelha de partida do Mundial de Fórmula 1 não contou com a presença de qualquer piloto italiano, algo difícil de compreender quando falamos da pátria da Ferrari, Alfa Romeo e Maserati. E, se para a generalidade dos observadores é impossível dissociar a expressão maior do desporto automóvel da marca do Cavallino Rampante, idêntico discurso não se aplica aos pilotos transalpinos, já que, com honrosas exceções que se perdem na bruma dos tempos, poucos foram aqueles que deixaram registo digno de nota, traço de inconfundível qualidade e mestria.

Os 115 pilotos italianos que até agora participaram no Campeonato Mundial de Fórmula 1 e que estiveram presentes à partida de 784 Grandes Prémios apenas averbaram 43 vitórias e conquistaram o título mundial por três vezes, montante exíguo para os representantes de um país que ‘respira’ competição motorizada. Mas se no início tudo apontava para que o verbo a conjugar seria ‘vincere’, com Nino Farina a triunfar no Mundial de 1950 ao volante do Alfa Romeo 159, seguindo-se os títulos de Alberto Ascari em 1952 e 53 (Ferrari 500), rapidamente constatou-se que os feitos destes dois grandes pilotos dificilmente seriam repetidos.

Atente-se que a primeira vitória de um italiano na Fórmula 1 coincidiu com a prova de estreia do Mundial e Nino Farina averbou no GP da Grã-Bretanha de 1950, o primeiro dos cinco triunfos que alcançou, enquanto que Ascari só despontava no ano seguinte, obtendo um conjunto de triunfos impressionantes em 1952 e 1953, 13 no total, ainda hoje o melhor registo de um piloto transalpino e mais do dobro do segundo classificado neste particular ranking, Riccardo Patrese. Só que Ascari triunfou 13 vezes em 32 Grandes Prémios disputados e Patrese necessitou de cumprir 256 para subir seis vezes ao degrau mais alto do pódio.

Depois de Farina e Ascari, iniciou-se a verdadeira travessia do deserto e com exceção de alguns ‘oásis’ competitivos os italianos na Fórmula 1 roçaram a fronteira da mediocridade, o que provocou ciclos terríveis e intermináveis em que não conseguiram triunfar: desde o GP da Itália de 1966 (Scarfiotti em Ferrari) até à Áustria 1975 (Vittorio Brambilla em March/Ford); deste último até ao GP do Mónaco de 1982 (Patrese em Brabham/Ford); do GP do Japão de 1992 (Patrese em Williams/Renault) até ao GP do Brasil de 2003 (Fisichella em Jordan/Ford). Muito pouco para quem, aparentemente, teria probabilidades de fazer bem melhor, mesmo não esquecendo o virtuosismo de pilotos como Michele Alboreto, Alessandro Nannini ou Jarno Truli, entre outros.

fisichellaMuitos se interrogarão quais as razões que levaram a este estado de coisas num país onde um dos axiomas é a competizione. Falta de programação e preparação de alicerces ao longo dos tempos para lançar novos pilotos, claro que sim, mas acima de tudo um gigante chamado Ferrari que, tal como o eucalipto tem a insanável característica de secar tudo à sua volta, congregando todos os esforços e corporizando todas as atenções. A necessidade de conquistar títulos, de fazer jus aos seus pergaminhos levou a Ferrari a sacrificar no altar da vitória qualquer solução que não permitisse a conquista imediata de resultados, mesmo que esse tipo de opção viesse a revelar-se incorreta. Em Maranello apostar em pilotos italianos nunca foi política prioritária e para isso também contribuiu, e muito, a pressão da comunicação social transalpina sempre pronta a exigir e muito pouco dada a condescender. Se acaso subsistissem dúvidas bastava, atentar ao que sucedeu em 2009, quando após o acidente no GP da Hungria, Felipe Massa foi substituído, primeiro por Luca Badoer e depois por Giancarlo Fisichella.

Não é necessário ser perito em consultas de opinião pública para constatar que qualquer tifosi digno do seu nome (e são muitos) prefere a vitória de um Ferrari, mesmo que tripulado por um apátrida, do que o triunfo de um piloto italiano em qualquer outro monolugar. A Itália, que entre muitas outras virtudes, apoiou a participação da primeira mulher na Fórmula 1, Maria Teresa de Filippis em 1958, necessita urgentemente de um piloto de Fórmula 1 com o carisma de Valentino Rossi no MotoGP, alguém que mesmo sem ter a capacidade de ofuscar o grande símbolo Ferrari possa, pelo menos, deixar no ar algumas interrogações pertinentes. Estamos certos que este acidente de percurso tem ‘mexido’ com os decisores italianos e, mas a verdade é que a situação há muito que tarda em regressar à normalidade, com os pilotos italianos a reocuparem o seu lugar na grelha de partida dos Grandes Prémios de Fórmula 1. Dificilmente deixará de ser Antonio Giovinazzi o próximo a tempo inteiro, mas ainda não deve ser para já. Ou será?

Alberto Ascari: O melhor de Itália

alberto ascariAlberto Ascari, nascido em Milão a 13 de julho de 1918 é, sem sombra de dúvida, o piloto italiano com melhor palmarés no Mundial de Fórmula 1. As suas 32 participações em Grandes Prémios saldaram-se por 13 triunfos, 14 pole positions, 12 voltas mais rápidas, pela conquista de dois títulos mundiais (1952 e 1953) e ainda hoje detém o recorde do maior número de vitórias consecutivas, nove, obtidas ao volante do Ferrari 500 em 1952.

Ascari iniciou-se em competição nas duas rodas e, pela primeira vez, tripulou um automóvel de competição nas Mille Miglia em 1940, tinha então 22 anos de idade. Após a II Guerra Mundial, Ascari ingressou na Maserati no final da década de 1940, mas rapidamente passou para a Ferrari. Após o domínio Alfa Romeo nos dois primeiros anos do Mundial de F1, o piloto italiano impôs o competitivo Ferrari 500 em 1952 e 1953 sagrando-se Campeão Mundial.

Após ter passado pela Lancia e pela Maserati sem registo de grandes sucessos e na altura em que apostava tudo no Lancia D50 para regressar às vitórias, Alberto Ascari morreu num acidente em Monza quando testava um Ferrari de sport, decorria o ano de 1955.

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3 comentários

  1. Iceman07

    4 Abril, 2017 at 22:23

    No primeiro Grande Prémi ode 2012 e pela primeira vez desde 1970, Grande Prémio do México e derradeira prova da temporada

    Grande Prémio do México em 2012? Acho que alguma coisa está mal.

    • Iceman07

      5 Abril, 2017 at 3:41

      Afinal verifiquei agora e a referência é ao GP do México de 1970, fui apanhado a dormir.

  2. rodríguezbrm

    4 Abril, 2017 at 23:56

    É também sinal do declínio económico de Itália, é ver a quantidade incrível de equipas e patrocinadores que tinham na F1 nos anos 80 ou 90.
    O Cesare Fiorio é insuportável, mas terá sido o único na Ferrari que apostou na “prata da casa” ao transformar a Minardi num junior team, incluindo fornecimento de motores, e era para apostar claramente nos pilotos nacionais como fez com a Lancia nos ralis e Endurance, o problema é que saiu (muito) de repente.
    Mas sendo o Marchionne canadiano, pode ser que acabe com esse preconceito.
    Faltam mais artigos destes no Autosport.

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