Se regressarmos a 2008, a decisão da Honda de sair da F1, era menos estratégica e mais urgente. Foi também talvez uma decisão mais fácil, porque o contexto era terrível. A crise do ‘sub-prime’ que rebentou nos EUA. Hoje, tal como nessa altura, as influências externas de repente tornaram a presença na Fórmula 1 dispensável, mostrando que para uma empresa global a F1 é apenas uma atividade menor. Seja como for, não é inteiramente uma surpresa. Já se tinha percebido que, quando a Honda em novembro passado, só prolongou o seu contrato por mais um ano, no meio de fortes rumores de uma divisão interna de opiniões sobre a viabilidade de continuar com a F1. Há, como se percebe, razões fortes que levaram a este desfecho. A Honda quer tornar-se dois terços elétrica até 2030 e neutra em carbono até 2050 e isso vai exigir um enorme investimento, tanto monetário como em termos de ‘engenharia cerebral’. De repente, a F1 deixou de ter justificação tecnológica ou de marketing. Veja o que se escreveu em 2008, e o pouco que se teve de mudar para agora:
“Uma decisão inesperada e alarmante, Honda abandona a Fórmula 1”. foi este o título, há 12 anos do artigo do AutoSport a dar conta do abandono da Honda. Na altura, foi o presidente da marca japonesa, Takeo Fukui, que fez o anúncio em Tóquio, face à atónita imprensa japonesa a visivelmente abatido: “Esta difícil decisão foi tomada à luz da rápida deterioração do ambiente em que trabalha a indústria automóvel, acelerada pelos problemas financeiros nos Estados Unidos, a crise do crédito e a súbita contração da economia mundial. A Honda tem de proteger a sua principal área de trabalho e garantir a sua segurança a longo prazo, pois as incertezas acerca do estado da economia mundial continuam a aumentar e a esperada recuperação ainda vai demorar a chegar. Nestas circunstâncias a Honda tomou medidas rápidas e flexíveis, para contrariar essa súbita e dispendiosa fraqueza do mercado em todas as suas áreas. No entanto, reconhecendo a necessidade de otimizar os nossos recursos, decidimos retirar-nos da Fórmula 1. Em consulta com a Honda Racing F1 Team e a Honda Racing Developments vamos decidir o futuro destas duas empresas e isso pode passar pela sua venda.”
Terminou assim, de forma abrupta e inesperada, um capítulo pouco enriquecedor da história da Honda na Fórmula 1, pois tirando a vitória de Jenson Button na Hungria em 2006 e mais alguns resultados interessantes no final daquela temporada, estes últimos três anos foram uma verdadeira desilusão para a marca nipónica, que se afundou na classificação em 2007 e 2008, com alguns resultados particularmente humilhantes.











