A temporada de 2025 trouxe uma vaga invulgar de novos talentos à grelha de Fórmula 1, com Andrea Kimi Antonelli (Mercedes), Oliver Bearman (Haas), Gabriel Bortoleto (Sauber), Isack Hadjar e Liam Lawson (Racing Bulls), além de Jack Doohan e Franco Colapinto (Alpine). Como é habitual, todos cometeram erros típicos de estreia, mas também houve muitos momentos de talento puro, revelando vários candidatos a lugares de topo no futuro próximo.
Kimi Antonelli na Mercedes
Kimi Antonelli terminou o ano com 150 pontos, um pódio em Montreal e um segundo lugar como melhor resultado, tendo ainda batido o recorde de piloto mais jovem a fazer uma pole na Fórmula 1, numa Sprint, em Miami. Substituir Lewis Hamilton trouxe enorme pressão e, após um arranque promissor e um pódio em Las Vegas, o jovem italiano viveu um período de quebras de forma e incidentes – dores decrescimento – incluindo toques com Verstappen na Áustria e Leclerc em Zandvoort.
Uma reunião de esclarecimento após Monza ajudou a recentrar o piloto, que terminou forte com exibições muito competitivas no Brasil e em Vegas, evidenciando potencial de topo. Para 2026, Antonelli precisa de maior consistência, pois tendo em conta a sua rapidez, os bons resultados vão aparecer, não pode é ter ‘apagões’ semelhantes aos que teve este ano.
Oliver Bearman relança carreira na Haas
Oliver Bearman somou 41 pontos e um quarto lugar no México como melhor resultado, onde bateu um McLaren candidato ao título em ritmo direto. Depois de uma primeira metade de época irregular e com apenas oito pontos contra 27 de Esteban Ocon, o britânico renasceu após a grande atualização da Haas em Austin, encontrando finalmente o equilíbrio que procurava no carro.
Seguiram‑se cinco Grandes Prémios consecutivos nos pontos, algo inédito na história da equipa, e Bearman terminou o ano a bater Ocon tanto em qualificação (14–10) como em pontos (41–38). A continuar assim, o seu futuro pode claramente passar pela Ferrari.
Gabriel Bortoleto dá passo sólido na Sauber
Gabriel Bortoleto, com 19 pontos e um sexto lugar em Budapeste como destaque, impressionou sobretudo em qualificação, empatando 12–12 no duelo interno com o experiente Nico Hülkenberg, apesar de nunca ter corrido em metade dos circuitos do calendário. A Sauber vinha de apenas quatro pontos em 2024, pelo que o brasileiro foi parte importante da transformação competitiva da estrutura de Hinwil.
A segunda metade da época foi mais acidentada, com toques na primeira volta e um grande acidente no Brasil, mas a expectativa é que a experiência acumulada em 2025 lhe permita atacar 2026 com maior controlo nos momentos decisivos.
Ano turbulento na Alpine: Doohan e Colapinto
Na Alpine, Jack Doohan e Franco Colapinto viveram uma temporada complicada, sem qualquer ponto e com melhores resultados de 13º (Doohan) e 11º (Colapinto). A equipa desviou cedo o foco para o carro de 2026, deixando o monolugar de 2025 longe da competitividade necessária, o que dificultou a avaliação dos rookies.
Doohan foi dispensado apenas dois meses após o início da época, pouco depois de superar Pierre Gasly pela primeira vez em Miami, enquanto Colapinto entrou sem testes de pré‑época e com um engenheiro de pista igualmente estreante. Apesar disso, o argentino ainda bateu Gasly em qualificação em cinco ocasiões, mas não conseguiu converter boas sessões em pontos nas corridas.
Isack Hadjar em destaque e promoção à Red Bull
Isack Hadjar foi um dos nomes fortes da época, com 51 pontos, um pódio em Zandvoort e dez corridas nos pontos ao serviço da Racing Bulls. Depois de um erro na volta de formação em Melbourne, respondeu com velocidade consistente, brilhou em Monte Carlo com um sexto lugar e terminou o ano como oitavo melhor piloto em média de qualificação, muito perto dos números de Lewis Hamilton.
A estreia no pódio nos Países Baixos, que o tornou o mais jovem francês a subir ao pódio, e o ritmo em Vegas e no Qatar (estragado por um furo tardio) convenceram a Red Bull a promovê‑lo já para 2026, onde será colega de Max Verstappen. Agora, só tem que continuar a melhorar em todas as frentes da sua pilotagem, sem se preocupar muito com o lugar mais exigente da grelha, ao lado de Max Verstappen.
Liam Lawson mostra resiliência na Racing Bulls
Liam Lawson acumulou 38 pontos e um quinto lugar em Baku como melhor resultado, num ano marcado por uma descida dolorosa da Red Bull para a equipa‑satélite ao fim de apenas duas corridas. O neozelandês demorou algumas provas a recuperar psicologicamente, mas voltou a exibir o forte ritmo de corrida que o lançara para a estrutura principal, especialmente depois da atualização de suspensão da Racing Bulls em junho.
Com o novo pacote, Lawson foi presença regular nos pontos, assinou um sexto lugar seguro na Áustria e uma exibição notável no Brasil, ao completar 52 voltas com pneus médios, resistindo aos perseguidores até à meta. Em 2026, terá de assumir pela primeira vez o papel de líder de equipa e impor‑se sobre um colega rookie.











