Soube-se hoje que a Renault comprou 90% da Lotus, num acordo que custou ‘apenas’ uma libra aos franceses. Uma libra, é como quem diz, pois o acordo pressupõe o pagamento da ‘tal’ libra, e de muitas mais, tantas quantas as dívidas da Lotus F1 Team. E essas não se sabem muito bem quanto custaram, ou ainda vão custar. Por exemplo, a recente presença num tribunal inglês, logo no primeiro ato público que os novos proprietários da equipa Lotus tiveram de cumprir, que passou por comparecer num tribunal em Londres, para evitar que a equipa fosse declarada insolvente, face a uma dívida de 2,7 milhões de libras ao fisco.
A Renault já tinha acompanhado a antiga gestão da Lotus nas duas últimas audiências relativas a este caso, dando garantias que o juiz considerou suficientes para não dar, de imediato, seguimento ao requerimento das autoridades fiscais britânicas, mas ficou claro que a audiência do dia sete de dezembro iria ser a última, caso a divida fiscal não fosse paga. Mas foi!
Essa era uma necessidade da Renault, completar a aquisição da equipa antes dessa data, pois os franceses puderam, assim, garantir em tribunal o pagamento dos impostos em atraso, ao mesmo tempo que deram garantias suficientes de que as restantes dívidas seriam pagas atempadamente. Ainda antes de ter sido completado o negócio de compra e venda da equipa a marca francesa já tinha pago mais de 12 milhões de Euros de dívidas – a fornecedores, organizadores de Grandes Prémios, empresas de transporte e antigos pilotos e funcionários – pelo que era evidente que não iria deixar cair o negócio no último momento.
O que ainda falta pagar irá ser saldado ao longo dos próximos meses, não sendo de excluir que os gauleses venham a ter algumas surpresas desagradáveis à medida que os credores irão chegando a Enstone, mesmo se há três meses têm um grupo de especialistas na área financeira a verificar toda a documentação existente na sede da equipa.
Resolvidos – ou em curso de o serem – que estão as questões ‘burocráticas’, 2016 ficará marcado por novo regresso da Renault como equipa oficial, depois dos franceses terem abandonado a F1 em 2009, depois do escândalo do ‘Crashgate’ de Singapura 2008, quando Nelson Piquet Jr. bateu de propósito para interromper a corrida. A Renault vendeu a equipa em 2009 para a empresa de Eric Lux, a Genii Capital. Até aqui a equipa foi Lotus, chegou a um nível elevado, especialmente em 2012 e 2013, quando venceu corridas com Kimi Räikkönen, mas as dívidas acumularam-se e foi necessário cortar custos, que logicamente se refletiram na competitividade. Agora, é novamente a vez da Renault…












