Regras 2019: Que mudanças na F1?
Paciência e resiliência são necessárias para ler quase duzentas páginas de regulamentos na procura das diferenças entre as regras de 2018 e 2019. Claro que todos já sabem os traços gerais das regras deste ano, mas há alterações que não lembram ao diabo. Das luvas biométricas ao aumento de combustível, até carros mais lentos que em 2018, temos de tudo nas novas regras da F1 para 2019 Os regulamentos – técnico e desportivo – da Fórmula 1 para 2019 revelam-se em dois documentos com quase duzentas páginas (111 para o técnico, 71 para o desportivo) e oferecem-nos a radiografia daquilo que será novo na Fórmula 1 deste ano. Algumas alterações são de mero pormenor, outras são mais profundas e algumas não lembram mesmo ao diabo. Mas a verdade é que são mais de quarenta os artigos com nova redação e como no AutoSport gostamos todos de ser minuciosos, vamos contar-lhe tudo depois de ter passado algumas horas a ler os regulamentos da F1.
Podemos resumir as novidades do regulamento para 2019 numa dúzia e meia de palavras: mudança na ideia de poupança de combustível, luvas biométricas, peso dos pilotos, asas dianteiras e entradas de ar nos travões. Mas a grande alteração reside na aerodinâmica, com os carros de Fórmula 1 a perderem cerca de um terço da força descendente quando estão a seguir uns atrás dos outros. Isto diz a FIA, claro.
CONTRARIAR AS IDEIAS DOS ENGENHEIROS
Para 2019 as asas dianteiras serão mais largas e mais recuadas, mas a grande novidade é a ausência das complicadas placas laterais, dos “turning vanes” (ou zonas de criação de turbilhão), enfim, muito menor complexidade. Também as entradas de ar para os travões e a asa traseira com um plano superior maior estão no menu. Qual o objetivo? Permitir que os carros andem mais perto uns dos outros. “Esperamos que estas regras diminuam em um terço o apoio aerodinâmico, reduzindo a performance pura do carro em cerca de 1.5 segundos. Não é fácil antecipar um valor exato pois não sabemos o nível de desenvolvimento que as equipas vão exibir, mas esperamos uma diminuição da performance dessa ordem de grandeza”, disse Nicolas Tombazis, o responsável técnico da FIA para os monolugares.
Sobre a possibilidade de aumentarem as possibilidades de ultrapassagem, Tombazis referiu: “Entendo que a probabilidade de termos melhorado nesse aspeto é muito elevada, porém, não quer isto dizer que tenhamos facilitado as ultrapassagens de forma muito sensível. A nossa ideia foi melhorar a competição, permitindo luta mais próxima, mas não estou à espera de ver carros lado a lado aos toques como sucede nos turismos”, disse, lembrando: “Se a FIA não tivesse feito nada, a evolução experimentada iria levar a cada vez maiores dificuldades em ultrapassar nos dois anos que faltam para fechar este ciclo de regras da Fórmula 1.” Segundo Nicolas Tombazis, “os homens da aerodinâmica têm um objetivo claro para os carros de hoje: afastar as rodas o mais possível para o exterior do carro por forma a não prejudicar o fluxo de ar para as asas dianteira e traseira. E quando o fluxo de ar fica cada vez mais livre, pior é
para o carro que vem atrás. Por isso é que digo que se não tivéssemos feito estas mudanças, os carros iriam ser cada vez mais velozes nos próximos dois anos, dificultando, ainda mais, as ultrapassagens.”
Claro está que resta saber se estas alterações, as mais evidentes para 2019, vão ou não funcionar. Sabe-se que Tombazis e Ross Brawn tudo fizeram para não deixar “buracos” na nova regulamentação. O engenheiro grego que passou pela Benetton, McLaren, Ferrari, além da Manor, antes de seguir para a FIA, lembra: “A criatividade não tem limites por isso tivemos de ser muito serenos e cuidadosos.”
Porém, a pergunta que devemos fazer é: mas afinal o que vai mudar com tudo isto? A resposta não é fácil e se percebemos que aumentando a largura da asa dianteira e diminuindo a sua complexidade são criados problemas de estabilidade, onde os pilotos vão sentir mais dificuldade? “Nas curvas de velocidade média”, acredita Nicolas Tombazis. Na explicação que deu sobre as novas regras no “Auto, International Journal of the FIA”, o grego voltou a lembrar: “A distância crítica está entre os 15 e os 20 metros, sendo essa a distância que esperamos ver entre carros à chegada a uma curva de média velocidade, com o carro que segue o líder a perder 10% da força descendente, ou seja, com maior possibilidade de se aproximar à saída da curva e potenciar a ultrapassagem.”
Ainda não começaram os testes de pré-temporada, mas as equipas já testaram algumas coisas após o GP da Hungria, em agosto do ano passado, e o resultado destas novas regras ameaça ser uma enorme dor de cabeça. Segundo homens como Paddy Lowe (Williams) ou Andrew Green (Racing Point), o regulamento está muito bem blindado. “É um regulamento muito restritivo” diz Lowe, “não há grandes vazios legais” refere Green, que acrescenta: “Terá de haver algum ‘buraco’ e teremos de investigar, mas a primeira análise deixa-nos de mãos mais ou menos atadas.” Ou seja, parece que a FIA terá acertado, em cheio, no regulamento de 2019, que não é mais que a aplicação de algumas partes de um pacote maior que estará em vigor a partir de 2020 e marcará a nova geração na Fórmula 1.
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