Num passado não muito longínquo, as apresentações da F1 eram sinónimo de festas grandiosas, de entusiasmo por vermos novas máquinas. Depois de meses sem F1, a euforia dos fãs começava a aumentar a cada apresentação. Este ano, o começo de uma nova era, as duas primeiras amostras foram um anticlímax, que não faz bem à F1.
Num mundo de orçamentos limitados e com uma nova era à porta, é normal que as equipas se foquem mais no trabalho de desenvolvimento dos carros, mas esta nova era merecia um arranque diferente. A Haas apresentou umas imagens do novo carro, com uma decoração ligeiramente modificada em relação ao ano passado, numa clara falta de arrojo. A Red Bull cumpriu os serviços mínimos e mostrou um carro que nunca irá para a pista, com a decoração habitual. Ambas as equipas optaram por soluções práticas e pouco entusiasmantes. É cedo para se definirem tendências mas, há equipas a não aproveitar esta oportunidade de começar de novo, para tentarem algo diferente, para rejuvenescerem a sua identidade. Mais que isso, as apresentações dos carros são agora apenas uma mostra de “novas” decorações, longe do espetáculo que a F1 produzia outrora. Claro que ainda há algumas equipas que, habitualmente, fazem questão de fazer uma apresentação vistosa, como o caso da Ferrari e da McLaren. Veremos se mantêm a tradição. No caso da Aston Martin espera-se uma decoração diferente e na Williams haverá um novo esquema de cores. Pelo menos duas equipas deverão aproveitar este novo arranque para tentar uma imagem nova.
Falamos muito do arranque desta nova era, os media tentaram ao máximo puxar pelo interesse dos fãs. Numa altura em que a F1 vem de um campeonato mítico, com novos fãs a interessarem-se pela modalidade, as equipas têm nesta época uma oportunidade de redefinirem a sua identidade e, mais que isso, mostrarem porque a F1 é conhecida como o Grande Circo. O que temos tido é um espetáculo sem tempero e, para piorar, a primeira semana de testes será feita quase à porta fechada. Depois de meses a falar de 2022 com o devido entusiasmo, temos um espetáculo algo sem cor e com uma porta semi aberta. Esperemos que as restantes apresentações e acima de tudo que as corridas compensem.










