A Mercedes mostrou sinais de preocupação em Sochi em relação à performance dos seus motores, o que levou Valtteri Bottas a ter de trocar novamente de motores, depois de ter colocado o quarto motor em Monza.
A questão das penalizações por troca de motores está a tornar-se no tema central na F1, uma vez que chegamos a um ponto da época em que as equipas começam a fazer contas e tentam encontrar soluções para o resto da temporada. A Mercedes, fabricante da unidade motriz que tem sido referência nesta era híbrida, mostrou preocupação quanto à performance do seu motor em Sochi, o que levou Bottas a ter de trocar novamente de motor.
Para muitos tratou-se apenas de uma jogada estratégica, colocando Bottas nas imediações de Max Verstappen para atrapalhar o progresso do piloto da Red Bull na corrida, algo que não se verificou, pois o #33 passou por Bottas como faca quente em manteiga. Mas Toto Wolff revelou reais preocupações com os motores:
“Neste momento estamos a reavaliar o desempenho das unidades motrizes porque temos dúvidas e, portanto, ainda não decidimos que motores vamos voltar a usar”, disse Wolff, segundo a The Race.
O responsável negou que estejam a acumular motores para usar no futuro e assim evitar mais penalizações e que a performance dos motores está a ser avaliada corrida a corrida, para depois serem tomadas decisões.
“É preciso ter o equilíbrio certo entre ter a certeza de que realmente resolvemos todos os problemas na unidade motriz não só para este ano, mas também para a do próximo ano. Estamos numa fase de avaliação de como continuar a época em termos de unidades motriz”.
Ou seja, parece que a Mercedes está mesmo preocupada com a performance da sua unidade motriz. Para além das mudanças de motor para Bottas, a Williams teve de substituir o motor de Nicholas Latifi na Rússia devido a uma fuga no sistema hidráulico – um problema que afetou George Russell no início deste ano na Áustria. Soube-se há pouco dias também que a Mercedes está a tentar levar a sua unidade motriz ao limite para extrair o máximo de potência e ganhar vantagem sobre a Honda e estas trocas poderão ser um teste para garantir que em caso da mais que provável troca de motor para Hamilton, que passou a usar o terceiro motor em Spa, haja garantia qualidade e performance, até com uns pózinhos a mais.
A jogada em Sochi pode ter sido um misto de necessidade de verificar certos parâmetros, já a pensar no futuro, mas ao mesmo tempo arranjar um obstáculo para fazer Verstappen tropeçar. Não parece que seja um problema fundamental de fiabilidade pois nesse contexto veríamos outras medidas por parte da Mercedes, mas certamente que a fiabilidade terá de ser tida em conta nesta equação. Assim, talvez a Mercedes esteja mesmo a avaliar a fundo a sua unidade motriz, o que faz mais sentido, pois despromover Bottas apenas para atrapalhar Verstappen parece uma estratégia com pouco interesse para quem quer conquistar o título de construtores. No entanto não pode ser descartada e a imagem nas redes sociais de Valtteri Bottas (mostrando um monte de motores atrás de si), que pode ser apenas uma forma bem disposta de ver uma nova troca, ou uma forma irónica de mostrar algum desconforto pela decisão. Só o finlandês sabe o significado da publicação, mas se por um lado a lógica afasta a ideia de pura jogada estratégica, olhando para esta época, esse cenário não pode ser descartado também .











