A qualificação em Las Vegas tornou‑se especialmente delicada e imprevisível devido a uma combinação rara de traçado, condições meteorológicas e características de circuito urbano aberto diariamente ao trânsito. O resultado foi um cenário em que manter os pneus na janela de temperatura ideal era excecionalmente difícil, aumentando o risco de erros e tornando cada volta limite numa verdadeira montanha‑russa.
O traçado de Las Vegas combina várias curvas lentas em ângulo quase reto com longas retas, incluindo o troço extenso ao longo do Strip. Entre curvas há frequentemente 15 a 20 segundos em linha praticamente reta, o que gera poucas cargas laterais e dificulta o aquecimento dos pneus; com temperaturas ambiente baixas e asfalto muito liso, torna‑se complicado não só levar a borracha à temperatura, como mantê‑la. É por isso que mesmo em piso seco, a aderência é sempre alvo de críticas. As temperaturas baixas e as características da pista impedem as borrachas de atingirem a temperatura ideal. Em piso molhado esse problema é exacerbado.
O facto de grande parte do circuito reabrir ao trânsito todos os dias agrava o problema: milhares de carros de estrada deixam óleo e sujidade no asfalto, “reiniciando” a evolução de pista típica de um urbano e criando zonas particularmente escorregadias, que em piso molhado se transformam em autênticas armadilhas.

Equipas na margem da legalidade
Como este é um dos grandes problemas deste traçado, as equipas tentam encontrar soluções e, algumas vezes, vão para lá do que é permitido. As equipas de Fórmula 1 foram alvo de um aviso firme da FIA quanto ao aquecimento dos pneus, depois de terem sido detetados casos de borrachas acima do limite legal na última sessão de treinos livres.
O regulamento atual limita o aquecimento dos pneus slick a 70 °C durante um máximo de duas horas antes da sessão em que vão ser utilizados, sendo o cumprimento verificado pela FIA através da medição direta da banda de rolamento com uma pistola térmica. No TL3 em que as equipas passaram para pneus slick, foram identificadas duas formações com pneus acima desse limite, o que ativou imediatamente os procedimentos de alerta. Notificadas pela FIA, essas equipas foram informadas de que a utilização dos pneus naquele estado configuraria violação regulamentar, ficando obrigadas a deixá‑los arrefecer abaixo dos 70 ºC ou a trocá‑los por outro jogo para evitar um relatório aos comissários.

Embora a identidade das equipas não tenha sido revelada, o facto de terem sido registadas “múltiplas infrações” na mesma sessão levou a FIA a endurecer a vigilância para o resto do fim de semana e a considerar que valores tão acima do limite dificilmente são acidentais. A federação recordou que rodar em pista numa sessão competitiva com pneus acima dos 70 ºC pode resultar em participação aos comissários e em penalizações graves, até à desclassificação por irregularidade técnica.
Las Vegas pode ser a cidade do pecado, mas revela-se bastante “fria” no que diz respeito à F1.
Fotos: Philippe Nanchino /MPSA









