Interlagos, palco de mais uma grande corrida de F1. O calor do povo brasileiro ajuda a aquecer ainda mais a pista e esta tarde, tivemos tudo a que tínhamos direito. E se este fim de semana era de estreias, a corrida de hoje seguiu a tendência e George Russell entrou na lista dos pilotos vencedores da F1. O 113º piloto a conseguir esse feito.
A prestação de Russell foi perfeita. Largada muito boa, manteve-se longe dos problemas e nos recomeços após safety car nunca acusou a pressão. Aliás, a calma com que foi falando durante a corrida foi impressionante. Não mostrava sinais de impaciência, com mensagens curtas e claras para o seu engenheiro. Geriu a corrida de forma perfeita e executou impecavelmente uma muito bem gizada estratégia da Mercedes. Mereceu inteiramente a vitória hoje, tal como mereceu ontem na corrida sprint. Foi preciso esperar 80 corridas, mas a vitória finalmente veio e mostrou fibra de campeão. Lewis Hamilton ficou-se pelo segundo lugar. Hamilton não evitou o toque no recomeço após safety car com Max Verstappen e caiu na classificação, mas os danos não foram severos e, por isso, conseguiu uma bela recuperação. Esteve na luta pela vitória, numa corrida em que a Mercedes foi superior em todos os capítulos, mas Russell estava no lugar certo e conquistou o primeiro triunfo.
Carlos Sainz conquistou um pódio, em mais uma boa exibição, à imagem do que fez na corrida Sprint. Aguerrido, com bom ritmo, especialmente com os macios, Sainz conseguiu recuperar da penalização por troca de motor e conquistou um belo pódio. Foi o melhor piloto da Scuderia este fim de semana, enquanto Charles Leclerc mostrou uma faceta pouco conhecida e que evidencia um claro descontentamento. Os erros da equipa na qualificação deixaram o piloto agastado, na corrida sprint parecia algo resignado e hoje demorou a recuperar, mas chegou ao top 5 e pediu uma troca absurda. Tirar Sainz do pódio hoje seria uma injustiça que faria mal à equipa e aos dois pilotos. O pedido não fazia sentido e mostra algum desnorte. Leclerc precisa de férias rapidamente (e de uma equipa capaz).
Fernando Alonso fez uma corrida “à la Fernando”. Foi dos primeiros a parar, o que parecia um mau prenúncio, mas conseguiu recuperar e chegar aos lugares da frente, em mais uma exibição com a classe de Fernando.
Se a época correu às mil maravilhas para a Red Bull, a corrida do Brasil voltou a não ser a melhor para a equipa. Além de um ritmo abaixo do esperado e de um resultado cinzento, a equipa tem agora de lidar com uma nova polémica. A equipa pediu a Max para deixar passar Pérez, para ajudar nas contas do campeonato. Verstappen disse que não afirmando “já expliquei a minha posição anteriormente”. Verstappen ficou com o sexto lugar, Pérez com o sétimo e com azia, afirmando no rádio “isto mostra o que ele realmente é”, afirmando depois aos media “se ele é duas vezes campeão também é graças a mim”, relembrando as vezes em que jogou para a equipa. Diz-se que este caso remonta ao GP do Mónaco em que Pérez terá batido propositadamente na qualificação, impedindo a pole de Verstappen. Um caso que vai dar agora que falar e que pode estragar a harmonia na equipa.
Esteban Ocon terminou em oitavo e a Alpine conseguiu uma excelente operação, com o duplo abandono da McLaren (péssimo fim de semana) a ajudar sobremaneira as contas do campeonato. Valtteri Bottas conseguiu um excelente nono lugar (em forma todo o fim de semana) e Lance Stroll foi 10º, compensando pela borrada na corrida Sprint, que ia atirando Sebastian Vettel para fora de pista. A Alpha Tauri e a Haas tiveram tardes fracas (o abandono de Magnussen custou caro à Haas) e a Williams arrastou em pista, sem ritmo para mais.












