A estreia da parceria oficial entre Aston Martin e Honda em 2026 está longe do cenário idealizado por Lawrence Stroll para uma “super equipa em cinco anos”. Problemas severos de vibrações da nova unidade motriz e da sua integração no AMR26 estão a limitar andamento, fiabilidade e quilometragem, ao ponto de condicionarem a saúde dos pilotos e deixarem a equipa com falta de componentes para completar um fim de semana normal.
Depois de um desenvolvimento já atrasado, a Aston Martin encontrou em pista um problema estrutural: vibrações intensas geradas pelo conjunto Honda e pela forma como este foi instalado no chassis, capazes de danificar módulos de bateria e de obrigar a gerir o número de voltas de Fernando Alonso e Lance Stroll.
Adrian Newey revelou que a equipa avaliou mesmo o risco de “dano nervoso permanente” nas mãos dos pilotos, apontando limites teóricos de 25 voltas consecutivas para Alonso e 15 para Stroll. O britânico descreveu o domingo em Melbourne como “sobretudo uma oportunidade para aprender mais sobre o AMR26”, assumindo que, perante o quadro atual, lutar por pontos deixou de ser prioridade.
Corrida usada como teste em Melbourne
Na prova australiana, Alonso protagonizou um dos melhores arranques da grelha, subindo de 17º a 10º nas duas primeiras voltas em pneus macios, mas reconheceu que esse foi “a parte mais agradável da corrida”, antes de o carro “regressar à posição natural” e surgir um problema de dados que obrigou a uma primeira paragem prolongada. O espanhol voltou à pista por algumas voltas, até ser novamente chamado às boxes para abandono definitivo, decisão que Newey justificou com a necessidade de “preservar componentes” e maximizar a recolha de dados.
Stroll, quase sem rodagem ao longo do fim de semana, classificou o Grande Prémio como “uma sessão de aprendizagem”, explicando que a equipa optou por parar o carro várias voltas na garagem para verificações antes de regressar à pista, terminando 15 voltas atrás e não classificado. O canadiano admitiu que “falta bastante” em performance e fiabilidade, mas acredita que a quilometragem obtida “dá mais direção” para a ronda seguinte na China.
Relação política sob observação
As dificuldades técnicas da Honda – depois de retirada, regresso e reestruturação interna – somam‑se a falhas da Aston Martin na integração do conjunto, criando um início de parceria marcado por tensão pública. As críticas de Newey ao fornecedor japonês já levaram analistas a alertar para o risco de repetir o desgaste visto no antigo projeto McLaren–Honda, obrigando ambas as partes a gerir não só uma crise técnica, mas também de percepção. Resumindo, é o pior começo que se podia imaginar nesta nova ligação da Aston Martin à Honda.
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