A Aston Martin enfrenta um início de temporada particularmente complicado. No Grande Prémio da Austrália, a equipa revelou estar confrontada com uma grave escassez de baterias para a unidade motriz fornecida pela Honda, depois de vários problemas técnicos terem comprometido a fiabilidade do sistema híbrido.
As dificuldades da equipa britânica têm origem em vibrações excessivas produzidas pela unidade Honda, que estão a provocar falhas recorrentes nas baterias, além de afetarem fisicamente os pilotos. O problema já tinha condicionado o programa de testes de pré-temporada no Bahrein e voltou a limitar a atividade em pista durante o primeiro treino livre em Melbourne.
No circuito de Albert Park, Lance Stroll completou apenas três voltas, enquanto Fernando Alonso nem sequer chegou a sair das boxes. A situação agravou-se após a equipa detetar um novo problema relacionado com a comunicação entre a bateria e o respetivo sistema de gestão.
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Perante estas limitações, a Aston Martin está a tentar gerir cuidadosamente os recursos disponíveis, sobretudo porque dispõe apenas de duas baterias operacionais — as que estão atualmente instaladas nos dois monolugares. A perda de qualquer uma destas unidades poderia comprometer seriamente o resto do fim de semana.
A escassez de tempo em pista está também a dificultar a recolha de dados sobre o comportamento do carro, particularmente em condições de baixo combustível. A Honda impôs restrições adicionais a esse tipo de utilização, uma vez que o combustível ajuda a reduzir as vibrações que afetam o sistema da bateria.
Apesar das dificuldades, a equipa mantém contacto permanente com a Honda para tentar encontrar uma solução ao longo da temporada, reconhecendo que o desempenho do monolugar depende da integração entre chassis e unidade de potência.
O que disse Adrian Newey
O responsável da equipa Aston Martin, Adrian Newey, explicou à imprensa a complexidade da situação e os desafios que a equipa enfrenta neste início de campeonato.
“Temos um novo problema relacionado com a comunicação interna entre a bateria e o seu sistema de gestão. Mas o problema mais profundo continua a ser as vibrações que estamos a ter dificuldades em resolver”, afirmou Adrian Newey.
O responsável acrescentou ainda que a equipa testou uma solução alternativa no monolugar de Lance Stroll, mas que os engenheiros continuam a analisar os dados para perceber se houve melhorias antes do segundo treino livre.
“Testámos hoje uma solução diferente no carro do Lance. Neste momento está a ser feita uma análise para perceber se ajudou ou não e, dependendo dessa análise, vamos decidir o que fazer no segundo treino livre”, explicou.
Newey admitiu também que a gestão das baterias se tornou uma prioridade crítica para a equipa.
“Realisticamente, neste momento estamos apenas a tentar gerir o problema. Temos poucas baterias. Só temos duas, as que estão nos carros. Se perdermos uma delas, então teremos obviamente um grande problema. Por isso temos de ter muito cuidado na forma como as utilizamos”, disse.
A limitação de voltas em pista está igualmente a comprometer a compreensão do comportamento do monolugar.
“Sinto-me um pouco impotente, porque temos claramente um problema muito significativo na unidade motriz e a falta de tempo em pista significa também que não estamos a descobrir muito sobre o carro”, afirmou Newey.
“A nossa informação sobre o carro é muito limitada porque fizemos muito poucas voltas, especialmente com pouco combustível. O combustível atua como um amortecedor para a bateria, por isso a Honda limitou bastante o tempo que podemos rodar nessas condições. Isto acaba por criar um ciclo difícil de quebrar”, acrescentou.
Apesar das dificuldades, o objetivo continua a ser colocar ambos os carros na grelha de partida, embora o cenário seja incerto.
“Tendo em conta a taxa de danos nas baterias, é uma situação bastante assustadora. Esperamos conseguir ultrapassar o fim de semana e colocar os dois carros na grelha, mas neste momento é muito difícil garantir isso com certeza”, concluiu Adrian Newey.











