Ia ser a obra prima de Max Verstappen. Uma volta no limite, misturando talento e coragem. A última volta da qualificação do GP da Arábia Saudita de Verstappen estava a ser um hino à F1, mas um erro deitou tudo a perder. Será este o momento que vai definir o ano?
A Red Bull conseguiu sobrepor-se ao favoritismo da Mercedes e encontrou uma afinação capaz de fazer frente aos Flechas de Prata. O ritmo das duas equipas era equivalente e sobrava o talento das duas estrelas para fazer a diferença. A sessão de qualificação de Lewis Hamilton estava a ser difícil, com o seu carro a não dar a aderência que pretendia e Verstappen estava no seu elemento. Comprometido, foi dos primeiros a começar a atacar a fundo esta nova pista e na qualificação, sabia que tinha de dar tudo por tudo para chegar à desejada pole. A primeira volta do neerlandês na Q3 não foi má, mas não chegava e era preciso mais. Verstappen atacou a última volta como mais ninguém faria, começou o primeiro setor com um susto, tirando tinta à publicidade das proteções das primeiras curvas, mas conseguiu ganhar 0.1 seg. a Hamilton. No segundo setor, feito a um ritmo alucinante, conseguiu tirar quase 0.3 seg ao tempo do #44. Faltava só o último setor, que foi feito na mesma toada. Parecia que a volta do ano estava encontrada, mas uma travagem um tudo nada tardia, bloqueou ligeiramente os pneus. Verstappen ainda conseguiu virar o carro para a curva mas foi largo demais e bateu contra as proteções.
Foi uma pena ver uma volta tão bela ficar arruinada assim, mas neste ano tão renhido, todos os pormenores contam. Verstappen foi com o coração, arriscou e agora está sujeito a ficar a perder, pois se os danos no seu carro exigirem troca de peças poderá ser penalizado.
No fim da qualificação Verstappen tentou disfarçar a sua tristeza com a sua habitual frieza:
“É terrível o que aconteceu. Mas no geral foi uma boa qualificação, foi difícil colocar os pneus na janela certa neste circuito citadino, mas sabia que tínhamos ritmo e isso notou-se. Não sei o que aconteceu, bloqueei as rodas e tentei manter o carro em pista e terminar a volta, mas toquei com a traseira nas proteções e parei. É desapontante, sabendo a volta que estava a fazer, mas apesar disso mostra que o carro está rápido e vamos ver o que podemos fazer amanhã. Não sei que danos temos, parei o carro imediatamente por isso vamos ver.”
Se Verstappen tivesse conseguido a pole, teria sido um golpe tremendo no ego da Mercedes, pelo favoritismo teórico e pela forma como esta volta seria “servida”. Mas assim é um golpe na Red Bull e na confiança de Verstappen, naquele que foi talvez o seu primeiro erro não forçado do ano. Num pequeno instante tudo se perde e esta volta, que poderia ter ficado na história pelos melhores motivos, poderá ficar na história pelos piores motivos. Como Verstappen e a Red Bull irão recuperar? Estará a Mercedes mais próxima do título? Este campeonato continua a dar-nos cada vez mais motivos para ficarmos agarrados ao ecrã.










