GP Arábia Saudita de F1: Os casos da polémica

Por a 6 Dezembro 2021 18:19

O GP da Arábia Saudita ficou marcado por diversas situações polémicas que assombraram o fim-de-semana e que poderão ainda fazer correr muita tinta, numa altura em que os títulos estão por decidir.

Até à 8ª, quando Mick Schumacher se despistou na curva 22, precipitando o aparecimento do Safety-Car e, depois, de bandeiras vermelhas, tudo corria de forma normal, com os dois Mercedes e Max Verstappen a lutar pelos lugares do pódio. Mas a interrupção da prova acabou por criar um cenário em que as polémicas se foram sucedendo.

A defesa do comando no segundo arranque

Ao ficar em pista, ao contrário dos Mercedes, que pararam quando o Safety-Car saiu das boxes, Verstappen ficou no comando da corrida já com pneus novos, aproveitando as bandeiras vermelhas. Caso mantivesse a liderança no arranque, o holandês ficaria numa posição privilegiada para vencer. Contudo, o piloto da Red Bull partiu mal, ficando Hamilton com uma vantagem inicial considerável, ainda que por fora.

Como é habitual em Verstappen, este não se deu como vencido e deixou a travagem para tão tarde que teve de recorrer à escapatória para continuar e, quando regressou à pista, fê-lo à frente do seu rival, mantendo a liderança e permitindo que Esteban Ocon passasse para a frente do inglês.

A corrida seria interrompida de imediato, devido a um incidente protagonizado entre Sérgio Pérez e Charles Leclerc, que despoletou outro entre George Russell e Nikita Mazepin, levando a nova situação de bandeiras vermelhas.

Durante a interrupção, Michael Masi sugeriu que a Red Bull colocasse Verstappen atrás de Hamilton, o que o punha no terceiro lugar, por ter ganho vantagem fora de pista, com Ocon no comando. A Red Bulls acedeu à sugestão, mas Verstappen recuperava o comando no terceiro arranque com uma manobra arrojada, mas perfeitamente legal.

Defesa ao ataque de Hamilton

Verstappen seguia no comando, mas Hamilton, com pneus duros contra médios do seu rival, era uma verdadeira ameaça à liderança do seu adversário. No início da 36ª volta, por fora, o inglês lançou um ataque ao primeiro lugar na travagem para a primeira curva, ficando claramente à frente. Contudo, uma vez mais, o holandês deixou a travagem para muito, demasiado, tarde, perdendo a traseira do seu carro, o que obrigou a ir para a escapatória, levando consigo Hamilton, que o fez para evitar um toque entre os dois.

Verstappen mantinha o comando, mas pouco depois era obrigado a ceder a liderança ao piloto da Mercedes, o que despoletou outro incidente. Ainda durante a corrida, o holandês recebia uma penalização de cinco segundos.

O toque entre os dois

Logo depois de se ter defendido fora da pista, Verstappen foi instruído a ceder o seu lugar a Hamilton, tendo o holandês levantado o pé, chegado-se à direita para que o seu perseguidor assumisse o comando na aproximação à última curva. O local não era inocente, uma vez que isso permitia que o piloto da Red Bull passasse a menos de um segundo do seu adversário da Mercedes, o que lhe dava direito ao uso do DRS na reta da meta.

Verstappen reduziu de 8ª para 3ª velocidade, mas Hamilton não quis receber a oferta, reduzindo de 8ª para 4ª, e quando o holandês abrandou ainda mais, bateu na traseira do carro de Milton Keynes. Ambos continuaram, ainda que com danos. O holandês acabaria penalizado já depois da corrida em 10 segundos.

A nossa visão

Nos dois primeiros episódios, Verstappen é claramente o culpado e é justo que tivesse sido obrigado a ceder uma posição a Hamilton, dado que manteve o comando apenas por recorreu à escapatória, o que é ilegal.

No entanto, o problema com as decisões e/ou sugestões verificadas em Jeddah são a sua inconsistência com a decisão, ou ausência dela, de Interlagos.

Na corrida brasileira, o holandês, quando atacado por fora pelo inglês, escolheu não travar para a curva Descida do Sol, passando pela escapatória e obrigando o seu rival a fazer o mesmo, o que lhe permitiu manter o comando.

Então, a manobra de Verstappen não foi castigada, na Arábia Saudita, em situações semelhantes, podemos até argumentar que em Jeddah a defesa do holandês foi muito mais decidida no calor do momento, ao passo que a do Brasil parece ter sido muito mais clínica e pensada.

Não se compreende, portanto, o porquê de existirem decisões tão díspares da parte dos Comissários Desportivos, dos quais fazia parte Vitantonio Liuzzi em ambos os GP, criando confusão entre os pilotos e situações polémicas, como as que aconteceram em Interlagos e em Jeddah.

No incidente em que ambos protagonizaram na 37ª volta, com o toque entre os dois, os Comissários apontaram o holandês como culpado, por ter travado (desaceleração de 2,4G) tendo sido penalizado com 10 segundos.

No entanto, também Hamilton contribuiu para o incidente, uma vez que não quis assumir o comando, para não passar no DRS com Verstappen no seu encalço, e manteve-se sempre atrás do Red Bull, quando tinha a pista do lado esquerdo completamente livre. Apontar o holandês como o único culpado do incidente parece excessivo, quando o inglês também poderia ter evitado o contacto.

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