Fórmula 1 tem que esclarecer a questão da aliança Red Bull/Visa Cash App RB

Por a 25 Janeiro 2024 18:03

A Fórmula 1 tem de ter um novo Acordo da Concórdia definido e ratificado, substituindo o atual que dura até ao final de 2025, para entrar em vigor nessa altura, mas a relação questionável e mais próxima entre as duas equipas do grupo Red Bull, a própria e a Visa Cash App RB – como passou a ser designada oficialmente desde 24 de janeiro -, tem de ser esclarecida

A aliança entre as duas equipas envolve, na questão da discussão do novo Acorda da Concórdia, os prémios distribuídos pela competição, limite orçamental ou os pagamentos dos direitos televisivos, etc., além de alimentar a especulação sobre a cedência de direitos de propriedade intelectual entre as duas partes, o que alimenta a especulação e cria algum alarme nas equipas adversárias. Uma destas equipas tem vindo a dominar a Fórmula 1 nos últimos dois anos, a outra, que lutava entre o meio do pelotão, teve uma queda acentuada nas temporadas passadas, mas teve um forte aumento de desempenho nas últimas rondas de 2023, levantando ainda mais ruído sobre esta questão. 

Zak Brown, diretor executivo da McLaren, já afirmou que mais importante do que ter em atenção ao que faz a Red Bull, é preciso manter a vigilância à Visa Cash App RB. “São duas equipas com propriedade comum, o que não acontece noutros desportos”, continuou Brown. “Poderia beneficiar a Red Bull de muitas maneiras diferentes. Há uma razão para estarem a transferir muitos dos seus funcionários de Itália. Como Helmut [Marko] disse, vão fazer absolutamente tudo o que puderem para beneficiar da existência de duas equipas. Percebo isso, porque é o que dizem as regras, mas penso que temos de analisar, na liderança da competição, a questão das alianças técnicas”, afirmou o responsável da equipa de estrutura de Woking. 

Não é um caso novo. Todos nos lembramos do que aconteceu com o caso da Racing Point e a perda de pontos na classificação, além da multa por parte da FIA. No entanto, também nos recordamos que a penalização não foi tão severa quanto poderia e deveria ter sido. 

Existem rumores que outros responsáveis das equipas questionam a relação mais estreita entre as duas equipas, como fizeram, por exemplo, entre a Haas e a Ferrari. No entanto, o diretor técnico da Mercedes, James Allison, acredita que as regras já são suficientemente apertadas para impedir que as duas equipas partilhem demasiadas informações. 

Quando em maio passado, Greg Maffei, diretor executivo da Liberty Media, apelou às equipas para assinarem o novo Acordo da Concórdia naquele momento, ao invés de esperar que o atual termine em 2025, porque a disciplina atravessava um período de crescimento e expansão, Toto Wolff e Christian Horner, não estavam 100% alinhados com o ponto de vista do responsável da entidade que detém os direitos comerciais da competição, defendendo ambos que a discussão deveria ocorrer “atrás de portas fechadas”, estando numa fase mais séria na negociação.

Esta negociação pode ter agora uma disputa mais intensa entre as equipas que estão preocupadas com esta união e a cúpula das estruturas da Red Bull, com Horner e Peter Bayer à cabeça.

Há quem acredite que a existência da Visa Cash App RB pode estar ou sair ameaçada com a discussão do novo Acordo da Concórdia, podendo servir de arma de arremesso na luta política entre as partes. Publicamente, como referimos, pede-se um controlo apertado, mas o tema deverá ser ainda mais falado durante os próximos meses. 

Será interessante ver como o resto da grelha se posiciona em relação a esta questão e como a relação entre Haas e Ferrari pode vir a sofrer, ou não, em resultado disso.

Foto: Rudy Carezzevoli/Getty Images/Red Bull Content Pool

2 comentários

  1. Leandro Marques

    25 Janeiro, 2024 at 19:47

    Acaba por ser a mesma situação da haas e da Ferrari, como indica o texto,, pese estas terem proprietários diferentes. Mas no conteúdo e aproveitamento será igual. Tem de ser visto, sem dúvida. E se nas atuais regras já está clarificado a diferença como diz Alison tanto melhor e será só o marketeer da mclaren a fazer marketing. Se é este que está certo e o DT da ex bar errado convém clarificar e melhorar as regras.
    Mas estas duas situações nada tem que ver com a da racing point de há uns anos. A ex force Índia foi penalizada nao pela relação estreita mas por ter usado componentes que não poderia usar, por serem peças listadas do ano anterior, usadas pela ex brawn e protegidas por propriedade industrial. Não será o caso da haas/ferrari e Red Bull / Racing Bulls que jogam nos limites das regras sem os ultrapassar ao que parece. Se esses limites estão bem vistos e adequados é o que urge verificar e ajustar se necessário a bem da competição saudável.

  2. Pity

    25 Janeiro, 2024 at 22:02

    Ouvi agora uma muito boa sobre a 2ª equipa da Red Bull: “quando baterem, vão chamar-lhe visa crash app?” Fartei-me de rir, mas a verdade é que o nome presta-se a trocadilhos

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