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Fórmula 1: O pesadelo da Ferrari

José Luis Abreu by José Luis Abreu
2 Setembro, 2020
in Autosport Exclusivo, Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1
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Fórmula 1: O pesadelo da Ferrari

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Era esperado um Grande Prémio da Bélgica difícil para a Ferrari, dadas as características e debilidades do SF1000, mas a “Scuderia” viveu um dos seus piores pesadelos em Spa-Francorchamps. Analisámos o que se passou e se será possível uma repetição já em Monza.

Há um ano a equipa de Maranello conquistava a sua primeira vitória da temporada, através de Charles Leclerc, depois de ter monopolizado a primeira linha da grelha de partida – o SF90 era a máquina mais competitiva na dantesca pista traçada nas profundezas da floresta das Ardenas.
A superior potência do V6 turbohíbrido transalpino aliado à aerodinâmica com pouco arrasto não dava qualquer possibilidade aos seus adversários.
Um ano volvido e o SF1000 teve dificuldades em sair da Q1, tendo o piloto que vencera a etapa belga de 2019 ascendido à Q2 por apenas 0,087s.
No espaço de doze meses, a Ferrari perdeu 0,477s, ao passo que a Mercedes ganhou 2,030s de performance ao longo dos 7,004 quilómetros de perímetro de Spa-Francorchamps. A Williams ganhou uns massivos 4,080s, mas no caso da formação britânica era expectável dadas as profundas dificuldades pelas quais passou o ano passado.


Levando a situação pela qual a “Scuderia” passa presentemente ao nível das unidades de potência, em que as directivas técnicas emanadas pela FIA no Inverno subtraíram uma quantidade enorme de cavalos aos V6 turbohíbridos de Maranello, rapidamente os dedos apontaram o bloco transalpino como o causador da debacle da Ferrari.
No entanto, se olharmos para as equipas que recebem unidades de potência de Maranello verificamos um cenário que nos obriga a chegar conclusões diferentes.
Tanto a Haas como a Alfa Romeo chegaram o ano passado à Q3 durante a qualificação e, muito embora em 2020 não tenham passado da Q1, ganharam performance relativamente a 2019 – 1,248s no caso da Haas e 0,814 no da Alfa Romeo.
Logo, não pode ter sido apenas o V6 turbohíbrido italiano o foco dos problemas que levaram a Ferrari a perder competitividade e ter terminado a corrida de domingo no décimo terceiro e décimo quarto lugares, com Sebastian Vettel à frente do seu colega de equipa.
Antes de mais, o traçado de Spa-Francorchamps apresenta características muito especiais com dois sectores em que a exigência máxima é a velocidade de ponta, o que promove um monolugar com baixo arrasto aerodinâmico, e outro polvilhado de curvas de alta velocidade em que o apoio aerodinâmico é primordial.

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Uma equipa com um monolugar dotado de um V6 turbohíbrido potente pode sacrificar alguma da sua velocidade de ponta no primeiro e terceiros sectores sem ficar exposta às suas rivais e ganhar muito tempo no segundo sector, mas a Ferrari não está nessa confortável posição.
Sem potência, a equipa de Maranello tem privilegiado este ano configurações aerodinâmicas de baixo arrasto, tentando chegar a velocidades de ponta competitivas e lidar com as dificuldades nas curvas.
Em Spa chegou mesmo a experimentar na sexta-feira uma afinação com as asas que prevê usar em Monza, mas os problemas que sentiu no segundo sector mostraram a ineficácia dessa possibilidade, revertendo para os apêndices usados em Silverstone.
Os problemas da Ferrari eram claros, mas as suas equipas cliente passavam pelas mesmas dificuldades e, ainda assim, conseguiram melhorar as suas marcas do ano passado, mostrando que a estrutura de Maranello enfrentava outra incógnita que não conseguia definir.
Não é incomum no traçado belga as temperaturas serem baixas, mas este ano estiveram ainda mais e isso parece ter custado à Ferrari, que não conseguiu colocar os pneus da Pirelli na janela de funcionamento correcta.
Pode parecer quase irrelevante, mas se um carro não consegue colocar os pneumáticos no ponto, não gera a aderência mecânica que deveria e começa a escorregar, o que pode levar a que a superfície, paradoxalmente, sobreaqueça e as borrachas se degradem rapidamente.
Para a qualificação, logo também para a corrida, a “Scuderia” adoptou uma afinação com muita carga aerodinâmica, antecipando chuva para a tarde de domingo, tal como a Red Bull e a Mercedes, mas esta medida pode ter sido uma tentativa desesperada para colocar os pneus a funcionar para tentar fugir à Q1 e esperar que a pista se encontrasse molhada às 14h10 do dia seguinte.
O primeiro objectivo foi conseguido, evitando embaraços maiores, mas no domingo, sem a ansiada chuva, Leclerc e Vettel, sem velocidade de ponta, eram presas fáceis para os seus adversários, tendo sofrido a ignominia de serem batidos em corrida pelo Alfa Romeo de Kimi Raikkonen.
Este foi um cenário muito “sui generis”, mas que se poderá repetir no futuro.
Para Monza, no próximo fim-de-semana, dificilmente a Ferrari será uma força a levar em conta, mas as temperaturas previstas – em redor dos 27ºC no ar, em Spa estiveram cerca de 17ºC – poderão ajudar a equipa a colocar os pneus nas temperaturas correctas e alcançar alguma respeitabilidade, mas Imola e Nurburgring poderão colocar mais dificuldades à “Scuderia” que poderá voltar a passar pelos embaraços de Spa-Francorchamps, caso os técnicos de Maranello não consigam descobrir a raiz do problema que a castigou no Grande Prémio da Bélgica.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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