Fórmula 1: A difícil posição de Vettel
Segundos os rumores oriundos de Itália, Sebastian Vettel recusou a proposta que a Ferrari lhe fez para se manter vestido de vermelho, mas o que significa a oferta da “Scuderia” e quais são as opções do alemão?

O tetracampeão termina este ano o seu segundo contrato de três anos com a formação de Maranello, estando sem volante para 2021, ao passo que Charles Leclerc viu o seu acordo com a equipa transalpina estendido até ao final de 2024.
Nos testes de Inverno Mattia Binotto afirmou que o objectivo da Ferrari era manter Vettel na equipa, o que permitiria à “Rossa” prosseguir com a sua dupla de pilotos por um terceiro ano consecutivo.
Com isso em mente, a “Scuderia” ofereceu ao piloto que está nas suas fileiras desde 2015 um contrato de apenas um ano e com uma redução substancial do vencimento, dos de trinta e cinco milhões de euros por ano que aufere presentemente, para cerca de doze milhões.
O contexto é de extrema importância para colocar a oferta da Ferrari a Vettel em perscpectiva, sobretudo se tivemos em conta o contrato para mais três anos que Leclerc assinou.
Nas duas últimas temporada o alemão cometeu inúmeros erros de pilotagem que lhe custaram a ele e à equipa resultados e, se com Kimi Raikkonen a comparação não era negativa, com o jovem monegasco, que este ano vai para a sua terceira temporada na Fórmula 1 e segunda na Ferrari, começa a verificar-se a ascendência deste como o líder em pista, deixando ao seu ilustre colega de equipa um papel subalterno.
A oferta da “Scuderia” a Vettel é um reflexo disto – acredita que o seu futuro está com Leclerc, vendo o alemão com uma opção capaz para garantir uma transição posterior para outro piloto, mais jovem que o tetracampeão mundial e que possa secundar de forma efectiva o seu novo líder em pista.

É evidente que o germânico, habituado a ser tratado como o principal piloto da equipa, não se mostrou agradado com a oferta da Ferrari, sentido o seu espaço a diminuir no seio da formação de Maranello com a redução do seu vencimento e, sobretudo, a diminuição da extensão da duração do contrato, tendo aludido durante a conferência de imprensa que deu há alguns dias que não se considera demasiado velho e sublinhando que sempre teve acordos de três anos.
A sua recusa foi natural face às condições, ambicionando prosseguir as negociações com a Ferrari de modo a poder encontrar um plano comum em que a duração do acordo possa ser mais longa.
Contudo, neste momento é a “Scuderia” que está numa posição de força.
Por um lado, no final do ano são diversos os pilotos que estarão no mercado que poderão interessar à formação de Maranello.
Daniel Ricciardo, que sempre namorou com a Ferrari, termina o seu actual acordo com a Renault no final da temporada e Carlos Sainz vê, também, o seu presente contrato com a McLaren este ano.
Qualquer um deles são pilotos rápidos e consistentes, capazes de manter Charles Leclerc honesto e verdadeiros jogadores de equipa, não entrando em jogos políticos e destabilizar o ambiente de Maranello.
Para além destes, Antonio Giovinazzi poderá também ser uma opção, dado que, depois de um início de temporada tímido em 2019 com a Alfa Romeo, deu a volta por cima depois do Verão, passando a fazer jogo igual com Kimi Raikkonen, piloto que a Ferrari bem conhece.
Se quiser, a equipa transalpina pode até colocar em cima da mesa o nome de Fernando Alonso, que já se mostrou disponível para voltar a Maranello. Mesmo que nunca tenha como intenção contratar o espanhol, Mattia Binotto pode usar o nome deste para enfraquecer a posição negocial de Vettel.

Face a este cenário, Vettel está numa situação precária, até por que as suas opções para se manter na Fórmula 1 fora da “Scuderia” não são muitas.
A Mercedes parece estar a caminho de mais um contrato com Lewis Hamilton e, mesmo que não renove com Valtteri Bottas, dificilmente olhará para o alemão como uma opção.
A Red Bull está completamente focada em Max Verstappen, pelo menos até 2023, e quem contratar para o outro carro será sempre para apoiar o holandês, posição que seguramente Vettel não quererá assumir, por um lado, e por outro este seria demasiado caro para as funções.
Objectivamente, restaria ao alemão a Renault ou a McLaren, duas equipas que pretendem regressar ao círculo das grandes, mas que estão ainda longe de o ser, sendo difícil que Vettel possa assustar a Ferrari com estas opções.
É claro que, quando duas parte encetam conversações, partem sempre de bases distantes, caminhando posteriormente até um ponto em comum, quando existe esse desejo, mas face às evidências, será difícil que não seja Vettel a percorrer a maior parte do caminho e, se assinar pela Ferrari por apenas um ano, será uma pesada derrota para o tetracampeão, ficando por saber qual será o seu impacto nas suas performances em pista, até por que já ficou claro que a sua pilotagem é permeável ao ambiente que o rodeia.




