Mohammed Ben Sulayem está há 12 meses na liderança da FIA, mas não foram 12 meses fáceis. Os casos e as polémicas foram-se sucedendo ao longo do ano, tal como as dificuldades.
Ben Sulayem fez uma espécie de balanço do seu primeiro ano à frente dos destinos da FIA e apontou dois dos maiores desafios que encontrou ao longo destes 12 meses. O primeiro desafio foi-lhe apresentado no primeiro dia na liderança, com um processo judicial que se arrastou até ao fim do ano. Em causa estavam os direitos da patente do Halo, o que podia ter sérias consequências para o automobilismo global e em especial para a FIA. Outros dos desafios foi um défice de 20 milhões de dólares, que se tornou numa surpresa para Ben Sulayem.
“Imagine-se a ser eleito para o cargo após todos estes anos de tentativas, todos numa festa na noite do dia 17 (dezembro), depois vai para o escritório no dia 18 e às 10 da manhã, a primeira coisa que conhece é o seu staff jurídico e dizem que tem um grande processo judicial sobre o Halo”, disse ele. “Não podemos falar muito sobre isso, mas a sensação que tive não foi boa. Mas seguimos em frente e estou muito contente por há um mês isso ter sido esclarecido. Foi um grande fardo nos meus ombros, porque, como presidente, ter-nos-ia afetado de uma forma legal, financeira. Agora está atrás de nós, e o halo está patenteado para a FIA, o que é bom”.
“Havia também uma questão financeira que desconhecíamos”, disse ele. “Tivemos um défice, mesmo antes da pandemia, mas estou satisfeito por ter esclarecido isso. Nunca tivemos um diretor-executivo durante 118 anos. E se quisermos lidar com os desafios que estão a decorrer, não podemos fazer uma microgestão. Quando se vai ao CEO, fala-se de políticas, fala-se de gerir a estrutura, fala-se do funcionamento quotidiano da FIA, e fala-se das finanças. Todos sabemos e vou ser muito honesto consigo, tivemos um problema com as finanças. Tivemos um défice este ano, que foi superior a 20 milhões de dólares. Estou muito contente por saber que, mesmo com ele, nunca suspendemos qualquer apoio das subvenções ou a eficiência da FIA em relação a qualquer Autoridade desportiva nacional, ou a qualquer clube. E ainda estamos a poupar”.
Assim, o balanço do primeiro ano pode parecer positivo. Mas será mesmo assim? Do lado da F1 houve demasiados casos, avanços e recuos para que se possa considerar um ano positivo. A questão da direção de corrida, com dois diretores de prova e uma estrutura complexa e cuja validade e efeitos práticos foram pouco visíveis. As constantes mudanças aos regulamentos, numa espécie de navegação à vista, também provocaram problemas. Em resumo, sentiu-se alguma falta de norte no primeiro mandato. Mas gerir um desporto complexo como este não é tarefa fácil, pelo que deveremos esperar mais um pouco para ver efeitos práticos. No entanto, a primeira impressão não é tão positiva quanto possa parecer.











