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F1: ZANDVOORT, O QUE A PISTA HOLANDESA NOS PODE OFERECER?

José Luis Abreu by José Luis Abreu
10 Fevereiro, 2020
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
A A
F1: ZANDVOORT, O QUE A PISTA HOLANDESA NOS PODE OFERECER?

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Por José Manuel Costa

Nasceu num local exótico, perto das dunas do Mar do Norte, em 1948, tinha das curvas mais perigosas do mundo, mas saiu da Fórmula 1 em 1985, perdendo fôlego e ficando obsoleto. Zandvoort está de regresso à disciplina em 2020, o que é que a pista holandesa nos pode oferecer?

O Circuit Park Zandvoort nasceu sobre as dunas a norte da cidade de Zandvoort, a metros das praias do Mar do Norte, tendo aberto portas em 1948, depois de vários terem sido os planos desenhados para fazer corridas na paisagem idílica das dunas do Mar do Norte. Aliás, a primeira corrida em Zandvoort aconteceu em 1939, mas nas ruas da cidade. Porém, o fantástico traçado holandês só nasceu em 1948, não pelas mãos de John Hugenholtz, como muitos pensam, mas aproveitando as estradas de comunicação construídas pelo ocupante exército nazi, sendo o traçado do circuito ditado, na sua maioria, por este aproveitamento, sendo S.C.H. “Sammy” Davis, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1927, o consultor que acabou por validar as estradas a serem usadas e a forma como as juntar num circuito com 4,253 quilómetros, 19 curvas e muita emoção algum perigo, com curvas que ficaram para sempre, como a Tarzan, no final da reta da meta. O circuito de Zandvoort manteve-se até 1989 sem muitas alterações e foi o palco exclusivo para as 30 edições do Grande Prémio da Holanda, que se disputaram todas entre maio e agosto (quatro vezes em maio, onze vezes em junho, três em julho e 10 em agosto).
Jim Clark foi quem mais venceu em Zandvoort, com quatro sucessos, seguido de Jackie Stewart e Niki Lauda, com três vitórias cada. No total, 19 pilotos ganharam o GP da Holanda. Já René Arnoux foi quem conseguiu mais pole positions, três, seguido de Alberto Ascari, Graham Hill, Jochen Rindt, Ronnie Peterson, Niki Lauda, Mario Andretti, Alain Prost e Nelson Piquet, todos com duas. Um total de 20 pilotos rubricaram pole positions em Zandvoort. Jim Clark lidera a classificação das voltas mais rápidas (5), Jim Clark e Niki Lauda foi quem mais pódios conquistaram (6), com o britânico a liderar, por larga margem, o número de quilómetros na liderança (1.551 km, com Niki Lauda a ser segundo com 762 km).

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A Ferrari foi a marca que mais ganhou na Holanda, com 8 vitórias, seguida da Lotus, com 6 sucessos. Por seu turno, a equipa fundada por Colin Bruce Chapman rubricou o maior número de pole positions, oito. O velhinho Ford Cosworth DFV V8 é o motor mais vitorioso em Zandvoort, com 10 sucessos, na frente da Ferrari (8) e da Climax (4). À última prova de Fórmula 1 disputada em Zandvoort foi o GP da Holanda (415º corrida da história da F1) de 1985, realizado no dia 25 de agosto. No final das 70 voltas ao traçado de 4,253 km, Niki Lauda foi o vencedor ao volante do McLaren MP4/2B TAG Porsche, seguido de Alain Prost (McLaren TAG Porsche) e de Ayrton Senna (Lotus 97T Renault). Foi o piloto austríaco o último vencedor na pista holandesa, foi a 25ª e última vitória de Niki Lauda e o 54º e último pódio do piloto da McLaren. Foi, igualmente, em Zandvoort que a Brabham rubricou a última pole position, através de Nelson Piquet. Dois dias depois, acabava a equipa Renault Elf, retirando-se, pela primeira vez, da Fórmula 1.
Convirá recordar que em 1972 as condições do circuito ameaçaram a realização da prova e a verdade é que nesse ano não houve GP da Holanda, devido ao facto da pista ser invariavelmente invadida pela areia das dunas do Mar do Norte. A drenagem era péssima e sempre que aparecia a chuva provocava o pânico no paddock. As obras necessárias foram feitas e a prova regressou em 1973. Mas antes não tivesse acontecido: a fama de pista perigosa consagrou-se quando Roger Williamson, piloto britânico nascido em 1973, faleceu na sequência de um acidente originado num furo. Embateu numa barreira de proteção frágil e o carro explodiu numa bola de fogo. Não houve nenhuma assistência ao piloto por parte comissários de pista, totalmente inadaptados à função, e o auxílio só apareceu quando David Purley parou o seu carro e tentou salvar o britânico. Tarde demais, Williamson falecia carbonizado aos 25 anos.

O FUTURO DE ZANDVOORT
Muitas foram as alterações que a pista holandesa sofreu desde 1999, com o traçado a ficar com 14 curvas (menos cinco que o original). As mais recentes obras estiveram envolvidas em polémica. Por questões ambientais, o Governo holandês recusou-se a contribuir para a reconversão do traçado, mas tudo acabou por se resolver e o GP da Holanda vai realizar-se no dia 3 de maio (será a quinta vez que a prova se disputa em maio). A pista que Max Verstappen, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e todo o pelotão iram pisar estará muito diferente daquela onde Niki Lauda e Jim Clark foram heróis.
Há modificações significativas na curva que leva o nome do homem que foi durante muito tempo responsável pela pista, John Hugenholtz, e há uma nova curva com inclinação na entrada da reta da meta que leva o nome de Arie Luyendyk, o mais famoso piloto holandês, conhecido como “Flying Dutch”, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 1990 e 1997.
A obra de reconfiguração e modernização de Zandvoort está a cargo da Dromo, empresa italiana especializada no desenho e construção de circuitos, fazendo parte do Italian Motor Valley (zona que aglomera Parma, onde está a Dallara, Modena, onde vive a Ferrari, Bologna, onde está a Pagani, e a zona Romagna, e onde há quatro autódromos, seis centros de formação e 188 equipas de competição).
Jarno Zafelli é o responsável pela obra e não tem dúvidas que se o anterior circuito não era pera doce para os pilotos, o novo percurso não deixará de premiar os pilotos mais corajosos e talentosos. E, para adicionar maior incerteza, as equipas não vão poder replicar nos seus simuladores o novo traçado, “pois não queremos que tenham todos os dados da pista, criando, assim, um elemento de surpresa.” Para o italiano: “Estamos a mudar um local histórico em muitos locais e vamos oferecer uma curva que há muitos anos não se vê na Fórmula 1”, declarando ao jornal holandês De Telegraaf que “este é um projeto do maior risco, para nós e para a liderança da Fórmula 1. De acordo com as nossas simulações”, continua Zaffelli, “os pilotos vão conseguir fazer a curva 2 a fundo, depois será curioso ver qual a trajetória que os pilotos vão fazer na curva Hugenholtz, cujo ‘banking’ máximo é superior a 18 graus! Ou seja, este será um circuito que vai separar os homens dos rapazes.”
Uma das prioridades da equipa que está a mudar o circuito de Zandvoort, é que a fama de pista ‘onde não é possível ultrapassar’ seja derrotada. “Muitos continuam céticos”, diz o responsável pela obra, “mas estamos muito curiosos para ver como os pilotos vão abordar a pista.” Este trabalho feito pela Dromo não é uma estreia, pois foi a empresa italiana quem renovou Silverstone e Imola, mas, como concede o responsável pela empresa e pela obra de Zandvoort, “este é um desafio único para a nossa empresa.”
Para Jarno Zaffelli, “Zandvoort é a pista mais formidável que fizemos até agora, é um traçado vivo! Além disso, foi o primeiro circuito em cima de areia onde trabalhámos.” O italiano está rendido e desabafa: “Zandvoort é único: as dunas, o mar, o vento e as curvas únicas, um traçado que tem tudo e não será coincidência que Jonh Hugenholtz tenha estado na génese de Zandvoort e de Suzuka. Sendo diferentes, são muito iguais!”
As obras estão prestes a ficarem concluídas e Zaffelli confessa que o interesse pela pista é tão grande que “todos os dias, mesmo sem o alcatrão colocado, vários drones andam por cima do circuito.” No final da entrevista que deu ao jornal De Telegraaf, o responsável da Dromo referiu: “O ceticismo das pessoas está, agora, nos acessos. Mas essas são coisas que estão fora da nossa alçada. Mas tenho a certeza que todos ficarão muito satisfeitos com Zandvoort e com o GP da Holanda.”

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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