A Mercedes lutou até ao final da última corrida do ano pelo segundo lugar, muito distante do que fez em Abu Dhabi em 2021, quando discutiu o campeonato mundial de construtores, e o de pilotos, com a Red Bull. Em 2023 não triunfou em qualquer corrida, algo que não se via desde 2012.
Apresentando o mesmo conceito do monolugar do ano passado, o Mercedes W14 desenvolvido para tentar voltar à luta pelos primeiros lugares da classificação com a Red Bull nesta temporada, acabou por ser mais um tiro no pé da equipa de Brackley. Tudo teve de ser repensado e apesar de introduzir um pacote extenso de atualizações, o carro continuou a ser pouco performante comparativamente com o RB19 e frágil a mudanças de condições. A McLaren melhorou, a Ferrari encurtou a diferença no campeonato e a Mercedes chegou ao final da temporada com o mesmo problema que teve em 2022: precisa de colocar o carro na entrada da fábrica para todos se lembrarem como não produzir um monolugar de F1.
A partir de certa altura no ano, ficou claro que para 2024 tudo tinha de ser mudado. Não servia desenvolver aquele conceito do carro. Por isso, para Toto Wolff, passar do ponto onde terminaram este ano até conseguirem lutar por vitórias, há que ultrapassar muitos desafios. O responsável da Mercedes comparou esse caminho, com escalar o Monte Evereste.
Depois de alcançar o vice-campeonato, Wolff sublinhou que “a Red Bull iniciou este regulamento de 2022 com uma enorme vantagem e conseguiu mantê-la [em 2023]”. Temos de ter muito respeito pelas suas conquistas, tanto a nível da engenharia como do piloto, e vencê-los sob o regulamento atual é improvável, isso é claro”.
O responsável da Mercedes mantém a esperança, apesar do enorme desafio que será dar a volta a esta situação. “A McLaren com uma atualização desbloqueou um segundo por volta e a AlphaTauri chegou forte ao final [da temporada] e a Aston Martin fez um bom trabalho durante o inverno. Há uma solução para ter muito mais desempenho”, disse Wolff. “Penso que fazemos uma avaliação honesta de que este carro nunca será suficientemente bom para lutar pelo campeonato, e tomámos a decisão na primavera que temos de voltar ao início e criar algo novo no próximo ano. Mas o Monte Evereste está à nossa frente”, admitiu.
Toto Wolff mantém-se cético sobre o futuro da sua equipa e com razão. Já esteve do ‘lado de lá’, quando vencia sem contestação e os adversários tentavam encurtar a distância. Não é só a Williams que pode tirar partido dos próximos regulamentos técnicos e das unidades motrizes, mas esse só entra em vigor em 2026, até lá a Mercedes tem de tentar alcançar a Red Bull.
Foto: Martin TRENKLER











