Helmut Marko estará prestes a deixar a Red Bull, após uma sucessão de episódios internos que deterioraram a relação com a gestão da equipa. A possibilidade da sua saída tornou-se evidente logo após o final da temporada em Abu Dhabi, quando o conselheiro austríaco admitiu que precisava de “dormir sobre o assunto”, mas novos relatos apontam agora para um adeus iminente.
De acordo com várias publicações, incluindo o jornal neerlandês De Limburger, Marko deverá abandonar a equipa no final do ano. O mesmo meio adianta detalhes sobre os motivos que precipitaram esta decisão, entre os quais a assinatura unilateral de contratos com jovens pilotos, sem o alinhamento da restante direção da Red Bull.
Contratação de jovem talento gerou desconforto
Um desses casos envolve Arvid Lindblad, recentemente confirmado na grelha de Fórmula 1 de 2026 com a Racing Bulls. Outro diz respeito ao irlandês Alex Dunne: segundo De Limburger, Marko avançou com a sua contratação apesar de já existir uma decisão formal — por parte dos acionistas, do chefe de equipa Laurent Mekies e do diretor-desportivo Mintzlaff — de que Dunne não integraria o programa júnior. Essa ação, realizada à revelia da estrutura, gerou forte descontentamento dentro da equipa e levou a que Marko fosse imediatamente instruído a rescindir o contrato. A Red Bull terá mesmo pago uma indemnização considerável para anular o acordo.

Críticas a Antonelli pioraram a situação
A situação agravou-se após o Grande Prémio do Qatar, quando Marko acusou publicamente Kimi Antonelli de ceder deliberadamente posição a Lando Norris num momento crítico da luta pelo título. Antonelli apenas teve uma ligeira saída de pista devido a um erro, mas a polémica originou mais de mil comentários abusivos — incluindo ameaças de morte — dirigidos ao jovem piloto. A Red Bull pressionou Marko a pedir desculpa.
A eventual saída de Helmut Marko encaixa num período de profunda transformação na estrutura da equipa, que já viu partir figuras de peso como Jonathan Wheatley, Adrian Newey e, mais recentemente, Christian Horner. Tudo indica que Marko será o próximo nome a abandonar o projeto.
Fim de uma era
O início do fim desta era da Red Bull começou com a morte de Dietrich Mateschitz, o dono da equipa, apaixonado pela competição, que confiava de forma absoluta no triunvirato Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey. Juntos, conseguiram sexto título de construtores e oito títulos de pilotos. Mas com o falecimento de Mateschitz, começaram os jogos de bastidores e as tentativas de golpes palacianos, criando-se fações internas que desestabilizaram gradualmente o equilíbrio da equipa. Newey não terá gostado do que viu e saiu para a Aston Martin, enquanto Horner foi afastado da equipa a meio desta temporada.
Com a potencial saída de Marko, apagam-se os vestígios de uma liderança que transformou a Red Bull numa máquina vencedora. Mas também uma liderança “old school” com muito jogo de bastidor na F1, sem medo de frases polémicas ou de algum jogo sujo e sempre com o intuito de colocar pressão nos adversários. Esta será provavelmente uma Red Bull que não voltaremos a ver.










