Nico Rosberg, campeão de 2016 e o único a conseguir destronar Lewis Hamilton nesta era turbo-híbrida, escolheu o seu piloto do ano. E ao contrário do que se poderia pensar, o vencedor do título não foi escolhido pelo alemão.
Rosberg, que agora é “vlogger”, esteve em Abu Dhabi para assistir à última prova do ano e afirmou que Max Verstappen foi o piloto que mais se evidenciou, no seu ponto de vista. Rosberg enalteceu o crescimento do piloto, que teve um início de época conturbado, mas que acabou 2018 com grandes exibições;
“Ele [Verstappen] mostrou que aprendeu com os erros do início da temporada. A velocidade estava sempre lá”, disse Rosberg em declarações à Sky Sports.”Na segunda metade da época, ele juntou tudo e talvez tenha sido o melhor piloto de todos. Ele fez um trabalho fenomenal, o carro melhorou também, e o conjunto melhorou. Foi muito divertido de assistir. Demora algum tempo para aprender, a menos que sejas o Lewis Hamilton. Ele tem crescido muito, e apenas continua a estar demasiado nos limites. Ele tem de refrear um pouco isso e já o entendeu. Se ele tiver um bom carro no próximo ano, pode ser um candidato.”
Será Verstappen realmente capaz de ser um verdadeiro candidato? Na conferência de imprensa foi feita a pergunta se teria uma abordagem diferente ao confronto com Ocon, no Brasil, ao que respondeu que não teria mudado nada e que não vê motivos para mudar a sua abordagem. Desde o início do ano que tem defendido com unhas e dentes a sua postura em pista, o que merece ser assinalado pois o jovem mostra caráter e determinação.
Mas, numa nota mais pessoal, fica no ar a dúvida se já tem a capacidade mental de para ser campeão. No que diz respeito a talento e velocidade, tem para dar e vender e com um motor mais competitivo estaria por certo na luta. Mas a sua postura e acima de tudo o seu ego poderão deitar a perder pontos preciosos. Verstappen ficou muito mais maduro este ano e se compararmos o Max do final de 2017 com o Max da atualidade, temos um piloto claramente mais forte, mais capaz e mais maduro. Mas espicaçado da forma certa o seu ego poderá ainda pregar-lhe alguma partida. Hamilton provou este ano que para ser campeão não basta apenas ter o melhor carro. Na melhor época do britânico na F1, saltou a vista a sua velocidade pura (a qualificação em Singapura talvez tenha sido um dos pontos mais altos) mas acima de tudo a sua capacidade mental para não desmotivar, quando a Ferrari estava por cima, mantendo o foco e forçando a equipa a fazer o mesmo. E esta capacidade foi talvez o grande trunfo do #44 nesta época. É esta postura que pode valer campeonatos, algo que Hamilton só conseguiu ter de forma clara a partir de 2014. Resta saber se Verstappen irá conseguir ter também essa capacidade. Se o conseguir, com o carro certo, será muito difícil parar o holandês.










