Para alguns as esperanças de Sebastian Vettel ainda se vir a sagrar Campeão do Mundo em 2017 terá terminado com a ‘auto-eliminação’ da corrida de Singapura, mas ainda com seis Grandes Prémios por disputar até ao final da época será exagerado pensar que tudo está acabado para o alemão da Ferrari. E não falamos apenas de uma questão matemática. Há antecedentes na história da F1 para pensar que o piloto de Heppenheim tem razões para ter esperança. Isto apesar do défice de 28 pontos que atualmente possui relativamente a Lewis Hamilton.
Recuemos no tempo para lembrar episódios de reviravoltas que permitiram ao pior colocado ‘regressar à luta’ e conquistar o cetro mundial. Comecemos pelo princípio e ao caso menos recente. Em 1964 John Surtees tornou-se no único piloto a conseguir ser Campeão do Mundo de duas e quatro rodas. Não conseguiu terminar três das últimas quatro corridas, num campeonato de F1 cm apenas dez provas. Contudo, um terceiro lugar, duas vitórias e dois segundos lugares deram-lhe o título. E esse só foi confirmado na última volta da derradeira corrida, no México, onde Graham Hill e Jim Clark tiveram problemas. Surtees sagrou-se campeão ao terminar em segundo.
Em 1976 foi a vez de outro britânico, James Hunt, conseguir recuperar de um atraso de 26 pontos para Niki Lauda. O austríaco da Ferreira ganhou as primeiras seis corridas, mas na Alemanha um terrível acidente (em Nurburgring) quase terminou com a sua vida. O austríaco recuperou das queimaduras e fez um regresso memorável às pistas apenas seis semanas depois em Monza. O campeonato acabaria por ir parar às mãos de Hunt, quando Lauda, na última corrida sob intensa chuva em Fuji (Japão), decidiu abandonar a corrida alegando falta de segurança. O britânico da McLaren conseguiu ser terceiro, o lugar necessário para ganhar o campeonato.
Já em 1981 Nelson Piquet logrou recuperar de uma diferença de 17 pontos face a Carlos Reutmann. O argentino, então na Williams, ganhou duas vezes e conseguiu mais três pódios a uma dada altura do campeonato, depois do brasileiro da Brabham ter batido e fraturado uma perna em Silverstone. Mas na segunda metade da época, Piquet conseguiu recuperar logrando quatro pódios (incluindo uma vitória) em cinco corridas, reduzindo rapidamente a diferença para Reutmann. Na última prova do ano, em Las Vegas, o argentino conseguiu a ‘pole-position’ mas teve problemas na caixa de velocidades e terminou apenas oitavo, enquanto ao ser quinto o piloto do Rio de Janeiro garantiu o título por apenas um ponto.
Em 2007 dá-se o regresso de Kimi Räikkönen de um défice de 20 pontos. O finlandês ganhou a prova de abertura na Austrália, mas não estive no pódio nas seis corridas seguintes, com os pilotos da McLaren, Fernando Alonso e Lewis Hamilton numa luta feroz, ao ponto das relações entre ambos se deteriorarem. Räikkönen conseguiu recompor-se e ganhou em França e na Grã-Bretanha, antes de subir ao pódio seis vezes nas última sete corridas. Alonso e Hamilton abandonaram no Japão e na China, abrindo ‘a porta’ ao título do finlandês, que venceu o campeonato por apenas um ponto.
Em 2010 é a vez de Sebastian Vettel conseguir anular uma diferença de 31 pontos para Lewis Hamilton para ser Campeão pela Red Bull,. A meio da época o britânico da McLaren tinha uma enorme vantagem, com Mark Webber e Fernando Alonso a chegarem à última corrida como candidatos ao título. Mas Vettel logrou a ‘pole’ e a vitória, e com o espanhol e o australiano apenas em sétimo e oitavo, o alemão assegurou o título por somente quatro pontos.
Finalmente em 2012, Sebastian Vettel anulou os 29 pontos de desvantagem que tinha para Fernando Alonso, depois de uma sequência de bons resultados do piloto espanhol. O alemão teve de responder com outra série de êxitos, nomeadamente quatro vitórias. Um acidente com Bruno Senna na última prova quase lhe custou o campeonato, mas Vettel recuperou para ser sexto, o suficiente para se sagrar Campeão do Mundo por três pontos.










