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F1: Renault avisa para os riscos dos gastos excessivos

Fábio Mendes by Fábio Mendes
15 Outubro, 2018
in F1, FÓRMULA 1
A A
F1, Toto Wolff: “A Renault vai dar o maior passo em frente”

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Ainda com a época a decorrer e com a luta pelo quarto lugar no campeonato de construtores  ainda em aberto, Cyril Abiteboul avisou para os perigos dos gastos excessivos no desenvolvimento de motores.

O chefe da equipa francesa falou do actual nível de investimento nos motores que continua a ser elevado e deu o exemplo da Honda admitindo o bom trabalho da marca nipónica, mas realçando o elevado investimento feito:

“Não é uma surpresa [a forma actual da Honda] pois ficou claro no ano passado que a Honda estava progredindo muito rapidamente. A fiabilidade era ainda um problema, mas lembro-me de Spa, em que vimos um sinal muito claro de que a Honda estava a evoluir bem, dado o enorme investimento que entendemos que eles fizeram. Não é uma surpresa que esteja valendo a pena, porque ainda estamos numa F1 que  recompensa o quanto se gasta, em vez de como se gasta. E isso é uma preocupação”.

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“O aumento de custos  é, na minha opinião, insustentável. Pode estar a dar resultado na Honda agora, mas a certa altura irá tornar-se insustentável para um dos quatro construtores, e aí, quem sabe o que acontecerá ? Eu acho que a F1 não pode dar-se ao luxo de perder qualquer um dos construtores. E eu não vejo acções ou decisões para minimizar a necessidade de gastar de uma maneira que pode ser insustentável a médio e longo prazo.”

A Honda tem feito progressos significativos ao nível da sua unidade motriz, conseguindo tornar-se cada vez mais competitiva, juntando a isso fiabilidade indispensável para o sucesso, de tal forma que já está ao nível da Renault:

“Eles estão definitivamente de volta a um bom nível”, disse Abiteboul. “Eles estão num nível semelhante ao nosso em termos de competitividade, por causa da nossa decisão sobre a Versão C. É por isso que novamente não podemos ficar a dormir no desenvolvimento de motores do ano que vem.”

“E também temos de colocar isso em perspectiva olhando para 2021, em que queremos começar o mais cedo possível. Como sempre, temos de avaliar como podemos equilibrar o objetivo de curto prazo com os objetivos de longo prazo”.

A maior competitividade da Honda era uma questão de tempo. Uma marca com tantos recursos técnicos e financeiros não iria continuar a fazer má figura com um motor híbrido de alta competição, mais ainda porque o seu mercado alvo passa cada vez mais por híbridos e eléctricos. E o que a Honda fez é, em certa parte, notável, conseguindo recuperar a desvantagem temporal que tinha face aos concorrentes. Mas claro que para isso deve ter investido grandes quantidades de dinheiro, algo que a Renault nunca esteve disposta a fazer e que levou a Red Bull a mudar de fornecedor, entendendo que os seus desejos seriam mais facilmente atendidos pela Honda do que pela Renault. Além disso fala-se que a McLaren começa a ficar preocupada com a performance dos motores e com a sua arquitectura, que não permite um desenho do chassis tão agressivo quanto o que o Honda permitia, criando logo à partida limitações no desenho do monolugar.

Esta corrida quase desenfreada ao “armamento” pode levar muitas marcas a não querer investir na F1. As marcas cada vez querem gastar menos no desporto motorizado, que não é mais do que um veiculo de marketing. As novas gerações, as novas formas de comunicação levam a que a importância da competição, embora ainda grande, se vá diluindo. Assim, um fornecedor de motores não quererá entrar numa espiral de gastos como fez a Honda, para minimizar os efeitos da publicidade negativa. E com a cada vez maior aposta nos eléctricos, é pouco provável que grandes marcas olhem para motores híbridos como justificação para um investimento forte. A Renault com a sua postura irredutível quanto aos gastos desmesurados,  poderá chegar a um ponto em que pode fechar o investimento, preferindo apostar noutro tipo de tecnologia. Para já terão de forçar o desenvolvimento do motor para não ficarem para trás mas até quando  e como irão continuar a forçar? Numa altura em que os regulamentos de 2021 continuam sem novidades, torna-se importante olhar para esta questão com cuidado e encontrar soluções que permitam aumentar o interesse da F1 por parte de construtores, assim como manter felizes os que estão presentes.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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