F1: Quem são os favoritos para as primeiras corridas?

Por a 23 Fevereiro 2026 15:15

Faltam duas semanas para o arranque da temporada 2026 da F1. Entretanto, a maioria das equipas completou nove dias de testes, em Barcelona e no Bahrein. Desde as primeiras impressões positivas de Barcelona, com o visual dos carros a agradar e a velocidade a impressionar, até às dúvidas do Bahrein, com a gestão de energia a ser o ponto central de todas as dores de cabeça, os testes permitiram um vislumbre do que poderá ser o arranque da temporada de 2026.

Esta é a altura do ano em que a especulação aumenta, as incertezas são muitas e existe uma única verdade: apenas na primeira corrida teremos a verdadeira noção do que nos reserva esta temporada. Se nas últimas temporadas isso já era verdade, nesta em específico, ainda mais.

Apesar das muitas dúvidas que ainda persistem, começa a desenhar‑se um horizonte competitivo, com algumas equipas a mostrarem ser capazes de chegar ao topo e outras ainda longe de serem bem‑sucedidas. E, no lote das favoritas, a larga maioria acredita que Mercedes e Ferrari estarão na luta pelas primeiras posições.

Mercedes vs Ferrari?

A Mercedes destacou‑se como a equipa que mais quilómetros cumpriu, com um total na ordem dos 6200 km. No final da segunda semana de testes no Bahrein, o tempo de 1m32,803s deixava as Flechas de Prata a 0,811 s da Ferrari, mas a consistência do W17 em pista foi notada. A Mercedes parece ter criado um carro forte, que poderá ser a referência nas primeiras corridas e, mesmo que as melhores voltas tenham ficado para a Ferrari, a regularidade nos stints longos revela uma equipa pronta para começar no topo. Mas a Ferrari não está longe.

O entusiasmo dos tifosi tem aumentado a cada dia, com o SF‑26 a mostrar‑se como uma máquina capaz de dar alegrias aos fãs da equipa vermelha. Charles Leclerc assinou o melhor registo da segunda semana no Bahrein (1m31,992s) e, apesar de alguns problemas técnicos, a Scuderia mostrou boa evolução e até algumas soluções inovadoras. E quem não tem medo de arriscar inovação nos testes mostra, normalmente, que a base está bem consolidada. Com um total de cerca de 6090 km, a Ferrari está no top 3 das equipas que mais rodaram e, a par da Mercedes, parece estar um furo acima da concorrência. Tudo aponta para uma luta Mercedes vs Ferrari, numa reedição de um duelo que marcou boa parte dos primeiros anos da era híbrida.

Reedição da luta pelo título… agora um pouco mais abaixo

Na luta pelo terceiro lugar das equipas, adivinha‑se mais um duelo: McLaren vs Red Bull. As equipas que, nas duas últimas épocas, lutaram pelos títulos mantêm‑se em confronto direto, mas agora por posições mais modestas. A Red Bull começou esta era da melhor maneira, com um nível de competitividade e fiabilidade da sua nova unidade motriz (a primeira concebida de raiz pela RBPT) assinalável. Os receios de um começo hesitante não se confirmaram e a Red Bull não parece estar muito longe do topo. A sua unidade motriz tem sido elogiada, especialmente ao nível da entrega de potência elétrica, e isso pode ser um trunfo neste arranque de temporada. A Mercedes e a Ferrari parecem estar um pouco acima, mas a Red Bull, especialmente com Max Verstappen, pode chegar ao topo nas primeiras corridas.

A McLaren parece estar a pagar o preço do sucesso dos anos anteriores. Com menos tempo de túnel de vento e de simulações CFD, por força do regulamento, a equipa não começa o ano como referência. Mas mostrou consistência e evolução ao longo das semanas, e as dúvidas que rodeavam a McLaren nas primeiras saídas para a pista foram‑se diluindo. Tudo indica que a McLaren esteja a apostar num programa de evoluções contínuas ao longo do ano, pelo que é expectável uma progressão gradual. No Bahrein, também não usou a última versão do motor Mercedes, o que ajuda a explicar a distância para o topo. As primeiras corridas deverão mostrar uma McLaren mais interessada em garantir pódios do que em lutar de imediato por vitórias.

Topo do meio da tabela com dois favoritos

Na luta pelo top 5, mais um duelo: Haas e Alpine parecem ter começado esta nova era com o pé direito. Do lado da Haas vê‑se uma continuação do excelente trabalho que tem sido feito desde a entrada de Ayao Komatsu para a liderança da equipa (provavelmente a melhor decisão de Gene Haas em muito tempo), com um carro competitivo, fiável e sem grandes problemas de base. Na Alpine, assiste‑se a um regresso ao meio da tabela, depois do pesadelo de 2025. O foco quase total nesta temporada, que levou a um sacrifício de performance na época transata, deu resultado, e a Alpine apresentou um carro capaz, fiável e competitivo. É difícil apontar quem leva vantagem neste duelo, mas a luta por um lugar entre os cinco primeiros parece estar (bem) entregue.

Meio da tabela preenchido

Neste horizonte competitivo teórico, segue‑se um trio de equipas: Racing Bulls, Audi e Williams. A Racing Bulls começou o ano com uma base interessante, sem problemas gritantes, mas com muitos pormenores por acertar. Desde a estabilidade do monolugar até à capacidade de tirar o melhor proveito da unidade motriz, a equipa revelou algumas fragilidades, mas nada que pareça alarmante para já. A Audi, por seu lado, começa com nota positiva nesta estreia. O primeiro teste em Barcelona levantou algumas preocupações, facilmente dissipadas pela evolução demonstrada no Bahrein, com um carro diferente e mais refinado. A Audi mostrou como duas semanas podem fazer muita diferença. Assim, esta ordem pode revelar‑se enganadora quando a corrida de Melbourne terminar. Na cauda deste grupo parece estar a Williams. Apesar de o foco da equipa ter mudado cedo para 2026, o arranque falhado e a não comparência em Barcelona ainda se faz sentir. Fala‑se em peso a mais no carro vindo de Grove, mas houve também algumas limitações que comprometeram a performance. Pelo menos a fiabilidade parece garantida, mas é provável que a equipa comece no fundo do meio da tabela.

Dores de crescimento e dores de cabeça

Aston Martin e Cadillac deverão ser as equipas destinadas ao fundo do pelotão. A Cadillac não fez um mau trabalho e, tendo em conta o tempo disponível para montar o projeto, apresentou um carro que não aparenta ter uma fragilidade gritante. É pouco competitivo, certo, e a fiabilidade não é ainda a melhor, mas são aspetos que o tempo pode mitigar com relativa facilidade. A Aston Martin é o caso mais difícil de julgar. Poucas voltas, muitos problemas e demasiadas falhas impedem, para já, uma leitura clara do verdadeiro potencial do carro. O que parece evidente é que a acumulação de problemas vai certamente afetar as primeiras corridas e, assim, espera‑se uma Aston a sofrer neste arranque.

Com as devidas reservas, esta é a ordem que sai do último teste no Bahrein. Há boas probabilidades de não termos esta hierarquia em Melbourne, pois os avanços que se conseguem em duas semanas de trabalho podem ser significativos. Mas o panorama geral parece ser este. Quem escondeu mais o jogo? Quem tem um trunfo na manga? Quem se vai destacar em Melbourne? Falta pouco para vermos a verdadeira face da F1 de 2026.

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