O coro de críticas a Michael Masi continua a crescer e surgiu na internet uma petição para que Eduardo Freitas ocupe o lugar de Masi ao leme das corridas de F1.
Freitas é um dos nomes mais respeitados da FIA e dos fãs das corridas de endurance. O homem da batuta nas corridas do WEC e ELMS recebe constantes elogios ao seu trabalho. Assim, esta petição, embora algo surpreendente, pois nunca um diretor de corrida foi tão contestado, vem mostrar que a FIA tem ao seu dispor um homem que já demonstrou por diversas vezes que tem qualidade e capacidade para assumir a liderança de qualquer prova. Na descrição da petição pode ler-se o seguinte:
“Após uma época sem precedentes de decisões inconsistentes e extremamente questionáveis dos comissários da Fórmula 1, culminando com a farsa do Grande Prémio de Abu Dhabi de 2021, solicitamos aos organizadores da Fórmula 1 que substituam o atual diretor da prova por Eduardo Freitas, do WEC, bem respeitado e experiente. Freitas tem mais de 20 anos de experiência como diretor de corridas de alto nível e é considerado em todo o mundo como uma voz de consistência e autoridade. É vital que a confiança dos espectadores e dos fãs seja restaurada no policiamento das corridas de F1, que foi corroída ao longo da temporada de 2021.”
A petição online já tem mais de 2000 assinaturas e pode ser encontrada AQUI:
Recordamos o trajeto de Freitas, usando as suas palavras numa entrevista feita no passado:
Como começou a trabalhar no desporto motorizado?
“Foi de uma forma engraçada, digamos. Eu costumava fazer arranjos a motores a dois tempos para motorizadas, e um dia um amigo pediu-me para fazer o mesmo a um motor a dois tempos de um kart. Isto foi em 1977. Dois anos depois, foi ao Mundial de Karting no Estoril para comprar um chassis ao Martin Hines da Zip Kart, que era um piloto fantástico, e que vi correr, comigo sentado na bancada. Decidi que não queria mais ver corridas desta maneira, e a parte mecânica já não me dava a adrenalina que eu queria, então na segunda feira seguinte, dia 24 de setembro de 1979, comecei como aprendiz, desmontando a pista de karting do Estoril.”
“Depois passei para comissário de pista, para chefe de posto de comissários, chefe de zonas de comissários e sempre a subir. Ajudei nas verificações técnicas, fiz muitas coisas diferentes, e quando surgiu a oportunidade de ser diretor de corrida numa prova de karting, passei para essa posição. Então, em 2002, quando era chefe do Colégio de Comissários no Estoril, surgiu a oportunidade de ir para o FIA GT. Foi um telefonema, em fevereiro, que me deixou surpreso, em que o Jürgen Barth me perguntou se eu estava disponível para fazer a época conjunta do FIA GT e do ETCC. Pensei que o comboio podia ir mais longe e agarrei a oportunidade. Assim alinhei por um ano para 2002 e agora estou aqui. Passei do FIA GT e ETCC para o WTCC quando este começou em 2005, e fiquei lá até 2009, foram 110 corridas, muito divertido.”
“Em 2010, a FIA decidiu mudar-me para o Campeonato do Mundo de GT, que só durou em 2011, então fui convidado para vir para o Campeonato do Mundo de Endurance, onde estou agora. E como sou diretor de corridas de resistência aqui, faço o mesmo trabalho na European Le Mans Series e na Asian Le Mans Series. Por isso agora faço muita coisa interessante nesta área.”
Quando há um incidente em pista, como decide a escolha entre uma situação de bandeiras amarelas, uma intervenção do safety car e uma bandeira vermelha?
“Enquanto as penalizações passam sempre pelo julgamento do colégio de comissários, em funções de segurança tudo depende de mim. Não há tempo a perder e tenho de garantir que todos os envolvidos estão em segurança. A decisão depende muito do que vi durante as preparações para a corrida. Vai depender da rapidez dos comissários de pista, qual é o voluntarismo para lidar com situações de amostragem de bandeiras amarelas, ou seu eu preciso de ir mais longe e ordenar a entrada do safety car em pista ou até de mostrar a bandeira vermelha. Não é uma coisa matemática, não dá para fazer uma tabela em que temos fazer isto ou aquilo. Vai depender muito como tem corrido o fim de semana, nas preparações que fizemos e até como decorreram as provas de apoio. Vejo muito nas corridas de apoio como são feitos os trabalhos de recuperações, especialmente se isso não acontecer numa das minhas sessões. Consigo ver a rapidez deles e posso basear a minha decisão para criar uma situação de bandeiras amarelas, mandar entrar ou safety car ou mostrar a bandeira vermelha”.











