O cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para abril, terá também impacto financeiro significativo para a Fórmula 1. A decisão, motivada pela escalada do conflito no Médio Oriente, cria uma pausa invulgar no calendário entre o Grande Prémio do Japão e a corrida de Miami.
A decisão surge na sequência da escalada de tensão na região, após ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro. O conflito já tinha provocado constrangimentos logísticos na Fórmula 1, nomeadamente com o encerramento de importantes centros de transporte no Golfo, como Dubai e Doha, obrigando equipas e fornecedores a reorganizar rotas de transporte de pessoal e material.
Para além do impacto desportivo, o cancelamento das duas corridas terá também consequências económicas relevantes. De acordo com uma análise da Guggenheim Partners, a Fórmula 1 poderá perder entre 190 e 200 milhões de dólares em receitas, o equivalente a cerca de 166 a 174 milhões de euros, além de uma redução estimada de 80 milhões de dólares no Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Apesar de significativo, o impacto não deverá comprometer a estabilidade financeira da modalidade. No ano passado, a Fórmula 1 registou receitas totais de cerca de 3,31 mil milhões de euros, o que permite absorver parcialmente a perda.
Ainda assim, a situação evidencia a importância das corridas no Médio Oriente para o modelo financeiro da Fórmula 1. Atualmente, a região acolhe cinco provas do calendário — Bahrein, Arábia Saudita, Azerbaijão, Qatar e Abu Dhabi — que, em conjunto, geram mais de 218 milhões de dólares anuais em taxas pagas pelos promotores.
Segundo as estimativas da Guggenheim, o Bahrein paga cerca de 39 milhões de euros por corrida, enquanto Arábia Saudita e Qatar contribuem com aproximadamente 48 milhões cada. Abu Dhabi paga cerca de 37 milhões, enquanto o Azerbaijão é atualmente o promotor que mais investe, com cerca de 50 milhões de euros .
Em comparação, alguns dos circuitos históricos da Europa pagam valores bastante inferiores. Silverstone contribui com cerca de 23 milhões de dólares, enquanto Monza paga entre 18 e 26 milhões, ilustrando o peso crescente das provas do Médio Oriente na economia da Fórmula 1.











