Depois da controversa perda do título mundial de Lewis Hamilton em 2021, a Mercedes reconheceu finalmente porque falhou em entregar aos seus pilotos um carro capaz de lutar consistentemente pelas vitórias nas três temporadas seguintes.
Com a introdução do novo regulamento em 2022, Lewis Hamilton deixou de ter um monolugar competitivo, só regressando aos triunfos no Grande Prémio da Grã-Bretanha de 2024, quase três anos após a última vitória, em Jeddah, 2021. Esse triunfo aconteceu já depois do anúncio da transferência do britânico para a Ferrari em 2025.
O erro do conceito ‘zero-pod’
A Mercedes arriscou uma filosofia radical com o conceito ‘zero-pod’, praticamente sem sidepods. Essa solução retirou elementos cruciais ao fluxo aerodinâmico, limitando a performance do motor. A equipa manteve a ideia durante época e meia, mas acabou por regressar a um desenho mais convencional, já demasiado tarde face ao domínio crescente da Red Bull.
Enquanto os alemães tardavam em corrigir a filosofia, a rival austríaca evoluiu a partir do carro de 2022 e criou o RB19, que venceu 21 das 22 corridas de 2023, um dos períodos mais dominadores da história da Fórmula 1.
As falhas identificadas pela Mercedes
Em declarações à Auto Motor und Sport, Andrew Shovlin, diretor de engenharia da Mercedes, admitiu que a equipa não compreendeu a tempo a complexidade do fluxo aerodinâmico sob o carro.
Segundo Shovlin, os modelos de simulação não representavam bem a realidade pois a geração de apoio aerodinâmico revelou-se maioritariamente nas retas, em vez de nas curvas lentas.
Os carros precisavam de andar mais baixos e rígidos, enquanto antes produziam carga aerodinâmica de forma mais previsível e distante da superfície.
A falta de entendimento precoce sobre estes fatores atrasou a resposta da equipa.
Nova esperança com os regulamentos de 2026
O problema do “porpoising”, que afetou vários pilotos devido ao efeito de solo, foi visto como um dos maiores entraves à performance e ao conforto na era atual.
Shovlin referiu que os pilotos ficarão satisfeitos com os regulamentos de 2026, que permitirão suspensões a desempenhar novamente o seu papel principal: absorver irregularidades, em vez de apenas controlar cargas aerodinâmicas excessivas.
Apesar das dificuldades recentes, a Mercedes é apontada como favorita para introduzir a melhor unidade motriz em 2026, quando arrancar uma nova era tecnológica. Tal como em 2014, no início da era turbo-híbrida, a equipa de Brackley espera recuperar a hegemonia que rendeu oito títulos consecutivos de construtores. Contudo, é melhor esperar para ver…











