O anúncio da renovação de Lewis Hamilton pela Mercedes colocou fim a uma das novelas mais longas de 2020, tão longa que se arrastou até 2021. Mas poderá ser este um sinal da Mercedes?
A Mercedes é agora a única equipa com uma dupla acima dos trinta anos, o que vai claramente contra a tendência atual, com as estruturas a apostarem em duplas jovens ou com um misto de juventude e experiência. A Mercedes é também das poucas equipas que terá de repensar completamente o seu alinhamento para 2022, com ambos os pilotos a terminarem contrato no fim de 2021.
Olhando para a vontade de Hamilton em ter um contrato de longa duração e o resultado final, fica claro que a Mercedes quer ter um leque de opções alargadas para 2022 e não quer ficar presa. Com Lewis Hamilton, a Mercedes teria sempre de olhar para o britânico como a sua estrela, e quem chegasse teria sempre de entrar no mundo do campeão britânico, que é feroz na defesa da sua zona de conforto. Além disso a manutenção de Hamilton poderá impedir o aproveitamento de certas oportunidades. George Russell é um talento que tem de ser aproveitado e em 2022 deve ficar com um lugar na Mercedes correndo o risco de estagnar. E, inevitavelmente há Max Verstappen. O holandês está ligado à Red Bull, mas a equipa está numa posição fragilizada com a saída da Honda e depende do congelamento dos motores para se manter em pista. Mais ainda, a Red Bull tem tido dificuldade em dar-lhe uma máquina capaz de lutar pelo título. Não é descabido que a Mercedes esteja a pelo menos salvaguardar essa hipótese pois mais um ano de performances menos conseguidas por parte da Red Bull e bastará um telefonema de Toto Wolff para que o holandês se mude.
Assim esta renovação poderá ser o principio do fim, o encerrar de um ciclo impressionante de vitórias e domínio incontestado mas que em 2021 poderá ver o seu fim, com 2022 a iniciar uma nova era para o futuro, quer a nível regulamentar, quer ao nível da Mercedes.










