Lewis Hamilton falou sobre a Ferrari e sobre o momento que ele considera ter sido o ponto fulcral na caminhada pelo título. O agora penta campeão considerou que a vitória em Monza foi o maior golpe na Scuderia e que essa derrota foi a que mais terá custado à equipa italiana.
Tínhamos passado o meio da época e a Ferrari tinha feito um regresso fulgurante das férias de verão, com uma grande vitória em Spa. A Mercedes ficou novamente na dúvida e enfrentava a Scuderia em casa. Na altura, as melhorias na unidade motriz italiana davam que falar e dizia-se que a Ferrari tinha ultrapassado a Mercedes ao nível da potência e por isso, Monza seria uma prova que sorriria à Ferrari.
A Scuderia fez questão de dificultar o que já era difícil. Optou por colocar Raikkonen atrás de Vettel nas duas saídas na Q3 e o alemão ficou obviamente chateado por não ter podido usufruir do cone de ar do colega de equipa. A diferença de 0.161 entre o tempo de Raikkonen e Vettel na Q3 mostra bem que a Ferrari deveria ter dado pelo menos uma hipótese a Vettel e se o alemão conquistasse a pole, teria tido menos problemas no arranque. Assim, entrou em confronto direto com Kimi e Hamilton aproveitou com o resultado que todos conhecem.
Para Hamilton foi esse momento que mais marcou os adversários:
“Nós perdemos a corrida antes… sabíamos que tínhamos um grande desafio em Monza”, disse ele. “Estávamos com esperança de que poderíamos ser melhores do que a Ferrari. Talvez com uma volta perfeita eu poderia ter-me qualificado no segundo lugar. Na verdade, eu fiquei frustrado, chateado comigo mesmo. Sábado à noite foi difícil, e eu pensei muito sobre o quão agressivo deveria ser no domingo. É muito difícil avaliar quão agressivo se deve ser. Se vamos longe demais podemos causar um acidente e cair para último ou até abandonar. Se não fizermos o suficiente, não aproveitamos a oportunidade.”
Ele acrescentou que a força da Mercedes o ajudou a superar o maior desafio que tiveram de enfrentar nesta era turbo-híbrida.
“Nenhum de nós previu as coisas que iriam acontecer”, disse Hamilton. “Não poderíamos prever que venceríamos em Hockenheim. Ninguém sabia que venceríamos em Monza ou em particular em Singapura. Coletivamente, todos fizemos um trabalho incrível. Pela forma como gerimos as nossas sessões, saindo em primeiro na qualificação ou depois – o que os Ferrari também fizeram e ficaram presos no trânsito.”
Se a Alemanha foi o ponto de viragem em relação à diferença pontual no campeonato, a prova italiana anulou a resposta que a Ferrari tinha dado em Spa. Numa prova onde eram dados como favoritos por praticamente toda a gente, o erro estratégico na qualificação potenciou um desfecho inesperado e indesejado para a Scuderia. Vettel tinha encurtado a diferença pontual para 17 pontos em relação a Hamilton em Spa e poderia ter diminuído ainda mais essa distância em Monza. Assim a pressão aumentou e os erros de Vettel, assim como a falta de competitividade nas rondas de Singapura, Rússia e Japão fizeram o resto.
Há, no entanto, um pormenor que deve ser realçado… A força da Mercedes. Durante três anos dominaram a F1 sem qualquer tipo de concorrência, limitando-se a gerir os conflitos internos com Hamilton e Rosberg. Poderia pensar-se que a Mercedes falharia quando fosse desafiada por uma ameaça externa, mas o que se viu foi uma equipa muito forte. Em 2017 a Mercedes começou abaixo da Ferrari e teve de trabalhar muito para recuperar a desvantagem que tinha, algo que conseguiu fazer e no final da época a máquina dos flechas de prata superou o monolugar da Scuderia. 2018 foi um ano semelhante nesse aspeto, mas, mais uma vez a Mercedes mostrou que além de muitos recursos, tem a resiliência e a capacidade para encontrar soluções de forma rápida e de as executar da mesma forma. Isto num ano em que nomes fortes do departamento técnico saíram ou deixaram de dar o seu contributo de forma tão vincada.
A Mercedes talvez seja, a par da Red Bull, a equipa que melhor consegue adaptar-se aos desafios que vão surgindo quer na vertente técnica como na desportiva. Na Ferrari vimos um excelente trabalho técnico que nem sempre foi acompanhado pelas decisões desportivas em pista. Com o campeonato de construtores por decidir, se por um lado a Ferrari merecia um prémio pela espantosa evolução da sua unidade motriz e do seu chassis, por outro a força e a capacidade de resposta da Mercedes e as decisões desportivas mereciam também ser premiadas. Se foi em Monza que o campeonato tomou o rumo que tem neste momento será motivo de análise por mais alguns meses. O que parece certo é que a Mercedes continua a ser uma estrutura sólida e bem orientada.









