Numa entrevista à revista Complex, Lewis Hamilton recordou a infância difícil que sofreu em Stevenage, deixando claro que esses momentos apenas o tornaram mais forte e determinado para obter sucesso na Fórmula 1.
“Sofri com muito racismo no local onde cresci. Ter sido alvo de bullying na escola encorajou-me em definitivo. São feridas que te tornam mais forte”, avançou.
“O meu pai sempre me disse: ‘Diz o que tens a dizer na pista’, portanto desde o início que aprendi a dar as respostas em pista. ‘Deixa os teus resultados falarem mais alto do que qualquer coisa que tenhas para dizer. Não tens que dizer nada a estas pessoas’, recorda sobre os conselhos de Anthony Hamilton.
“Mas sabes, eu tinha miúdos a gritarem-me coisas, professores que me diziam: ‘Tu nunca vais ser um piloto de corridas, nunca vais conseguir nada’. Apenas para me tentarem pôr em baixo”.
O piloto da Mercedes disse que a reação hostil deixou-se ver quando ele começou a competir em eventos de karting espalhados por Inglaterra.
“Chegávamos aos eventos, o kart enfiado nas traseiras da mala, e todas estas pessoas tinham tendas e autocaravas e as melhores coisas, e nós éramos tão amadores, sabes? Eles não paravam o que estavam a fazer, mas todos olhavam. Todos os olhos estavam em cima de nós, como quem diz ‘o que é que eles estão a fazer aqui?’ Éramos a única família negra. E era assim em todos os fins-de-semana que nós corríamos”.
ASSUNTO TABU
Hamilton disse que chegou a ser avisado para evitar falar sobre questões raciais de modo a não melindrar patrocinadores e fãs, mas diz agora que sentiu que era importante falar honestamente sobre uma matéria tão importante.
“Estou neste desporto há muito tempo e quase todos me dizem para não entrar nesse assunto, ou não falar muito sobre ele. Mas sempre foi uma questão relevante. Olho para as coisas e sinto-as de uma certa forma. E para mim é importante que quando dizes alguma coisa, ou fazes alguma coisa, é pelas razões certas e da forma correta. Mas é difícil acertar e equilibrar a balança.”
O tricampeão do mundo explicou depois que é por isso que ele consegue desvalorizar as críticas que são feitas ao seu estilo de vida:
“Houve um período em que, na verdade, me importei com isso. Mas penso que com a idade, à medida que fui ficando mais velho, cheguei a um ponto em que não preciso de validação. Conheço o meu coração, e o que sinto. Sei o quanto trabalho no duro. Conheço os meus valores e o meu amor pela minha família. Sei quem sou e aproveito e tiro prazer da minha vida”.










