A estreia de Lewis Hamilton na Ferrari em 2025 tem sido marcada por dificuldades inesperadas. O britânico de 39 anos, sete vezes campeão do mundo, ainda não conseguiu subir ao pódio num Grande Prémio com a Scuderia, apesar de ter vencido uma corrida sprint na China. O contraste com o seu colega de equipa Charles Leclerc, que já garantiu pole positions e melhores resultados, tem alimentado debate dentro e fora do paddock.
Em declarações ao site neerlandês Formule1.nl, o ex-piloto e atual analista da Sky F1 Anthony Davidson não escondeu a surpresa:
“Dói-me ter de mencionar o nome de Lewis Hamilton aqui. É inacreditável, na verdade, que eu alguma vez tivesse de dizer isto numa análise. Mas ouvimos em Budapeste tudo o que ele disse sobre si próprio. É triste quando vemos um desportista com um currículo tão tremendo duvidar tanto de si.”
Comparação com Valentino Rossi
Davidson considera que a mudança para a Ferrari expôs fragilidades que já vinham de trás e comparou a situação ao insucesso de Valentino Rossi na Ducati no MotoGP:
“É também uma grande preocupação para a equipa. O que está a acontecer agora é o que muitas pessoas já antecipavam. Podemos comparar um pouco com a ida de Valentino Rossi para a Ducati. Nada está garantido. Ninguém é super-homem, todos somos vulneráveis. Pode ser extremamente difícil para um piloto adaptar-se a um carro novo.”
O ponto de viragem: 2022
Na sua análise, o ex-piloto apontou um momento específico como raiz do problema: a introdução dos atuais carros de efeito de solo, em 2022.
“Para mim, desde que os novos regulamentos foram introduzidos em 2022, o Lewis nunca mais foi o mesmo. Por vezes ainda vejo o velho Lewis em algumas corridas, mas ele já não tem aquela sensação natural e aquele controlo absoluto sobre o carro.”
Davidson, que esteve envolvido nos testes da Mercedes como piloto de simulador, reforçou que as mudanças aerodinâmicas desde então alteraram significativamente o estilo de condução exigido, algo que Hamilton nunca terá conseguido dominar totalmente.
Esperança no futuro
Davidson acredita que o futuro pode reservar uma nova oportunidade ao britânico, sobretudo com as alterações de regulamento que entrarão em vigor em 2026.
“Se ele se mantiver, se conseguir manter a cabeça erguida e superar este momento, pode regressar à luta já no próximo ano com os novos carros. Espero sinceramente que ele consiga dar a volta.”











