F1, GP da Arábia Saudita: Depois de 4 horas de reunião, pilotos concordaram em continuar a correr
O ano parecia encaminhado para começar da melhor maneira, mas na segunda corrida do ano, a F1 volta a dar que falar e não pelos melhores motivos.
Durante a tarde de sexta, começaram a surgir imagens vindas de Jidá de uma coluna de fumo, não muito longe do traçado onde os pilotos realizavam os treinos livres de sexta-feira. A coluna de fumo era resultante de um grande incêndio numa instalação da Aramco, provocada por um ataque feito com mísseis. O ataque foi reivindicado pelos rebeldes Houthis do Iémen. A informação foi confirmada num comunicado, citado pela agência France-Press. Isso motivou um atraso no segundo treino livre, pois foi feita uma reunião com pilotos para dar a conhecer a situação e garantir a segurança do evento. O atraso foi de 15 minutos e a sessão decorreu sem problemas.
No entanto, depois dos debriefs com os engenheiros, os pilotos reuniram-se para fazer o ponto de situação. A reunião arrastou-se pela noite dentro e apenas às 2 e meia da madrugada de Jidá é que os pilotos saíram da sala, quatro horas após o começo, isto depois de Stefano Domenicali, Ross Brawn e todos os chefes de equipa terem passado pela sala. George Russell que é atualmente diretor da GPDA (Associação de pilotos) foi visto a dirigir-se ao Race Control com Andreas Seidl, que nesta negociação serviu de porta-voz dos chefes das equipas.
Incroyable briefing des pilotes qui se prolonge..visiblement pas tout à fait sur la même longueur d’ondes que les officiels…#rtbfsport @f1 #SaudiArabianGP pic.twitter.com/0s6Iqv4zMS
— VIGNERON GAETAN (@VIGNERONGAETAN) March 25, 2022
O que estava em jogo era muito simples: a realização ou não da corrida. Apesar dos pilotos terem ouvido por parte dos responsáveis que todas as condições de segurança estavam garantidas, não terão ficado convencidos. As informações que iam chegando não eram as mais animadoras. Além dos rumores que foram chegando de novas explosões durante a noite, o espaço aéreo naquela zona também terá sido fechado. Ainda frescas na memória estavam as tristes cenas do cancelamento do GP da Austrália no começo da pandemia de COVID-19, uma situação onde a desorganização e a falta de norte falou mais alto. Se na altura se falava da segurança da competição e dos adeptos, com ataques tão perto da pista, a segurança estava novamente em causa. Os rumores no final da reunião não eram unânimes e se uns diziam que a corrida não avançaria, outros jornalistas citaram Christian Horner, que afirmou que a corrida avançaria como agendado. Depois de quatro horas de reunião, os pilotos foram saindo sem comentar com os media presentes a decisão.
Heading there’s a stalemate and no clear outcome. Over four hours after meetings started. As it stands, we are still racing #F1 #SaudiArabianGP https://t.co/GXDYS9AUk7
— Chris Medland (@ChrisMedlandF1) March 25, 2022
No final, depois dos pilotos terem manifestado a sua preocupação e terem ameaçado com um boicote, foi decidido que a corrida avançaria. Além de Horner, também Zak Brown e Toto Wolff terão confirmado que a corrida avançaria, enquanto os pilotos pareceram menos convencidos. Mais uma vez a F1 coloca-se numa situação pouco confortável. Já no ano passado Jidá foi palco de polémica, não só pelos acontecimentos em pista, mas pelo traçado da pista e pela forma como a pista foi concluída, sem falar da falta de articulação de todos os meios a trabalhar no local. Este ano, mesmo com ataques a infraestruturas a poucos quilómetros, a F1 decidiu manter o que tinha agendado e amanhã deveremos ter a qualificação, tal como inicialmente previsto. No entanto, o desconforto é claro e a situação terá de ser avaliada ao longo do dia. Se surgirem novos ataques na zona, pode haver uma mudança de posição. O GP da Arábia Saudita mantém-se… para já!
Segundo ataque em menos de 10 dias. Hoje a menos de 15km do circuito!
O movimento “No war” funciona apenas para alvos europeus. Fora da Europa pode ter guerra à vontade…#F1 #F12022 #SaudiArabianGP 🇸🇦
📸 @blog_formula1 pic.twitter.com/qUt9aJ4GwO
— Jorge Willian 🇧🇷 (@ojorgewillian) March 25, 2022
Infelizmente, está realmente a acontecer um Grande Prémio nestas condições.#FP #FormulaPortugal #F1 #Formula1 #F1naSPORTTV #SaudiArabianGP pic.twitter.com/aP5VERJZFb
— Formula Portugal (@FormulaPortugal) March 25, 2022
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Rui Sousa
26 Março, 2022 at 7:04
Da minha parte, este fim de semana não há F1. Não vou ver.
anotheruser
26 Março, 2022 at 8:47
Subscrevo.
Freddy Cat
26 Março, 2022 at 9:24
A questão da segurança, na maioria dos casos, deve ser preventiva e não reactiva.
É seguro dizer que fazer uma manutenção cuidada de uma viatura é melhor do que esperar que acendam as luzes vermelhas ou que os travões falhem para depois se actuar em conformidade.
Quando se trata de bens como a vida das pessoas, só mesmo interesses económicos muito poderosos e eticamente questionáveis podem justificar o que se está a passar.
A pista de Jidá é uma aberração em termos de traçado, com curvas cegas que mais tarde ou mais cedo vão criar dissabores (espero sinceramente estar enganado…)!
Queriam um bom traçado, num país com “brandos costumes”, gente hospitaleira e fãs extraordinários:
PORTIMÃO!!!!!!!
Scb
26 Março, 2022 at 9:58
Carros de corrida com mísseis e petróleo a arder à mistura? Isto é F1 ou MarioKart?
Chicanalysis
26 Março, 2022 at 10:23
Nada disso, é “só” a merda do mundo atual.
Chicanalysis
26 Março, 2022 at 10:22
Pilotos concordaram ou foram forçados a continuar? Existe uma cláusula que impede os elementos de sair do país se a prova não se realizar !!!????!!!
SlowInFastOut
26 Março, 2022 at 11:20
Espero sinceramente que haja algum discernimento e união por parte dos pilotos e se recusem a correr. Se houver GP apenas servirá para lavar a cara ao governo saudita e à sua sangrenta campanha de guerra e embargo no Iémen.
FormulaTwo+1
26 Março, 2022 at 12:25
Vamos falar claro. Trata- se de um circuito de merda num país de merdas! Nunca deveria ocorrer um único GP na Arábia Saudita, não só por uma questão de segurança, como também por uma questão de ética. Mas dignidade é uma palavra que a FIA deixou de conhecer quando lhe cheirou a dinheiro. Lamentável…