Flavio Briatore tem como missão levar a Alpine ao sucesso, numa altura em que todos os outros projetos desportivos do Grupo Renault foram encerrados. O italiano cedo deixou a sua marca na gestão da equipa e o arranque de 2026 parece colocar a formação francesa na luta pelo top 5. No entanto, Briatore não se revelou um grande fã do novo regulamento e considera que a crescente complexidade da gestão energética pode afastar os adeptos e transformar a categoria num exercício excessivamente técnico.
O futuro da Fórmula 1 aposta fortemente na componente elétrica, com uma elevada necessidade de gestão, o que pode levar os pilotos a conduzirem de forma muito diferente. Para Briatore, esta abordagem torna o espetáculo menos intuitivo e mais difícil de compreender, num contexto em que já existem debates técnicos — como os limites de pista — que, na sua opinião, contribuem para afastar o público.
O dirigente traça ainda um paralelo com a Fórmula E, recordando os primeiros anos da competição elétrica como exemplo de uma categoria em que a vertente técnica se sobrepunha à condução pura. Defende que a F1 não pode perder a sua essência, assente na velocidade, no som e na simplicidade do ato de acelerar para ultrapassar.
Apesar das reservas quanto ao regulamento técnico, Briatore elogia a evolução comercial da modalidade sob a liderança da Liberty Media e de Stefano Domenicali, destacando a transformação do interesse global na última década.
Flavio Briatore, citado pela edição espanhola do Motorsport.com, afirmou, ao ser questionado se o novo sistema se pode tornar demasiado complicado para os fãs:
“Penso que sim. De qualquer forma, os fãs só entendem 20%. Pelo menos temos de explicar o que está realmente a acontecer, porque para o piloto tornou-se um jogo completamente diferente.”
Ao comparar com a Fórmula E, declarou:
“Lembram-se da Fórmula E? O Di Grassi ganhou com 50 anos ou algo assim. A malta da F1 tentou conduzir esses carros e era impossível. Porquê? Porque conduzi-los era mais um exercício de engenharia. E é exatamente para aí que estamos a caminhar. Normalmente, para ultrapassar carrega-se a fundo no acelerador. Agora é preciso levantar o pé. Não sei. O que é certo é que, até agora, a Fórmula 1 não fez muito para que o espetador entenda esta parte.”
Ainda assim, reconheceu a evolução fora da pista:
“Comercialmente, a melhoria é incrível. Há dez anos tínhamos de bater a todas as portas até nos doerem os dedos. Hoje são as pessoas que nos ligam. É um jogo completamente diferente.”
E deixou um aviso final:
“Temos de preservar as corridas, temos de preservar o som. Isso é a Fórmula 1.”
Foto: MPSA











