A Ferrari não planeia contratar outro nome de peso para substituir James Allison como responsável técnico pela Scuderia, com Maurizio Arrivabene a desvendar que a solução passa antes por uma nova abordagem à estrutura da equipa.
A saída de Allison, contratado há três anos oriundo da Lotus, é um golpe nas aspirações da marca italiana, cada vez mais pressionada pelo patrão Sergio Marchionne para dar a volta à temporada, depois de ter caído para trás da Red Bull.
O sucessor imediato de Allison, Mattia Binotto, não tem experiência na aerodinâmica e desenvolvimento de chassis, provindo do departamento de motores. Mas Arrivabene diz que uma nova abordagem significa que o italiano é o homem certo para liderar este campo, atuando como coordenador da estrutura técnica:
“Ele irá trabalhar com a equipa para ajudar a melhorar o carro. Todos os técnicos falam uns com os outros, mas esta diferença é muito importante: não haverá mais esta situação de ‘este é o carro do Sr. X'”, numa referência à forma como se costuma atribuir a autoria dos projetos (ndr: ‘o carro de Adrian Newey’ ou ‘o carro de Ross Brawn’, por exemplo).
“Haverá sim um carro que será o resultado da coperação entre todos os grupos de trabalho envolvidos no projeto”, acrescentou.
Com James Key, da Toro Rosso, e Ross Brawn, ‘reformado’, a descartarem o convite de Maranello, a Ferrari irá agora optar por uma estratégia distinta baseada no maior contributo dos seus engenheiros. Haverá uma estrutura mais horizontal, com a operação técnica a ser liderada por várias figuras de topo, semelhante ao que a McLaren faz com Peter Prodromou, Tim Goss e Matt Morris.
“Estamos a modificar a nossa estrutura técnica, mas apenas iremos completar esta operação quando compreendermos se já temos na nossa equipa engenheiros com potencial que ainda não foi desvendado”, disse Arrivabene, indicando que irá olhar para os membros mais jovens e perceber se estes podem ser promovidos.
“Penso que temos algum talento. A questão que eu coloco a mim mesmo é: se tens estas pessoas talentosas, qual o motivo para o seu talento não ser visto e extraído? Se tens bons engenheiros, mas eles passam o seu tempo a realizar tarefas menos importantes, é óbvio que estamos a perder oportunidades”.










