A Ferrari rejeitou novas alterações ao procedimento de partida na Fórmula 1, com Frédéric Vasseur a afirmar que a equipa já cedeu o suficiente nesta matéria. A posição surge após críticas de George Russell, que acusou a Scuderia de bloquear mudanças adicionais às regras.
O desempenho da Ferrari nas partidas tem sido um dos destaques no arranque da temporada de 2026, com Charles Leclerc na Austrália e Lewis Hamilton na China a assumirem a liderança logo nos primeiros metros. As alterações regulamentares introduzidas este ano, sobretudo ao nível das unidades motrizes, tornaram os arranques mais complexos, levando à implementação de um procedimento de pré-partida de cinco segundos.
Apesar disso, George Russell defendeu novos ajustes após as diferenças verificadas entre os carros na grelha, sugerindo que a Ferrari estaria a agir de forma “egoísta” ao opor-se a mudanças. Vasseur, no entanto, considera que a equipa já se adaptou suficientemente às regras atuais e não vê necessidade de novas alterações.
O responsável da Scuderia recordou que a própria Ferrari já tinha alertado anteriormente para possíveis dificuldades com o novo sistema, sublinhando que as equipas devem adaptar os carros ao regulamento e não o contrário. Ainda assim, admite que as mudanças introduzidas não beneficiaram diretamente a equipa.
Paralelamente, a Ferrari esteve entre as formações que pressionaram por ajustes nos testes às unidades motrizes, após suspeitas de que a Mercedes teria explorado uma zona cinzenta do regulamento. A partir de junho, os motores passarão a ser testados em diferentes condições térmicas, numa tentativa de uniformizar a avaliação de desempenho.
Frédéric Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, à Sky Sports F1:
“Já alterámos bastante as regras das partidas com esta história dos cinco segundos. Há um ano fui à FIA alertar para o procedimento e disseram-nos claramente que tínhamos de adaptar o carro ao regulamento, não o regulamento ao carro. Fizemo-lo, mesmo sabendo que algumas mudanças não nos ajudaram. Mas chega a um ponto em que é suficiente.”
O dirigente sublinhou ainda a necessidade de uma abordagem global ao desempenho:
“Não acredito que a nova regra sobre a taxa de compressão seja decisiva. As oportunidades de desenvolvimento poderão ajudar-nos a reduzir a diferença, mas não se trata apenas do motor. Há muito na gestão de energia, no chassis… seria um erro focarmo-nos apenas num parâmetro.”
Foto: MPSA










