Londres tem sido o centro das atenções, por motivos políticos mas é lá também que se joga uma cartada importante do futuro da F1, com a reunião do Grupo de Estratégia e da Comissão da F1. Em cima das mesa estão mudanças para 2021, quer a nível regulamentar, quer a nível de governação.
Além da questão das mudanças no regulamento técnico, em que se pretende que os carros permitam lutas mais intensas e mais próximas, há também a questão das peças standardizadas que poderão permitir uma poupança significativa às equipas. Os motores deverão manter-se com poucas alterações, como os fornecedores pretendiam, e apenas deverão ser encontradas formas de aumentar o som para aumentar o apelo que provoca aos fãs.
Mas a grande questão está na governação da F1, no famoso Pacto de Concórdia assinado em 2012 e que terá de ser completamente revisto. Os objectivos deste acordo eram claramente associar as grandes equipas à F1 de forma a aumentar o seu valor comercial, mas isso trouxe desigualdades tremendas na distribuição do dinheiro, que era feita mais de acordo com o valor comercial e poder político das equipas, em detrimento do mérito desportivo. As equipas grandes recebiam muito por vezes sem o merecer e as equipas pequenas ficavam limitadas a receber as “migalhas”, independentemente dos resultados. É esse cenário que se quer alterar, mas quando se fala em dinheiro há mudanças difíceis de fazer.
Existe também a questão do tecto orçamental, que começa a ser olhado de forma unânime como uma solução interessante e que levará as equipas grandes gastar menos, tentando diminuir o fosso com as equipas mais pequenas, retirando logo o maior trunfo das equipas grandes. Mas ligada a esta questão, está também o problema das equipas B. Estruturas como a Haas, a Toro Rosso e agora a Racing Point, com apoio técnico directo das equipas de topo que, com a regulamentação idealizada, podem servir de “banco de testes” para as equipas maiores, fragilizando a posição da McLaren, Renault e Wiliams. O conceito de equipa B terá de ser cuidadosamente pensado.
Ou seja, temos um desporto que terá de decidir as novas regras do jogo, quer a nível técnico, o que é um passo importantíssimo pois pode definir o futuro da competição a médio prazo, que vê competições concorrentes crescer a bom ritmo, quer a nível governativo, obrigando as equipas maiores a receber menos, minimizando o “estrago” com um conjunto de regulamentos que tornem a competição mais barata, com um tecto orçamental que levará inevitavelmente a que as operações diminuam o que levará a despedimentos. Deverá ser implementado uma redução gradual para permitir uma adaptação das equipas grandes. Tudo para que as equipas mais pequenas mantenham o interesse na competição, que o dinheiro seja dividido de forma mais justa e que tal possa atrair interessados no futuro.
Joga-se o futuro comum de um desporto, onde os responsáveis têm adoptado uma visão egoísta. Pela primeira vez em muitos anos, as equipas terão de olhar não apenas para o seu umbigo, mas para o bem do desporto no geral e isso pode implicar fazer cedências a que não estão habituados.










