O desenvolvimento dos carros durante a época será uma constante, mas as equipas estão a chegar a um ponto importante da época. Encaminhamo-nos para o começo da “ronda europeia” que costuma ser crucial para o desenvolvimento das equipas. Como tal, Barcelona pode ser um ponto importante.
Quem segue a F1 há algum tempo já se habituou a ouvir as equipas dizerem que são necessárias quatro corridas para fazer uma avaliação completa do potencial dos carros. Ora isso vem por dois motivos: estatisticamente são precisos muitos dados para os engenheiros fazerem avaliações completas e normalmente pela quarta corrida começa a “ronda europeia” que, por força da maior proximidade das fábricas, permitem às equipas trazer para as pistas mais peças novas. Assim, com as melhorias implementadas, pode-se esquecer o que foi feito para trás, se tal não tiver sido de acordo com as expetativas.
Este ano a quinta corrida é a estreia de Miami, uma pista nova e, por isso, menos adequada para a implementação de novidades. É preciso uma base conhecida para enfrentar um desafio novo. Pista nova e peças novas podem dar mais dores de cabeça do que soluções. Imola, quarta corrida do ano, poderia ser o palco ideal para colocar novas peças nos carros, mas há um pormenor que faz toda a diferença. A primeira corrida sprint do ano implica um formato de fim de semana completamente diferente e menos tempo nos treinos livres, o que não é o adequado para avaliar de forma conveniente as melhorias.
A sexta corrida do ano torna-se assim no palco ideal para implementar os novos grandes pacotes aerodinâmicos. Barcelona terá um formato de fim de semana normal e mais que isso, é uma pista muito bem conhecida por parte de todas as equipas, que já fizeram milhares de voltas ao traçado catalão. As equipas têm uma base muito bem conhecida e podem comparar com os novos dados que as novas peças irão produzir. Além disso, depois de Barcelona temos Azerbaijão, Canadá e seguem-se sete corridas perto das fábricas das equipas onde se espera que o grosso das melhorias sejam implementadas.
Esta é uma visão teórica do que pode acontecer. Algumas equipas já disseram publicamente que não irão implementar melhorias profundas em Imola e não é expectável que Miami seja também palco de muitas mudanças nos carros. Barcelona é a melhor opção, mas já chega algo tarde. A sexta ronda do campeonato pode já ser tarde para recuperar de desvantagens, com a atenuante que o campeonato mais longo pode permitir ainda recuperar, mais ainda olhando à competitividade que pode baralhar ainda mais as contas. Há equipas que precisam de dar um salto qualitativo. Mercedes e McLaren são os nomes que mais facilmente são lembrados, olhando ao que pretendiam para este ano, mas todas as equipas estão a trabalhar para melhorar e extrair mais performance dos seus carros. Para já é a Ferrari que na frente desta luta, com o melhor carro, mais equilibrado e com a melhor unidade motriz. Mas isso pode mudar e Barcelona poderá vir a ser um ponto importante nesta luta.












