A F1 pretende, a médio prazo, tornar-se mais apelativa… Este pode ser o resumo do que pretendem os donos do grande circo. E essa mudança começa a notar-se.
O tempo de Bernie Ecclestone fizeram da F1 o grande espetáculo à escala global que todos conhecemos, mas a busca por cada vez mais receita levou o desporto a fazer apostas algo questionáveis. Ficamos com a ideia que a F1 era cada vez mais para os “velhos ricos” como disse Bernie e que a verdadeira paixão valia de pouco.
A entrada da Liberty trouxe uma mudança de paradigma bem vinda e necessária. Era preciso aproximar a F1 dos fãs, tornar a competição mais apelativa para os fãs, para equipas e novas marcas. O trabalho começou a ser feito do lado dos fãs com mais conteúdos nas redes sociais, mais trabalho de marketing e mais abertura. Os resultados começam a ser visíveis e cada vez mais se assiste a um aumento da base de fãs da F1 que, por se voltarem a interessar na competição, ou por terem descoberto através de series televisivas ou clipes do youtube, começam a ver corridas e a seguir os pilotos.
Isto tem sido conquistado numa fase em que a Mercedes continua a dominar de forma clara e inquestionável, por mérito próprio e pelo excelente trabalho desenvolvido. Imagine-se o aumento da base de fãs com corridas em que a vitória é discutida até a ultima curva. É isso que se pretende com a nova regulamentação para 2022.
A busca por tecnologias mais verdes e sustentáveis é agora uma prioridade para a competição. Está delineado o plano até 2030 e já se vê ações nesse capítulo. Isso permite tornar a F1 mais apelativa de um ponto de vista de marketing, mas também mais apelativa para empresas e marcas que queiram evidenciar-se nessa área.
A entrada em vigor no novo Pacto de Concórdia também é um sinal de confiança com as equipas a terem garantidos mais cinco anos na F1, sem a necessidade de gastar 200 milhões de dólares agora exigidos a novas equipas que queiram entrar ( uma manobra clara para proteger as equipas atuais e torná-las mais valiosas).
Poucos dias após a assinatura do acordo acordo, a Williams viu a chegada de uma empresa de investimento, a Dorilton Capital, tirando de cena a família Williams. Na semana passada, a McLaren angariou 185 milhões de libras ao vender uma participação de até 33% à MSP Sport Capital, um grupo de investimento desportivo. Nos últimos dias vimos a INEOS aumentar a sua participação na Mercedes, ficando com uma parte igual à Daimler e a Toto Wolff.
São sinais claros que os grandes capitais estão atentos à F1 e estão a gostar do que está a ser apresentado. Gostam da vertentes desportiva que aponta para um caminho mais competitivo, mais verde, com mais lucros e sem necessidade de gastar rios de dinheiro, graças ao limite orçamental e corte nas despesa, tornando a F1 muito mais barata (o termo indicado será menos cara). Poderemos ver no futuro equipas a terem lucros apetitosos que serão um chamariz quase irresistível para as grande marcas. O exemplo Mercedes é um deles. Apesar do investimento inicial pesado, tem agora uma operação a dar lucro, com uma participação menor do que a inicial sempre com o nome Mercedes a estar bem visível, permitindo grande retorno com investimento mínimo nesta fase.
Pretendia-se que a F1 fosse mais apelativa… e parece que aos poucos começa a sê-lo e o futuro parece risonho.











