A Renault encara 2020 com uma mentalidade nova e com vontade de colocar para trás das costas os recentes desaires.
“Temos uma missão. Sentimos alguma frustração pelo ano passado e o que fizemos. Eu acredito que podemos fazer melhor este ano. Certamente temos um carro que nos deve permitir fazer melhor, então esse é o foco”. Estas foram as palavras de Cyril Abiteboul na antevisão da primeira prova do ano.
Sim, de facto a Renault tem uma missão… a de provar que o projeto pode finalmente dar um passo em frente, sem depender das falhas dos adversários para sobressair. A trajetória da Renault desde o seu regresso nesta era híbrida tem sido de altos e baixo, reestruturações e de promessas não cumpridas. Não falta talento à Renault, nem experiência. Enstone já provou num passado não muito distante que consegue produzir carros com qualidade, sem precisar de orçamentos faraónicos. A Renault sabe como fazer motores vencedores e que permitiram vencer títulos. Nunca esteve em causa a valia da estrutura. Mas o que está em causa este ano é o orgulho e mais que isso, o mostrar que o projeto tem pernas para andar e que o investimento que a Renault faz é justificado, o que até agora é difícil de dizer.
Abiteboul lutou muito pelos novos regulamentos, pelo limite orçamental e a sua luta foi bem sucedida. Mas falta-lhe mostrar uma equipa com um rumo, que não trema nas situações mais complicadas e que encontre soluções para os inevitáveis problemas que sempre surgem durante a época. Não é um ano de “mata mata”, usando a gíria futebolística, mas é um ano importante para mostrar a capacidade de criar um bom carro, para assim convencer as chefias do bom trabalho e convencer pilotos a ingressarem na equipa. Os primeiros dados em Barcelona foram relativamente animadores e a luta pelo melhor lugar no meio da tabela será feroz. A Renault não pode contar com deslizes alheios para brilhar. 2020 e 2021 terão de ser um aperitivo bem apetecível para o que virá em 2022. Caso contrário o projeto fica cada vez mais pressionado.












