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F1: A importância do mental na competição

Fábio Mendes by Fábio Mendes
23 Agosto, 2025
in F1, FÓRMULA 1, Newsletter
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GP do Canadá F1: George Russell repetiu o feito de Lewis Hamilton no GP de Portugal

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Qualquer desporto de alta competição é exigente, muitos deles na parte física, mas todos na parte mental. É o cérebro e a forma como os atletas o comandam que pode fazer a diferença entre vencer ou perder. Uma mentalidade forte, determinada e resiliente são aspetos fundamentais, especialmente na F1 onde além da exigência física há a exigência técnica e a velocidade a que tudo acontece, sempre com a sombra do perigo.

Os psicólogos podem ter um papel determinante no sucesso de um atleta. Recorrer a um profissional de saúde que trabalhe a questão mental já deixou de ser um tema tabu e, na atualidade, muitos são os que trabalham com tanto afinco a vertente psicológica quanto a vertente física.

George Russell revelou recentemente a forma como preparou o seu estado mental antes de se estrear na Mercedes, ao lado de Lewis Hamilton. O britânico foi promovido à equipa de Brackley em 2022, após três temporadas na Fórmula 1 com a Williams. A mudança representava não só o salto para uma equipa de topo, mas também o desafio de partilhar garagem com o heptacampeão mundial.

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“Foi um dia enorme, porque parecia que estava a subir a escada. Mas não foi apenas um degrau, senti que dei três passos de uma vez”, contou Russell no podcast Untapped.

Nos meses que antecederam a temporada, o piloto confessou que acreditava no seu valor, mas reconhecia a incerteza:

“Eu acreditava em mim, acreditava que podia bater qualquer um. Mas a verdade é que não sabes até enfrentares o melhor de sempre. E eu ia entrar na equipa dele, onde estava há 10 anos e tudo tinha sido construído em torno dele.”

A conversa decisiva com o psicólogo

Foi nesse período que Russell recorreu ao apoio de um psicólogo, uma conversa que considera ter mudado a sua perspetiva:

“Percebi que, quando entro na garagem, só penso que vou para o meu carro. Ponho o capacete, baixo a viseira. Não deve importar se o meu colega de equipa é um heptacampeão ou um estreante. Porque, no fim, estou no controlo do meu próprio destino.”

Russell já tinha superado claramente os seus anteriores colegas de equipa na Williams — Robert Kubica e Nicholas Latifi —, mas sabia que Hamilton representava um desafio de nível completamente diferente.

Ajustar expetativas

Com isso em mente, o britânico decidiu redefinir os objetivos:

“As minhas estatísticas contra os anteriores colegas mostravam que terminei à frente deles em 95% das vezes. Mas percebi que, se ficasse à frente do Lewis numa época, seria uma conquista incrível. Não iria bater o Lewis 95% das vezes. Se for 55%, já é fantástico. E tenho de aceitar que, nos outros 45%, ele estará à minha frente.”

Para Russell, o maior passo psicológico foi precisamente aceitar que enfrentar um piloto do calibre de Hamilton significava aprender a lidar com a derrota ocasional:

“Não podes enfrentar o GOAT [Melhor de todos os tempos] e esperar dominá-lo por completo. A minha meta era superá-lo no conjunto de uma temporada, mas sabia que também iria ficar atrás dele em várias ocasiões — e isso é totalmente compreensível.”

A gestão de expetativas e o trabalho mental é a base para uma carreira de sucesso. Muitos estreantes sofrem mais não porque não tenham talento para a F1, mas apenas porque a expetativa, a pressão dos media, a exigência da equipa e tantos outros fatores pesam. Por vezes isso sobrepõe-se ao talento dos jovens pilotos o que pode iniciar uma espiral negativa. O trabalho que Russell fez é o exemplo das vantagens que advém de ter uma abordagem mais holística à preparação.

Tags: F1Fórmula 1George Russell
Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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