O dia mais negro da carreira de George Russell na F1 (até agora) aconteceu em Imola, a meio da corrida que parecia estar bem encaminhada para conquistar os primeiros pontos. Tudo se esfumou num piscar de olhos.
Foi um dos momentos da corrida e certamente não deixou ninguém indiferente. Max Verstappen acabou na caixa de gravilha, depois do seu pneu traseiro direito ter cedido e obrigado à entrada do Safety Car. As especificidades da pista e as condições da altura colocavam os pilotos com pneus duros numa situação complicada, pois manter a temperatura nestes pneus revelava-se complicado e um recomeço com borrachas frias não era recomendável para quem queria manter a sua posição ou tentar atacar.
Russell sabia disso e estava a tentar fazer de tudo para manter os pneus quentes atrás do Safety Car. Mas um pequeno momento atirou o britânico para fora de pista. O #63 foi “guloso” no acelerador e a traseira do seu Williams desestabilizou-se, levando-o contra o muro de protecção, quando ocupava o décimo lugar.
A reacção de Russell foi de desespero. Em um ano e meio de F1, o piloto teve de enfrentar situações dificeis, mas nunca perdeu a compostura… até este incidente.
Está difícil para Russell marcar os primeiros pontos na F1. Claramente a sorte não lhe tem sorrido. No ano passado o único ponto marcado pela Williams foi assinado por Robert Kubica, quando o piloto mais rápido era Russell. Este ano já por um par de ocasiões Russell esteve perto de o conseguir, mas por erros ou azares tal não aconteceu. Pode parecer que Russell treme nos momentos cruciais. Não me parece que seja. Creio que paga a fatura por estar numa equipa pouco competitiva. Passou 2019 a lutar contra si e contra um colega de equipa que não tinha andamento. Enquanto outros rookies tiveram de se adaptar logo às lutas em pista, Russell “estagnou” nesse capítulo por não ter lutas à sua volta. Notou-se isso na Áustria onde depois de uma qualificação excelente, com um erro deitou tudo a perder na corrida logo na primeira volta. Este processo de aprendizagem que está agora a enfrentar já foi vivido por Lando Norris e Alex Albon. Junta-se a isso a pressão cada vez maior de querer pontuar e por algum motivo não conseguir, algo parecido com a maldição do pódio de Nico Hulkenberg.
Mas não se deve questionar a qualidade de Russell. Um piloto com uma postura irrepreensível, com um talento enorme e que tem colocado o monolugar da Williams de forma frequente na Q2, num esforço que mostra a capacidade e a velocidade de Russell. Numa nota mais pessoal, acredito que Russell tem tudo para ser um campeão no futuro e vejo nele o jovem certo para entrar na Mercedes a curto prazo. O que se passou em Imola foi apenas mais um passo na caminhada de Russell. Um passo necessário pois agora, mais que o seu talento (reconhecido por todos), terá de mostrar resiliência e força para dar a volta ao texto. George Russell está destinado a grandes feitos e apenas precisa de esquecer a pressão do primeiro ponto. O ano de estreia não foi o melhor e a sua progressão não foi tão notória por não estar no centro da ação. Mas em 2021, teremos um Russell ainda melhor e aí sim, a justificar a mais que provável aposta da Mercedes. Neste ano terá de aprender o que outros já aprenderam, mas certamente que o fará e mostrará que não é à toa que é considerado um dos mais promissores do grid atual.










É dificil aspirar a voos altos quando de fazem “butades” destas.Para fim de grelha está bom.Digo eu.
Infelizmente continua a dar-se mais relevo ao negativo que ao positivo. Quantas boas exibições fez o Russell e não mereceram tantas linhas? Existe mesmo algum piloto que alguma vez não tenha cometido erros?
Muitíssimo bem escrito!
Cumprimentos
Qual o problema, já foi perdoado, se o nome dele fosse Grosjean ou Vettel não recebia tantos amens. O que eu vejo quando chega a altura de ganhar alguma coisa ele falha, tal como o Hulkenberg.
Pobre George…. Imola demonstrou que a relva e a gravilha são fundamentais para estes pilotos se distanciarem dos video-jogos. Tocou a ele agora, mas também qual o piloto q nãp fez uma do género na sua carreira ( quem se lembra do chamado “professor” prost a fazer o mesmo na volta de apresentação ali?) ?
Imola não é um video-jogo: é uma pista de F1.
Ele perde o controlo no meio da pista, ter gravilha ou relva ou alcatrão nesta situação era indiferente, ele ia sempre contra o muro.
Não foi o promeiro nem será o último a despistar-se atrás de um SC, e tal como os grandes afirmaram nas suas declarações todos cometeram erros infantis nas suas carreiras, afinal são humanos.
Parece uma malapata do Russel para obter o primeiro ponto na F1.
https://pbs.twimg.com/media/Elwi6mVXIAIEDrY?format=jpg&name=small
Muito bom.
O Fernando Alonso diz que é o piloto mais impressionante desta nova geração. Alguma razão ele terá para proferir tais declarações.
Aconteceu na pior altura possível, precisamente na única hipótese que teve para pontuar este ano. E é claro que o erro é duro de aceitar, é um erro grosseiro e inaceitável para um piloto que se quer de topo, o próprio deixou bem claro no final que assumia todas as responsabilidades pelo sucedido, o que mostra que não precisa de palmadinhas nas costas, ele sabe bem o disparate que fez. Na sua segunda época de F1, com 22 anos, é notório que o seu trajecto tem sido ascendente, cada vez mais competitivo e tem-nos brindado com algumas das voltas de… Ler mais »